Ritmo de crescimento das mortes no Brasil estabiliza em patamar elevadíssimo


Publicado em: 5 de maio de 2020

Gilberto Calil

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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O quadro reúne os dados dos 15 países com maior número de mortes registradas. O cálculo do ritmo de expansão é feito pelo número de mortos, já que o patamar de subnotificação dos casos no Brasil torna precária a comparação da evolução do número total de casos. Entendemos que o cálculo do ritmo de crescimento é mais revelador do que os números absolutos, tendo em vista que a expansão do Covid-19 se iniciou em momentos diferentes, o que é indicado na última coluna.

O ritmo de crescimento mundial vem diminuindo de forma consistente. Há duas semanas era de 2.47 vezes e agora é de 1.46, uma redução muito significativa e que comprova os efeitos positivos das medidas de contenção através de política de isolamento social adotadas de forma rigorosa em muitos países.

Em relação ao quadro de dois dias atrás, todos os países tiveram diminuição do ritmo de crescimento, mas a menor delas foi a do Brasil, de 2.86x para 2.84x, o que indica uma estabilização do patamar de crescimento em níveis altíssimos. Dentre os 15 países com mais mortes, 12 tem hoje um crescimento abaixo de 60% no período de 14 dias, o que expressa uma tendência de diminuição de casos ativos. Quanto aos demais, o Canadá teve um crescimento de 110% das mortes em duas semanas, mas tende a reduzir este patamar, já que o crescimento de casos foi de 65%. Brasil e México tem a pior situação, com crescimento de 184% e 214% no número de mortes, agravado pelo fato de terem tido no mesmo período o maior ritmo de crescimento também do número de casos, respectivamente 166% e 184%, o que projeta uma diminuição muito pequena do ritmo de crescimento de mortes nos próximos dias. Além disto, são disparadamente os dois países com menor número de testes. O número de testes por milhão de habitantes que Brasil (1.597) e México (776) realizaram até o momento é inferior ao que vários outros países realizaram apenas nos últimos dois dias. Na relação entre testes realizados e resultados positivos, o Brasil tem números ainda pior (3.1 testes por resultado positivo, frente a 4 do México). O Irã tem 3.6 vezes mais testes por milhão de habitantes (5.769) que o Brasil e todos os demais países já passam de 10.000 testes por milhão.

O ritmo de crescimento do número de mortes no Brasil se estabiliza em um patamar muito elevado, sendo praticamente o dobro da média mundial já sendo o sétimo país com mais mortes, ultrapassando a Alemanha. No país, o número de mortes dobrou em 10 dias, enquanto no mundo levou 22 dias para isto, e o número de casos dobrou em 9,5 dias, enquanto no mundo levou 23.5 dias. Estamos no epicentro mundial da pandemia, junto com Estados Unidos e Reino Unido. O Brasil tem o segundo maior ritmo de crescimento de casos e de mortes, é o segundo país do mundo com maior número de pacientes internados em estado grave (16,8% do total mundial), e nos últimos dias, em números absolutos tem sido o terceiro do mundo em novos casos (depois de EUA e Rússia) e também em mortes (depois de EUA e Reino Unido).

Dentre os demais países, os Estados Unidos vêm diminuindo o ritmo de aumento das mortes, mas mantém número elevado de mortes diárias e também uma situação regionalmente muito desigual, mantendo-se com aproximadamente um terço do total de novos casos e do número de mortos do mundo. Itália e Espanha reduziram bastante o índice de aumento das mortes, mas ainda têm números elevados em razão da base alta que já tinham. Dividindo-se o período em duas semanas, temos que nos EUA o número médio de mortes por dia diminuiu levemente, de 1.991 para 1.875, na Espanha diminuiu de 301 para 272, na Itália diminuiu de 409 para 300, enquanto no Brasil saltou de 279 para 400, superando já Espanha e Itália.

Outros países que ainda tem menor número de casos e de mortes em números absolutos, vem tendo crescimento bastante superior à média mundial, com situação se agravando rapidamente. Dentre eles, tiveram crescimento do número de casos superior a 100% nos últimos 14 dias Bangladesh (3.44x), Equador (3.15x), Rússia (3.08x), Peru (2.9x), Bielorrússia (2.79x), Arábia Saudita (2.73x), Catar (2.69x), Gana (2.61x), Índia (2.5x) Paquistão (2.36x) e Ucrânia (2.16).

É urgente reduzir o ritmo de crescimento do número de casos e do número de mortes no Brasil, pois a manutenção destes índices projeta um cenário terrível. Se por hipótese considerarmos que este ritmo se mantenha-se o mesmo (2.84 vezes em 14 dias), o número de mortes no Brasil atingiria 20.854 em 18/5, 59.226 em 1º/5 e 168.201 em 15.6. Não se trata de uma previsão, mas de projeção do que ocorreria no caso de manutenção do atual ritmo. Portanto é urgente diminuir radicalmente os ritmos de contaminação, o que só é possível com medidas mais rigorosas de isolamento social e garantindo efetivas condições de sobrevivência aos mais precarizados. Um pequeno aumento ou uma pequena diminuição no percentual produz um grande efeito em cascata nos números em dois ou três ciclos, o que reforça a urgência do reforço das medidas protetivas.


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