O fim da escala 6×1 é a principal política de saúde mental que o Brasil pode ter
Publicado em: 14 de abril de 2026
Coluna Saúde Pública Resiste
Uma coluna coletiva, produzida por profissionais da saúde, pesquisadores e estudantes de várias partes do País, voltada ao acompanhamento e debate sobre os ataques contra o SUS e a saúde pública, bem como às lutas de resistência pelo direito à saúde. Inaugurada em 07 de abril de 2022, Dia Mundial de Luta pela Saúde.<br />
Ana Beatriz Valença: Enfermeira pela UFPE, doutoranda em Saúde Pública pela USP e militante do Afronte!;<br />
Jorge Henrique: Enfermeiro pela UFPI atuante no DF, especialista em saúde coletiva e mestre em Políticas Públicas pela Fiocruz, integrante da Coletiva SUS DF e presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal;<br />
Karine Afonseca: Enfermeira no DF e mestre em Saúde Coletiva pela UnB, integrante da Coletiva SUS DF e da Associação Brasileira de Enfermagem, seção DF;<br />
Lígia Maria: Enfermeira pela ESCS DF e mestre em Saúde Coletiva pela UnB. Também compõe a equipe do Programa de Interrupção Gestacional Prevista em Lei do DF;<br />
Marcos Filipe: Estudante de Medicina, membro da coordenação da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM), militante do Afronte! e integrante da Coletiva SUS DF;<br />
Rachel Euflauzino: Estudante de Terapia Ocupacional pela UFRJ e militante do Afronte!;<br />
Paulo Ribeiro: Técnico em Saúde Pública, mestre em Políticas Públicas e Formação Humana e doutorando em Serviço Social na UFRJ;<br />
Pedro Costa: Psicólogo e professor de Psicologia na Universidade de Brasília;
Coluna Saúde Pública Resiste
Saúde Pública resiste
Uma coluna coletiva, produzida por profissionais da saúde, pesquisadores e estudantes de várias partes do País, voltada ao acompanhamento e debate sobre os ataques contra o SUS e a saúde pública, bem como às lutas de resistência pelo direito à saúde. Inaugurada em 07 de abril de 2022, Dia Mundial de Luta pela Saúde.<br />
Ana Beatriz Valença: Enfermeira pela UFPE, doutoranda em Saúde Pública pela USP e militante do Afronte!;<br />
Jorge Henrique: Enfermeiro pela UFPI atuante no DF, especialista em saúde coletiva e mestre em Políticas Públicas pela Fiocruz, integrante da Coletiva SUS DF e presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal;<br />
Karine Afonseca: Enfermeira no DF e mestre em Saúde Coletiva pela UnB, integrante da Coletiva SUS DF e da Associação Brasileira de Enfermagem, seção DF;<br />
Lígia Maria: Enfermeira pela ESCS DF e mestre em Saúde Coletiva pela UnB. Também compõe a equipe do Programa de Interrupção Gestacional Prevista em Lei do DF;<br />
Marcos Filipe: Estudante de Medicina, membro da coordenação da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM), militante do Afronte! e integrante da Coletiva SUS DF;<br />
Rachel Euflauzino: Estudante de Terapia Ocupacional pela UFRJ e militante do Afronte!;<br />
Paulo Ribeiro: Técnico em Saúde Pública, mestre em Políticas Públicas e Formação Humana e doutorando em Serviço Social na UFRJ;<br />
Pedro Costa: Psicólogo e professor de Psicologia na Universidade de Brasília;
José Cruz/ Agência Brasil
Pedro Henrique Antunes da Costa
O presidente Lula enviou ao Congresso Nacional, nesta terça-feira, o projeto que acaba com a escala 6×1. Além disso, o documento está sendo encaminhado em regime de urgência constitucional, com objetivo de ter a sua tramitação acelerada, devendo ser votado em, no máximo, 45 dias na Câmara dos Deputados.
Pesquisas demonstram cada vez mais os impactos negativos da escala 6×1 na saúde e saúde mental dos/as trabalhadores/as brasileiros/as. A falta de descanso impossibilita a devida recuperação do/a trabalhador/a, retira tempo de descanso e de socialização. Não por acaso, crescem anualmente os números de pedidos de afastamento por questões de saúde mental, com a escala 6×1 e as altas jornadas de trabalho, bem como a falta de direitos, cumprindo papel decisivo no aumento do adoecimento e sofrimento psíquico da população brasileira.
A luta pelo tempo é, antes de tudo, uma luta pela vida e, por consequência, pela saúde mental. Em uma sociedade como a nossa, marcada por níveis cada vez maiores e condições intensificadas de exploração do trabalho, ter tempo livre significa poder descansar, cuidar de si e construir relações mais humanizadas e, nisso, mais saudáveis.
A luta pelo tempo é, antes de tudo, uma luta pela vida e, por consequência, pela saúde mental. Em uma sociedade como a nossa, marcada por níveis cada vez maiores e condições intensificadas de exploração do trabalho, ter tempo livre significa poder descansar, cuidar de si e construir relações mais humanizadas e, nisso, mais saudáveis. O fim da escala 6×1 é um passo fundamental para fortalecer as condições de vida e a saúde mental da população brasileira, considerando que saúde mental diz, antes de tudo, das condições de produção de vida; ou seja, em quais condições nos produzimos e como esta produção se expressa em termos de saúde mental.
De acordo com Ignacio Martín-Baró, importante psicólogo salvadorenho e formulador da Psicologia da Libertação:
“Se a base da saúde mental de um povo encontra-se na existência de relações humanizadoras, de vínculos coletivos nos quais e pelos quais se afirma a humanidade pessoal de cada um e não se nega a realidade de ninguém, então a construção de uma sociedade nova ou, pelo menos, melhor e mais justa, não é somente um problema econômico e político; é também, e por princípio, um problema de saúde mental” (em Guerra e Saúde Mental).
Eis porque o fim da escala 6×1 é um problema econômico, político e, por princípio e extensão, um problema de saúde mental.
Por conta disso tudo, e mais ainda uma série de motivos, é que se faz urgente acabar a escala 6×1. O fim da escala 6×1, sem redução salarial, e junto da redução da jornada de trabalho são as principais políticas que o nosso país e a classe trabalhadora podem ter em termos de saúde e saúde mental.
O presidente Lula já fez a parte dele. Cabe a nós intensificar a mobilização para que o projeto seja não só votado, mas aprovado.
A pressão está em cima do Congresso Nacional. Veremos quais deputados/as estão realmente a favor da classe trabalhadora. Quem, de fato, se preocupa com a saúde e a saúde mental do povo brasileiro, vota para acabar com a escala 6×1.
A pressão está em cima do Congresso Nacional. Veremos quais deputados/as estão realmente a favor da classe trabalhadora. Quem, de fato, se preocupa com a saúde e a saúde mental do povo brasileiro, vota para acabar com a escala 6×1.
Recentemente, no dia 06 de abril, completou-se 25 anos da Lei 10.216, a Lei da Reforma Psiquiátrica brasileira, que modificou significativamente a assistência em saúde mental. Em maio, entramos no Mês da Luta Antimanicomial. Nada melhor que celebrar, neste entremeio, o fim da escala que tem sido um dos principais obstáculos para a saúde mental do povo brasileiro.
Pelo fim da escala 6×1!









