No Kings – Milhões ocupam as ruas nos EUA. E depois?
Publicado em: 30 de março de 2026
Coluna José Carlos Miranda
José Carlos Miranda é ativista social desde 1981. Foi ferroviário e metalúrgico e faz parte da Coordenação Nacional do Semear, tendência interna do PSOL.
Coluna José Carlos Miranda
José Carlos Miranda
José Carlos Miranda é ativista social desde 1981. Foi ferroviário e metalúrgico e faz parte da Coordenação Nacional do Semear, tendência interna do PSOL.
Ventos alvissareiros vindos do Norte!
Neste sábado dia 28/3 eu acompanhei por quase todo dia as manifestações, foi transmitida ao vivo pela página dos organizadores e assisti a todos os discursos no Capitólio em St Paul Minnesota. Neste breve artigo trago algumas reflexões da dinâmica da luta de classes dos EUA.
O No Kings March III, foi reconhecido até pela mídia corporativa como o maior protesto em número de manifestantes nas ruas contra um presidente na história dos EUA, segundo os organizadores foram mais de 8 milhões em mais de 3.100 localidades em todos os 50 estados e mais em 16 países. No exterior houve massivas manifestações em Londres, Roma, Bruxelas, Valência e Madri na Espanha, Copenhagen, Tóquio entre outras cidades.
Nos EUA algumas manifestações chegaram às dezenas e até centenas de milhares como em Nova Iorque, Boston, Philadelphia, Chicago, Washington DC, San Diego, San Francisco e Mineápolis que foi o principal “meeting” em homenagem e honra a Renne Good e Alex Petti, ativistas do sociais assassinados a sangue frio por agentes do ICE, “… estamos aqui em honra de Renne Good e Alex Petti que sacrificaram suas vidas contra o autoritarismo…” disse o senador Bernie Sanders durante seu discurso em Saint Paul.
A coalizão organizadora do III No Kings é gigantesca e avança como uma força extraordinária que alcançou até redutos dos Republicanos como Alabama, Wyoming e Texas que realizaram mobilizações massivas.

A novidade desta vez foi o desenvolvimento do movimento “No Kings”, além do crescimento do número de manifestações e participantes, é a adição de palavras de ordem mais objetivas somadas ao slogan contra o autoritarismo do governo Trump, “NO ICE e NO WAR”, ou seja, está em curso uma contra tendência que ganha força após o aumento da brutalidade do ICE e o assassinato de Renne e Alex e os ataques de Trump e Israel iniciando uma guerra com o Irã, ressalto que a palavra de ordem “Não a Guerra” tem enorme relevância. E essa força atravessou o oceano e impulsionou massivos protestos na Europa, no último período somente o movimento Black Lives Matter tinha alcançado essa relevância.
No momento mais especial falariam as grandes lideranças políticas, sindicais, de organizações sociais e artistas como Joan Baez, Bruce Springten, Jane Fonda. Todos foram discursos emocionantes e que deram vários recados destaco alguns deles: do governador de Minesotta Tim Walz que foi candidato a vice na chapa de Kamala Harris em 2024 do Partido Democrata (DFL-Democratic Farmer Labor Party – Partido Democrático Trabalhista e Camponês) que protagonizou um dos momentos mais tensos, após os assassinatos de Renne Good e Alex Petti quando convocou a Guarda Nacional (Força de Segurança do Estado de Minesotta) para enfrentar o ICE (Polícia subordinada ao governo federal).
Vários “Representatives” também tomaram a palavra como a deputada muçulmana Ilhan Omar (Partido Democrata – Minesota), a Deputada Transexual Leigh Finke, Deputada indígena Sheley Buck e a vice governadora de Minesotta Peggy Flanagan.
O encerramento do ato ficou a cargo de 3 dirigentes sindicais que fazem parte da coalizão do III No Kings, a presidenta da central sindical AFL-CIO Liz Shuler, de Randi Weigarten Presidenta da Federação Nacional dos Professores e o discurso final foi de uma mulher negra a presidenta do Sindicato Internacional de Serviços April Verrett, estas últimas – Atenção – convocaram a próxima mobilização para o 1 de maio (nos EUA o dia do trabalho é comemorado na primeira segunda feira de setembro). Coincidentemente em várias manifestações era a chamada de várias seções do DAS (Socialistas Democráticos da América) nas manifestações deste sábado.
As espetaculares manifestações e protestos No Kings III já são um fato histórico e para além disso impulsiona a Frente Única para construção de uma Greve Geral no 1 de Maio, a única força política capaz de derrotar Trump e seu projeto neofascista é o poderoso proletariado dos EUA. Como declarou a coordenadora nacional e co-fundadora do Indivisible (uma das organizações fundadoras do No Kings) Ezra Levin em Minesotta: “…no 1 de maio nós diremos, Sem Trabalho, Sem Compras, Sem Aulas” e seguiu “…nós estamos construindo a coragem e o sacrifício demonstrados pelo povo de Minesotta…” em entrevista a Eric Blanc em 3/2/2026 @filmsforaction.

Como disse um velho comunista na minha juventude “não há nada fora da luta de classes”. Seguir acompanhando a dinâmica da luta de classes nos EUA que tem demonstrado o crescimento da força política que pode derrotar a extrema direita, a partir da resistência ao projeto de Trump e abrir caminho para uma mudança na atual correlação de forças, fiquemos muito atentos.
Referências:
www.nokings.org
www.filmsforaction.org
www.indivisible.org
www.youtube.com/live/KKnRODQDuTo?si=axUgfXi5lkappESc
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