Protesto na Escola Estadual Monteiro de Carvalho, no Rio, pede fim do assassinato de jovens nas comunidades cariocas

Da Redação

Educadores e estudantes da Escola Estadual Monteiro de Carvalho, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, realizaram um protesto na manhã desta quarta-feira (18), em frente à unidade escolar, para denunciar a morte de jovens das comunidades da capital fluminense. Na última semana, o aluno do colégio, Wesley de Paula, de 15 anos, que cursava o 1º ano do Ensino Médio, foi assassinado em frente à casa onde morava no Morro do Fallet, no Rio Comprido, Região Central do Rio. Além dele, o amigo Davi Renan da Rocha, de 16 anos, também foi baleado e morreu. Apenas um terceiro adolescente sobreviveu aos tiros disparados contra eles. Alguns dias antes, a jovem Maria Eduarda perdeu a vida após ter sido baleada por policiais dentro da própria escola onde estudava e era atleta de basquete.

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Estudantes carregam cartaz com frase de Wesley

No protesto, estudantes carregaram faixas pedindo o fim da violência. O canto mais repetido pelos presentes na manifestação questionava o caráter militar nas forças de segurança. “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar”, foi entoado diversas vezes.

Um cartaz continha uma das frases de Wesley em uma das provas que realizou na escola: “A cada dia que passa, não podemos dar mole para a vida, pois vão (sic) ter novos obstáculos”, dizia.

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Cartazes denunciam morte de jovens

O Esquerda Online conversou com um dos funcionários da escola. Segundo ele, o adolescente era conhecido por ser um bom aluno. “Os educadores tinham Wesley como um aluno ‘boas notas’. E mesmo que fosse o contrário, nada justificaria esse grau de violência contra esses jovens. É uma dura realidade que precisa acabar imediatamente”, opinou.

Os profissionais de educação da Escola Estadual Monteiro de Carvalho escreveram uma carta emocionante sobre o caso. Divulgamos abaixo, na íntegra:

Mais um estudante de comunidade se torna vítima da violência armada. Desta vez foi o nosso aluno Wesley de Paula, integrante da turma 1002, do 1º ano do Ensino Médio. Wesley ainda iria completar 16 anos no próximo mês de maio.

Como manter a esperança nessa sociedade com a notícia do assassinato de um dos nossos melhores alunos? Como tolerar as ações do ódio genocida que está matando jovens, sobretudo, negros, um a um, todos os dias?

Quando vemos um menino de 15 anos morrer pelo simples fato de existir, como vamos convencer nossos alunos a remarem contra a maré, a estudar – como o Wesley estudava? Como vamos convencê-los a dar valor à vida quando sabemos que esta sociedade não lhes dá valor algum? Nos expliquem, como?

Somente nos meses de janeiro e fevereiro de 2017 foram mortos 182 jovens no Estado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro. 182 jovens mortos!!!

Questionamos a política de segurança pública que não protege todos os segmentos da população. Segurança pública é direito constitucional de todo cidadão brasileiro, independente da idade, da cor da pele, do endereço e da classe social.

Ficamos revoltados e indignados em ver nossos alunos desaparecerem desta forma violenta. Chega de balas certeiras contra vidas de jovens, negros, pobres e das comunidades.

Basta!!!
Profissionais da educação do Colégio Estadual Monteiro de Carvalho.

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