A luta pelas Diretas e o futuro do Brasil

Neste domingo, 4 de junho, São Paulo foi palco de mais uma grande manifestação por eleições diretas, que reuniu artistas e movimentos sociais. O ato na capital paulista abriu mais uma semana em que se espera forte turbulência em Brasília.

Nesta terça-feira (6), começa o julgamento do TSE da chapa Dilma-Temer. A crise do governo Temer aumenta. Novos sinais de divisão da burguesia em relação ao seu governo acentuam a crise.

O Estado de São Paulo publicou, neste domingo, artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso onde esse aponta a gravidade da crise e coloca a hipótese de saída do seu partido do governo.

Neste domingo, o editorial da Folha de São Paulo divulgou posição explícita pela saída de Temer e flertou com a defesa das eleições diretas. É o primeiro veículo burguês a falar em diretas desde a abertura da crise política.

As organizações Globo, desde o estouro dos vazamentos dos irmãos Batista, vêm pedindo a renúncia de Temer.

A crise política abriu uma porta para o avanço da resistência da classe trabalhadora. A burguesia debate as suas saídas. Todas as frações discutem hipóteses de continuidade ou queda do governo nos marcos de manter o projeto das reformas. O grande tema que unifica o conjunto da burguesia brasileira é jogar nas costas dos trabalhadores e do povo a conta da crise econômica.

Um lado quer manter o atual sistema político e provar sua eficácia, através da aprovação das reformas. Outra fração burguesa quer uma reforma política profunda, luta por outro sistema político, mais moderno e eficaz, que seja capaz de oferecer mais estabilidade a longo prazo.

Todos até ontem estavam a favor de eleições indiretas e buscavam um acordo para a substituir Temer e aplicar as reformas.

Um elemento novo
O editorial da Folha de ontem sugere um movimento de uma fração da burguesia em direção às diretas. Obviamente que por ser uma pauta democrática a luta pelas diretas admite a unidade na ação. O acordo é pontual, a classe trabalhadora não tem nenhum interesse comum com este setor. Eles defendem diretas para aplicar as reformas.

Nós queremos diretas pelos direitos da classe trabalhadora. Diretas para derrotar a saída por cima, feita via Congresso Nacional. Diretas para exigir que os candidatos se posicionem se estão, ou não, favoráveis às reformas.  Nosso objetivo com as diretas é lutar pelo direito democrático de eleger o presidente e o Congresso, e também plebiscitar as reformas que, como todos sabemos, é odiada pela imensa maioria da população.

A luta por uma saída independente da classe trabalhadora
A classe trabalhadora deve buscar uma saída independente e de classe perante as frações burguesas que lutam entre si.

Não consideramos progressiva a operação lava jato e suas medidas bonapartistas. Os procuradores e juízes, embora com grande apoio dos setores médios urbanos, particularmente sua camada mais abastada, não representam um projeto alternativo de sociedade das camadas médias. Pelo contrário, são a base de massa de um projeto de uma fração da burguesia com ligações evidentes com o imperialismo, que busca uma reforma reacionária do sistema político brasileiro.

O combate à corrupção e aos partidos reformistas e burgueses não pode ser terceirizada pela classe trabalhadora para a burguesia e setores da alta classe média.

Nossa aposta estratégica neste mês de junho é incentivar o movimento de massas em ascensão no último período. Estamos vindo de mobilizações vitoriosas. Começamos com o 8 de março, (dia internacional da mulher), o 15 de março (ensaio da greve geral), 31 de março (dia nacional de luta), 28 de abril (greve geral) e 24 de maio (Ocupa Brasília).

O movimento de massas está em uma crescente. Devemos nos dedicar esse mês a construir uma nova greve geral. As direções majoritárias, especialmente o PT e a CUT devem jogar todo peso nesta greve. Nenhum acordo é possível, nem progressivo. Ao contrário, seria reacionário.

Essa greve geral deve questionar diretamente o governo Temer e as reformas. Além da saída majoritária da burguesia para a crise, as eleições indiretas.

Nesta segunda-feira, as centrais sindicais definiram pelo dia 30 de junho como data para a greve geral. Outra reunião importante ocorre em Brasília, que organizará uma grande campanha nacional pelas eleições diretas.

A melhor forma de conquistarmos nossa pauta, a derrubada de Temer e das reformas e as eleições diretas, é preparar a maior greve geral da história do Brasil. Junho promete ser inesquecível.

Frente de Esquerda: é urgente uma saída política sem conciliação de classe
Mais do que nunca é preciso construir uma Frente de Esquerda entre o PSOL, o PCB, o PSTU, o MTST, os movimentos sociais e as organizações políticas sem legalidade. Isso é decisivo porque já conhecemos o programa do PT e de Lula. Sem superar a conciliação de classe não será possível derrotar as reformas.

É hora de apresentar um programa de emergência para o Brasil, com coragem para enfrentar o poder econômico e os interesses do capital. É tempo de voltar a debater o não pagamento da dívida, a taxação das grandes fortunas, o confisco das empresas que roubaram o país e tantas outras medidas decisivas para construir uma saída para os trabalhadores e o povo no Brasil.

Foto: Imagem aérea do show pelas Diretas no Largo da Batata SP
Créditos: Coletivo Diretas Já SP

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