Ocupa Tudo UFRJ: tirem as mãos da nossa universidade
Publicado em: 7 de novembro de 2016
Por: Pedro Silveira, do Rio de Janeiro, RJ
A reitoria, os campi da Praia Vermelha e da Faculdade Nacional de Direito (FND) da Universidade Federal do Rio de Janeiro são ocupados na noite desta segunda-feira (7) pelos estudantes. Estes somam-se aos estudantes do IFCS/IH, que ocupam seu prédio desde a última segunda-feira, à ocupação do Nupem UFRJ, em Macaé e ao movimento nacional de ocupações estudantis contra a PEC 241, que tramita no Senado como PEC 55.
Vivemos na ‘maior federal do país’ uma situação alarmante. Cerca de um mês atrás, o prédio da reitoria, responsável por abrigar uma dezena de cursos, pegou fogo. A volta às aulas, previstas para a próxima quarta-feira (9), será em um estado calamitoso do prédio em questão, com goteiras imensas, piso afundado e aulas nos corredores. Não é por menos que a assembleia geral dos estudantes aprovou ocupação do prédio da Reitoria.
Fato preocupante, parte do processo de escalada autoritária do regime, o reitor Roberto Leher através de sua conta no Facebook confirmou ter sido intimado pelo Ministério Público para prestar esclarecimentos sobre o evento “Em defesa dos direitos sociais, políticos e das conquistas democráticas no país” .
Não bastasse tudo isso, o assassinato de Diego, estudante de Arquitetura, morador do alojamento, negro, gay, poeta, ainda é uma ferida aberta na UFRJ. “A Noite”, nome com o qual Diego assinava seus poemas, foi brutalmente assassinada no dia 2 de julho, dentro do campus da Universidade na Ilha do Fundão, na mesma semana em que foi enviado um e-mail assinado pela ‘Juventude Revolucionária Liberal Brasileira’ ameaçando os moradores do alojamento, dizendo que eles iriam “começar por um certo aluno, que se diz minoria e oprimido por ser homossexual”. Os grupos de extrema-direita da UFRJ, que começam a sair do Facebook para botar a cara nas assembleias gerais contra qualquer iniciativa do movimento, insistem em cutucar essa ferida, como em um ‘mutirão de limpeza’ organizado pelo grupo UFRJ Livre, responsável por apagar um grafite em homenagem a Diego.
Apesar de todos os pesares, nosso movimento resiste. Com cinco campi ocupados, responsáveis por abrigar dezenas de cursos, entramos com tudo na luta contra a PEC 241/55 e podemos dar um passo significativo na construção de um campo político independente na nossa universidade. Precisamos paralisar as atividades acadêmicas com greve estudantil onde for possível, nos mobilizarmos para a grande paralisação nacional dessa sexta-feira (11) e ocupar nossos locais de ensino com debates, saraus, festas. Com pão e poesia. Vamos mostrar que a UFRJ não tem medo de ninguém, nem da extrema-direita universitária, nem do governo golpista e sua PEC de morte. Ocupa tudo!
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