DOSSIÊ

Introdução

Rosa Luxemburgo, presente!

Por: Renato Fernandes, de Campinas, SP

15 de janeiro de 1919. Rosa Luxemburgo é presa. Sua prisão ocorreu no meio dos levantes de janeiro conduzidos pelos militantes do Partido Comunista Alemão. Esses levantes faziam parte do processo revolucionário aberto que passava o país desde novembro de 1918. Após sua prisão, realizada com a cumplicidade de seus ex-companheiros do Partido Socialdemocrata Alemão que governavam a recém fundada República de Weimar, Rosa Luxemburgo foi espancada e executada pelos Freikorps, milícias patrióticas de extrema direita. Seu corpo foi abandonado em um curso d’água, Landwerkanal, de Berlim e só foi encontrado meses depois, em junho.

Por que o novo poder político, saído da Revolução de Novembro, e os setores nacionalistas de extrema direita quiseram calar Rosa?

Rosa Luxemburgo, judia, polonesa, militante marxista, nasceu em 1871. Iniciou sua militância nas fileiras da socialdemocracia ainda nos anos 1890. Teve atuação importante em dois partidos, um na Polônia e outro na Alemanha. Desde cedo se opôs ao revisionismo de Edouard Bernstein, que propôs cindir as relações entre os meios e os fins da luta socialdemocrata. Rosa escreveu uma bela resposta, publicada integralmente em 1900, em sua obra Reforma ou Revolução?

Ela participou ativamente no processo da primeira Revolução Russa de 1905. Essa experiência marcou sua luta pela greve de massas como estratégia revolucionária. Foi pioneira, em 1910, em denunciar o oportunismo do “papa” do marxismo Karl Kautsky em sua polêmica sobre a tática da greve de massas para a Alemanha.

Foi uma oradora e educadora incansável. Participou de diversas reuniões, mobilizações, congressos e deu cursos no Partido Socialdemocrata. Desses cursos resultaram suas grandes obras econômicas como Introdução à Economia Política, publicado postumamente, e A acumulação de capital (1913). Por essa atividade intensa foi presa mais de uma vez.

Foi uma opositora ferrenha do imperialismo alemão, do militarismo e da guerra. Junto com Lenin escreveu a resolução do Congresso de Stuttgart, de 1907, da Internacional Socialista na qual essa organização deveria se opôr a guerra mundial em preparação. Para Rosa, o imperialismo se preparava para a guerra e era necessário opor a mobilização do proletariado à barbárie genocida. Foi presa por essa oposição à guerra e escreveu na prisão o Folheto de Junius (1915), explicando e denunciando a capitulação da socialdemocracia aos interesses imperialistas. Durante a guerra, organizou também a Liga Spartacus, que reunia militantes contrários ao conflito como Karl Liebknecht, Clara Zetkin, Franz Mehring, entre outros.

Será na prisão que viu a Revolução Russa de 1917, na qual reivindica, mas também critica alguns dos seus aspectos. Liberta em 8 de novembro, Rosa Luxemburgo encontrou-se no meio do processo revolucionário que derrubou a monarquia e instaurou a República de Weimar. Viveu intensamente seus últimos dois meses de vida, transformando-se na principal liderança do jovem Partido Comunista Alemão, fundado nos dois últimos dias de 1918.

Rosa Luxemburgo era uma marxista aberta e crítica. Mesmo após criticar Lenin e de receber críticas do mesmo, em temas como organização do partido e a questão nacional, não deixou de trabalhar em conjunto com ele no que defendiam abertamente. A crítica sempre fez parte da sua elaboração de ideias e uma esquerda que não foge da sua responsabilidade deve encará-las com esse espírito luxemburguista.

Rosa foi assassinada por nunca ter abandonado suas ideias. Ideias de transformação do mundo a partir da mobilização da classe trabalhadora. Ideias que buscavam combater a desigualdade, a guerra e o militarismo. Ideias socialistas para um novo futuro para a humanidade. Sua perda foi fatal para a Revolução Alemã e para o futuro da humanidade que mergulhou na barbárie nazista e na Segunda Guerra Mundial.

Por sua vida dedicada à revolução e por suas ideias marxistas que celebramos, com esse especial, Rosa, a vermelha! Viva Rosa Luxemburgo!

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Nesse especial separamos alguns textos de Rosa Luxemburgo para que os leitores possam conhecer melhor sua vida e obra. Na primeira parte estão pequenos artigos de Rosa sobre temas variados como a greve de massas, o oportunismo na socialdemocracia e o programa defendido na Revolução Alemã de 1918-1919.

Na segunda parte, disponibilizamos alguns links para importantes livros de Rosa Luxemburgo.

Na terceira, selecionamos textos e vídeos de alguns autores que debatem a obra de Rosa Luxemburgo.