O assassinato de Luiz Carlos Ruas e o aumento da lgbtfobia no Brasil em 2016

A absurda violência de dois homens contra Luiz Carlos, na noite do dia 25 de dezembro, representa mais do que a barbárie do ato em si. Representa a lgbtfobia.

Tudo começou assim que dois homens foram repreendidos, ao urinarem em local inapropriado, por uma travesti chamada Raissa e um homossexual, ambos moradores de rua. Em seguida, os dois homens partiram em caçada à Raissa e ao homossexual, até cortarem o caminho de Luiz Carlos Ruas, que, em uma atitude digna, interviu contra a agressão, em defesa da travesti. Por sua atitude, Luiz foi espancado impiedosamente, até a morte. Este episódio ocorreu na Estação Pedro II da Linha 3 do Metrô de São Paulo.

Há uma discordância sobre a identificação dos motivos do crime. Para não fugir do costume, a polícia secundariza a questão das opressões – neste caso, a transfobia e a homofobia. O delegado responsável pelo caso afirma que nada indica se tratar de um crime de intolerância . Nós, porém, estamos certos de que, apesar de não ser LGBT, Luiz Carlos Ruas foi mais uma vítima da lgbtfobia no Brasil.

Violência por lgbtfobia preocupa

O crescimento do conservadorismo em nosso país traz preocupação sobre os casos de violência contra lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans. Figuras como Jair Bolsonaro, Magno Malta, Marco Feliciano e Silas Malafaia, com suas declarações incitando a homofobia e a transfobia, no parlamento e na televisão, colaboram e corroboram com o crescimento do preconceito e dos crimes de ódio.

Segundo pesquisa do Grupo Gay da Bahia, 160 pessoas LGBTs foram assassinadas no Brasil, até julho de 2016. 319 foram assassinadas em 2015, e 1600 nos últimos quatro anos. Estima-se que a cada 28 horas uma pessoa LGBT é assassinada de forma violenta no país, desconsiderando os casos não documentados.

Particularmente este ano, tivemos episódios muito violentos, como os que envolveram o carioca Diego, estudante da UFRJ , e André, estudante da Unimontes em Minas Geraise André, estudante da Unimontes em Minas Gerais . Tivemos ainda o brutal episódio da Boate Pulse em Orlando , que mostra como a lgbtfobia é um problema internacional.

O único parlamentar LGBT, Jean Willys do PSOL, está sendo ameaçado de suspensão do seu mandato por evidente perseguição à sua militância pelos direitos das pessoas LGBTs. O congresso corrupto e lgbtfóbico persegue o único deputado gay. O que isso indica para a sociedade? Com o exemplo dos políticos incitadores do ódio, não podemos considerar como acaso o aumento da brutalidade dos casos de assassinatos de LGBTs – a lgbtfobia é institucional.

É preciso tornar a lgbtfobia crime

Aumentou a brutalidade dos casos de violência lgbtfóbica, mas aumentou também a resistência dos que não aceitam mais a intolerância. Estamos vendo uma geração de lutadores se formando, tendo à sua frente o povo negro, as mulheres e as pessoas LGBT. Estes são parte dos que mais lutam hoje no Brasil, forçando o avanço das discussões sobre o tema das opressões na sociedade.

Seguindo seu exemplo, devemos mais do que nunca lutar pela criminalização da lgbtfobia. O extremamente progressivo Projeto de Lei 122/2006, que criminalizava a homofobia, foi arquivado pelo Congresso Nacional conservador, depois de oito anos de tramitação. Devemos, nas ruas, construir uma nova proposta que inclua na lei a lgbtfobia como crime de ódio.

Os discursos de ódio das figuras nocivas da política nacional como Bolsonaro, Malafaia e Feliciano também não podem continuar impunes. Pela memória de Luiz Carlos Ruas, Diego, André e todos os LGBTs assassinados no Brasil, devemos lutar pelo fim da lgbtfobia.

 

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