Pular para o conteúdo
MOVIMENTO

Ao atacar o direito de greve, Metrô de SP provocou acidente grave e inédito

Toda a solidariedade ao trabalhador atropelado por uma composição, enquanto trabalhava em função diferente da sua, no “plano de contingência”

Camila Lisboa*, de São Paulo (SP)
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Um funcionário do plano de contingência do Metrô, que no dia 19, dia da greve metroviária, trabalhou operando trem (uma função que ele não exerce no dia a dia), foi atropelado e está internado na UTI em estado grave. Nesta sexta-feira, 21, ele passa por uma cirurgia ortopédica em função de uma lesão na clavícula.

O funcionário é supervisor de estação efoi atropelado na área de manobra dos trens da estação Luz, que fica no túnel. Trata-se de um acidente que envolve uma grave falha de comunicação entre o Centro de Controle e os funcionários que estavam operando os trens nessa área. Uma falha que nunca ocorreu, porque os funcionários que exercem essa função são capacitados, treinados e experientes para atuar nessas situações. O plano de contingência colocou funcionários sem experiência para exercerem funções que demandam conhecimento, atenção e experiência.

O Centro de Controle estava sendo operado também por funcionários da contingência, que não têm experiência, algo que coloca em risco também a população que usa o metrô, além dos funcionários que trabalham fora de suas funções.

O governo Doria e a Secretaria de Transportes são responsáveis por essa tragédia, porque apostaram no conflito e não na negociação. Isso ficou claro com a ausência da empresa na audiência de conciliação, intermediada pelo TRT no dia 18, um dia antes da greve.

Essa postura foi uma afronta ao metroviários, ao povo de São Paulo e à Justiça do Trabalho. Ao invés de negociar preferiram acionar um esquema de contingência que colocou em risco a vida dos funcionários e também da população.

O secretário Alexandre Baldy preferiu dar entrevistas agressivas e mentirosas contra os metroviários. Ele estava dentro do Centro de Controle Operacional no dia da greve, se responsabilizando com o plano de contingência criminoso que deixou um funcionário entre a vida e a morte.

Nesse momento, precisamos torcer pela vida do colega. João Doria e Alexandre Baldy devem ser responsabilizados civil e criminalmente pelos atos cometidos. Por pressionarem por um plano de contingência que quase custou a vida de um funcionário.

No âmbito trabalhista, devem ser impedidos de utilizar a prática da contingência, que atenta contra um direito constitucional: o direito de greve. A ditadura já acabou e com a abertura democrática, os trabalhadores conquistaram o direito de greve.

*Coordenadora-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.