Quem Quer? premiado filme-manifesto de Célia Maracajá é destaque na Virada Cultural Indígena em São Paulo-SP
Curta-metragem de cineasta radicada no Pará denuncia a invisibilidade de população indígena em contexto urbano
Publicado em: 15 de junho de 2026
Quem Quer?, é o filme-manifesto do Tekó – Coletivo de Artivismo Indígena da Região Metropolitana de Belém, com direção de Célia Maracajá, roteiro de Porakê Munduruku e financiamento da Lei Paulo Gustavo, que será exibido e discutido em uma sessão pública e gratuitas no Teatro Flávio Império nesta sexta-feira, 21/06, às 17h.

Desde sua estreia em dezembro de 2025, em sessão especial no Cine Líbero Luxardo da Fundação Cultural do Pará, o curta-metragem, que transita entre a ficção e o documental para denunciar a ausência de políticas públicas para a população indígena que vive fora dos territórios demarcados, já protagonizo sessões em escolas da rede pública nas periferias da Grande Belém e em importantes centros de pesquisa como: UFPA, UEPA, UFRJ, UFRRJ, UnB e IFES. Além de percorrer o circuito de festivais, colhendo premiações relevantes como o Prêmio de Melhor Curta-metragem pelo Júri Popular da Mostra Competitiva As Amazonas do Cinema, integrante da programação da 11ª Edição do Festival Pan-Amazônico de Cinema (Amazônia FiDoc); o Prêmio de Impacto Social em Cinema Brasileiro na 5ª edição do All that Moves International Film Festival; e receber a Menção Honrosa no Prêmio Tilápia de Bronze do VI Tietê International Film Awards.
Nascida às margens do Rio Apa, no Mato Grosso, mas registrada em São José do Rio Preto, Célia Maracajá, diretora do filme, encontra-se radicada há décadas no Pará, sendo protagonista de uma longeva e profícua carreira artística, tendo estreado ainda na década de 1970, como aluna de Heleny Guariba no lendário Teatro de Arena, participou de montagens do Teatro Jornal e também fez parte da Companhia Teatro Oficina, tornando-se uma das percussoras da dramaturgia indígena no Brasil. Na sétima arte, atuou em longa-metragens icônicos como: A Cartomante (1974) de Marcos Faria; Ladrões de Cinema (1977) de Fernando Campos; O Homem que Virou Suco (1981) de João Batista de Andrade; e BrasCuba (1992) de Santiago Alvarez e Orlando Sena. Além de co-dirigir o longa-metragem Aikewara, a Ressureição de Um Povo (2017) e o curta documental, O Vento das Palavras (1999), Vencedor do Prêmio do Júri Popular e Melhor Argumento da Jornada Maranhense de Cinema. Célia encontra, ainda, tempo para formar novas gerações de cineastas promovendo oficinas de Audiovisual para realizadores indígenas no Pará e na Bahia.
A exibição de seu filme-manifesto na capital paulista fará parte da programação da Virada Cultural Indigena, promovida pela ACÓ – Aliança de Coletivos Originários, nos dias 20 e 21 de junho, um mês no qual diversos povos indígenas comemoram a chegada de um novo ano, marcada por fenômenos naturais, astronômicos ou climáticos, como: o nascer helíaco da constelação das Plêiades; o solstício de inverno no hemisfério sul; a migração austral dos pássaros para a Amazônia; e o início do “Verão Amazônico”, a temporada de estiagem na maior floresta tropical do mundo.

“Nosso filme é parte de uma campanha nacional pelo aprimoramento do Estatuto da Igualdade Racial e da Lei de Cotas, com o objetivo de superar a completa ausência de políticas públicas voltadas à população indígena em contexto urbano”, pontua Porakê Munduruku, roteirista do curta-metragem que estará representando a equipe responsável pelo filme na roda de conversa que se seguirá a exibição, uma vez que a diretora, Célia Maracajá, estará participando da Mostra Cinema Indígena e Povos Tradicionais do 27º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), em Goiás, onde Quem Quer? também será uma das atrações.
Serviço:
Filme: Quem Quer?
Direção: Célia Maracajá
Roteiro: Porakê Munduruku
Classificação: Livre
Entrada: Gratuita
Data: 21/06 (domingo)
Horário: 17h
Local: Teatro Flávio Império (Rua Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaiba, São Paulo – SP, CEP 03721-010).
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