Enchentes no Nordeste: o retrato de um desastre político e humano, não meteorológico

Por: Gisele Peres, de São Paulo, SP

Foram confirmadas as mortes de dez pessoas. Até o momento, são cerca de 69 mil desalojados na casa de amigos ou parentes, ou desabrigados, em abrigos improvisados.  Entre os mortos estão quatro da mesma família –um casal e seus dois filhos, um menino de três anos e uma menina de sete meses. Os corpos foram soterrados após um deslizamento na periferia de Maceió. Outra pessoa da família continua desaparecida.

Já em Pernambuco, o corpo de um homem foi encontrado nesta terça-feira (30) nas margens do rio Ipojuca, em Caruaru, fazendo subir para três o número de mortos com as chuvas no Estado. Uma mulher segue desaparecida, também em Caruaru.

A escassez de água potável e alimentos após as chuvas fez com que famílias disputassem sacos de comida estragada em supermercados da região de Palmares, também em Pernambuco.

Calamidade humana
O Governo federal foi obrigado a reconhecer situação de emergência em 24 cidades de Pernambuco. Outro ato administrativo da Secretaria Nacional de Defesa Civil reconheceu emergência em Maceió e em outras cidades de Alagoas.

Situação de emergência é um termo definido como uma “situação anormal, provocada por desastres” e que comprometa parcialmente a capacidade de resposta do poder público local. O caso pode requerer ajuda financeira ou reforço policial, deslocado de regiões vizinhas sob o comando da União.

A explicação utilizada – excesso de chuva – além de cínica é completamente inútil. Chuva é um fenômeno da natureza e tratar como uma mera questão meteorológica inocenta os verdadeiros responsáveis pelos desastres rotineiros que atingem a população pobre e periférica no nosso país: o conluio dos governos de todas as esferas com a especulação imobiliária, que incentiva a ocupação irregular e constrói cenários de tragédias anunciadas.
Solidariedade

Neste momento, quando a tragédia atinge milhares de trabalhadores, vítimas do descaso dos governos e da sede de lucro dos grandes empresários, se faz necessária a solidariedade de classe.

Por isso, chamamos as entidades da classe trabalhadora a somarem forças com as campanhas de recolhimento de donativos. É fundamental procurar as diversas instituições e entidades que realizam arrecadação de alimentos não perecíveis e objetos de higiene pessoal.

Foto: Muro da Escola Casinha Azul desaba com as chuvas | Simpere Recife

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