Bolsonaro ataca negros, pessoas gordas, quilombolas, indígenas e refugiados no clube Hebraic

Jessica Milaré

Por Jéssica Milaré, colunista do Esquerda Online.

Na segunda-feira, dia 3 de abril, Bolsonaro fez uma palestra no clube Hebraica para uma plateia de 300 pessoas. Em um discurso fascista, Jair Bolsonaro chamou indígenas e quilombolas de preguiçosos e prometeu que, se for eleito presidente, vai acabar com todas as reservas indígenas e quilombolas. Afirmou, também, que não abrirá as fronteiras para refugiados e que, se depender dele, “todo mundo terá uma arma de fogo em casa”.

O discurso gordofóbico e racista

O deputado afirmou que as reservas indígenas e quilombolas atrapalham a economia. “Onde tem uma terra indígena, tem uma riqueza embaixo dela. Temos que mudar isso daí”, afirmou. “Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles.”

Com esse discurso, Bolsonaro reforça o estigma de pessoas gordas, indígenas, quilombolas como preguiçosas, como se elas não trabalhassem. Isso é uma tremenda bobagem. É lógico que a vasta maioria das pessoas gordas são trabalhadoras, pessoas do povo. As comunidades indígenas e quilombolas sobrevivem a partir do próprio trabalho, da agricultura, da caça e da pesca artesanal. Além disso, Bolsonaro reafirma o estigma de pessoas gordas como pessoas de baixo desempenho sexual.

O mito de que as pessoas negras e indígenas seriam preguiçosas surgiu pelo fato dessas comunidades não aceitarem passivamente abandonar seu próprio modo de vida para submeter-se ao trabalho assalariado do sistema capitalista. O fato de que os povos nativos preferem viver com poucos recursos em vez de se submeterem ao trabalho fabril, por exemplo, fez com que capitalistas e latifundiários os estigmatizassem como preguiçosos, para justificar que fossem expulsos de suas próprias terras e empurrados a trabalhar para latifundiários e capitalistas.

O discurso xenofóbico

Bolsonaro fez ainda críticas a refugiados e afirmou: “Não podemos abrir as portas para todo mundo”. O discurso dele é obviamente hipócrita, já que ele, como todas as pessoas brancas do Brasil, são descendentes de imigrantes, a maioria pessoas que fugiram da Europa em busca de melhores condições de vida, justamente como os refugiados de hoje.

Bolsonaro não representa as pessoas judias

O fato de que Bolsonaro fez um discurso fascista, xenofóbico, racista e gordofóbico e que foi aplaudido num clube judeu não significa que ele represente todos os judeus. Muito pelo contrário, houve um abaixo-assinado promovido por pessoas judias contra a presença dele no clube Hebraica de São Paulo em fevereiro desse ano, com quase 4 mil assinaturas. O abaixo-assinado criticava Bolsonaro por ser defensor da Ditadura Militar e de seus torturadores, como o coronel Ustra. “Por tudo isso que em nome da memória de Vladmir Herzog, Iara Iavelberg, Ana Rosa Kucinski, Gelson Reicher, Chael Charles Schreier, e tantos outros judeus vítimas da ditadura, os abaixo assinados pedem que a Hebraica – SP não permita ato com Jair Bosonaro na sede do clube”, concluiu o abaixo-assinado.

Foto: Pragmatismo político.

Leia outros artigos:

Cinco observações rápidas sobre o atentado contra Jair Bolsonaro por Valério Arcary

Entrevista no JN: Bolsonaro sendo Bolsonaro por André Freire

Bolsonaro, neoliberalismo e Ojeriza à política por Rejane Hoeveler

A família Bolsonaro, a nova direita brasileira e seu discurso LGBTfóbico por Gabriel Santos 

Quatro motivos para não votar em Bolsonaro: Suas propostas para a classe trabalhadora Por Carlos Henrique de Oliveira

Cinco argumentos para desmascarar Bolsonaro Por Juliana Bimbi

Bolsonaro admite Petrobrás totalmente privatizada caso seja eleito Por Pedro Augusto

Conheça quem está por trás das ideias de Bolsonaro Por Gibran Jordão

Bolsonaro: Nem honesto, nem aliado dos trabalhadores Por Edgar Fogaça

Bolsonaro não é um espantalho por Valério Arcary

Em visita ao Pará, Bolsonaro defende a chachina de trabalhadores sem-terra Por Gizelle Freitas

Não se deve tercerizar para Ciro Gomes a luta contra Bolsonaro por Valério Arcary 

Bolsonaro em contradição: três patacoadas do “mito”em apenas dez dias de 2018 por Matheus Gomes

5 fatos mostram que Bolsonaro é contra os trabalhadores e aliado de Temer por Lucas Fogaça

 

 

Comentários no Facebook

Post A Comment