Prefeito de Tucuruí é assassinado no Pará

Por: Luiz Henrique, de Belém, PA

“Mamãe não quero ser prefeito. Pode ser que eu seja eleito. E alguém pode querer me assassinar”. Os versos inicias de “Cowboy fora da lei”, canção criada por Raul Seixas, ilustram bem o cenário do Sudeste paraense. Na tarde do dia 25, o prefeito do município de Tucuruí, Jones William (PMDB), foi executado enquanto acompanhava uma obra tapa-buraco. O crime ocorreu no bairro Cristo Vive, em uma estrada que liga o aeroporto à cidade. Dois homens de motocicleta se aproximaram e efetuaram vários disparos, acertando a cabeça da vítima, que não resistiu. O crime está sendo investigado pela Divisão de Homicídios de Belém, e até agora não houve identificação dos executores, ou dos mandantes.

Jones William é o terceiro prefeito assassinado no Sudeste do Pará em menos de vinte meses. Em maio deste ano, o prefeito de Breu Branco, cidade vizinha, também teve o então prefeito, Diego Kolling (PSD), assassinado em condições semelhantes. Em janeiro de 2016, o prefeito de Goianésia do Pará, João Gomes da Silva (PR), foi alvejado por um homem que logo depois fugiu de moto. Após investigações, ficou provado que este crime possuía razões políticas, sendo o mandante, um vereador, também de Goianésia, opositor da gestão.

Ao que tudo indica, o assassinato de Jones William é mais um crime com motivação política em um estado onde as práticas de pistolagem e execução de opositores são endêmicas: uma verdadeira realidade de faroeste. Os anos de desinvestimento nas áreas sociais, por parte dos governos do PSDB, como de Simão Jatene, e o clima de impunidade, onde menos de 10% dos homicídios no estado são investigados, contribuem para a atual situação catastrófica da segurança pública.

Infelizmente, o estado do Pará é palco não só de assassinatos de prefeitos, como também de lideranças de trabalhadores rurais, camponesas, indígenas e quilombolas, sendo um dos líderes em violência no campo e na cidade. A chacina de Pau d’Arco, os assassinatos no Sudeste do Estado, e a atuação dos grupos de extermínio na capital são exemplos do clima de barbárie que se instaurou e não tem hora para acabar.

Foto: Reprodução Facebook

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