A luta dos servidores de Taubaté-SP contra as políticas neoliberais do prefeito Sérgio Victor


Publicado em: 1 de junho de 2026

Paulo Duque, de Taubaté (SP)

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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Para além de figuras como a grávida e o conservadorismo de direita, característico dos interiores do Vale do Paraíba, Taubaté é uma cidade de luta e resistência. Historicamente marcada pelos períodos da produção cafeeira e da industrialização do país, a cidade tem enfrentado sucessivas gestões municipais que aprofundam a dívida municipal, precarizam o serviço público e desvalorizam o funcionalismo.

Diante do cenário de eleições mais à direita em 2024, a população elegeu como prefeito Sérgio Victor, do Partido Novo, acreditando nas garantias de uma gestão mais moderna, mais alinhada ao empresariado municipal e que lide com as dívidas da prefeitura, contra o candidato Ortiz Júnior, que já havia sido prefeito em dois mandatos, particularmente rejeitado pelo funcionalismo público municipal.

Uma das primeiras iniciativas da gestão do Novo já apontava como seria o desenvolvimento dos próximos quatro anos do mandato: um plano de contingenciamento que previa um corte de 30% nas secretarias do município, precarizando particularmente os serviços oferecidos na Saúde e na Educação, além de revogar os concursos públicos em aberto e impor um teto de gastos.

Seu governo tem se caracterizado por uma agenda neoliberal voltada à redução de direitos e à precarização do serviço público. Desde o início do mandato, tem realizado uma série de ataques contra os adicionais de risco dos servidores, bem como o ajuste fiscal e a priorização de interesses empresariais. Em vez de apresentar saídas para a crise financeira que o município apresenta, faz com que os servidores municipais, que estão à frente do atendimento à população, estejam à mercê de uma lógica de desvalorização e retirada de direitos, transferindo o peso da crise para trabalhadores e população usuária dos serviços municipais. A gestão municipal mescla promessas de gestão técnica com um marketing de inovação, mas mantém pouca disposição para diálogo, decisões que favorecem cortes de gastos e terceirização, e problemas na condução de serviços essenciais, particularmente na saúde, na educação e nos serviços de manutenção.

Nesse ínterim, acontece a eleição para o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Taubaté (Sindserv Taubaté) no final de 2025. A situação do sindicato é precária devido a anos de gestões que estiveram alinhadas aos prefeitos e não travaram a luta pela garantia dos direitos dos servidores, bem como deixaram dívidas e processos milionários. A nova diretoria está em uma sede provisória emprestada de outro sindicato, suas contas estão bloqueadas e tenta trazer novamente os servidores para se associarem.

Em abril de 2026, o Sindserv Taubaté começa a construção da campanha salarial de 2026, realizando plenária e assembleia para discutir e aprovar a pauta da negociação com a prefeitura. Os servidores exigem reajuste salarial de 9,43% (não concedido pela atual gestão desde 2025, bem como diante de uma defasagem de mais de 22% apenas nos últimos 5 anos), reajuste do Vale-Alimentação, a implementação do Vale-Transporte, um plano de recomposição das perdas salariais, o fim do confisco das aposentarias, o reestabelecimento dos adicionais de risco (Insalubridade, Periculosidade e Risco de Vida), este último impactando quase metade do funcionalismo. Também reivindicaram pautas sociais, como o fim do assédio moral, fornecimento adequado de EPIs e a realização de concurso público.

Na primeira mesa de negociação, a prefeitura acatou todas as pautas sociais, mas não apresentou nenhuma proposta na pauta econômica. O prefeito e seus secretários se mostraram impassíveis, dando a desculpa de que não poderia aplicar a pauta econômica devido à dívida do CAF, apesar de ter aumentado o IPTU em mais de 50%, ter criado uma taxa de lixo e um superávit de mais de R$ 47 milhões. Em assembleia, a categoria aprovou o Estado de Greve. Em uma segunda mesa de negociação, a prefeitura chamou novamente o sindicato para informar que mantinha a mesma proposta: nenhuma, com uma promessa de nova mesa de negociação para o final de julho de 2026, quando a prefeitura iniciaria os estudos para a implementação da pauta econômica. Diante da falta de respeito e da frustração, a categoria votou, em nova assembleia, pela deflagração da greve a partir de 2 de junho.

Com um sindicato combativo e fortalecido, os servidores municipais de Taubaté voltam às ruas. Não é a primeira vez. Não será a última. Quem trabalha no chão da prefeitura, na escola, no posto de saúde, nas ruas da cidade, sabe o que significa ser tratado como despesa. Sabe o peso de um superávit que não chega até quem produziu. Sabe a diferença entre uma gestão técnica e uma gestão que humilha. A mobilização dos servidores de Taubaté revela, assim, que a crise fiscal não é neutra nem inevitável; ela é administrada politicamente em favor de determinados projetos de cidade e os trabalhadores do serviço público municipal não são prioridade para a atual gesão.

Servidor forte, povo respeitado!
Taubaté vive, o servidor resiste!


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