Sete dias para decidir o futuro do Brasil


Publicado em: 19 de outubro de 2026

Editorial Esquerda Online

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

Editorial Esquerda Online

Esquerda Online

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

Compartilhe:
Crédito Ricardo Stuckert
Ouça a Notícia:

O povo brasileiro, liderado pela juventude que foi às ruas já no dia seguinte ao primeiro turno, tem demonstrado que é possível derrotar o neofascismo nestas eleições. Respondendo ao resultado amargo do 4 de outubro, produto de uma subestimação do poder de fogo do bolsonarismo, milhões de pessoas têm se engajado nas ruas e redes sociais para impedir o retorno do neofascismo ao poder central e a recolonização imperialista pelos Estados Unidos.

Não é possível prever o resultado do próximo domingo. Mas a entrada em cena do movimento de massas – se organizando de grupos de pais e locais de moradia a locais de trabalho e estudo, participando de manifestações em grandes e pequenas cidades e disputando todos os votos ao alcance – tornou possível uma virada que antes parecia altamente improvável. A escala de milhões em ação e a nitidez dos objetivos políticos sugerem que o país vive hoje o maior levante de mobilizações pela esquerda desde o Fora Collor. Toda e qualquer pessoa que defenda a soberania nacional e a democracia tem o dever de participar e fortalecer o ascenso em curso, com todas suas energias, compromisso e dedicação, até o fechamento das urnas no dia 25. A vitória é possível, e nada é mais importante do que lutar para que se concretize.

O movimento de massas impôs um caminho

Até os 15 dias finais do primeiro turno havia prevalecido uma linha morna, de subestimação do bolsonarismo, que começou a ser revertida quando Lula partiu para a ofensiva com a proibição das bets. Pressionada pelos resultados, a campanha de Lula se reorientou após o primeiro turno. De um lado, com o rejuvenescimento da comunicação de campanha, apoiado na nova geração de parlamentares eleitos, e na centralização da mobilização digital por meio do WhatsApp, que produziu uma virada de chave na atuação nas redes com o Exército do Lula. De outro, a incidência das mobilizações de rua, as maiores da história em diversas cidades, abriu caminho para que Lula avançasse em uma série de medidas de interesse popular, como o perdão à dívida dos MEIs, o Pé-de-Meia universitário e a Tarifa Zero nos finais de semana.

O maior destaque, evidentemente, é o fim da escala 6×1. Depois de meses travada no Senado, e contra a oposição obstinada do bolsonarismo, essa vitória histórica da classe trabalhadora brasileira se tornou realidade pela pressão do ascenso das últimas semanas. As condições da disputa melhoraram. Combinando ruas e redes, é possível vencer.

A contraofensiva bolsonarista

O bolsonarismo tem respondido ao levante popular oferecendo uma prévia do que pode ser seu governo, caso vença: se apoiando em seus aliados no Judiciário para promover censura e perseguição a entidades sindicais e estudantis, e ataques ao direito de organização e às liberdades democráticas. Também tem ficado cada vez mais evidente a interferência dos Estados Unidos e Trump no processo eleitoral, com a Meta atuando de maneira explícita em favor do candidato bolsonarista. Flavio Bolsonaro é o candidato do fascismo e da subserviência ao império. Seus aliados são poderosos e não devem ser, em hipótese nenhuma, subestimados.

Mas é preciso notar que a resposta bolsonarista é, também, um reconhecimento do impacto da mobilização popular. Agora, estão dedicados a medir forças nas ruas, e possuem peso social para disputar também neste terreno. Devemos nos manter vigilantes aos movimentos da extrema-direita: eles preparam uma contraofensiva em todas as frentes para a última semana. Devemos estar preparados para respondê-la com uma ofensiva ainda superior

Mas é preciso notar que a resposta bolsonarista é, também, um reconhecimento do impacto da mobilização popular. Agora, estão dedicados a medir forças nas ruas, e possuem peso social para disputar também neste terreno. Devemos nos manter vigilantes aos movimentos da extrema-direita: eles preparam uma contraofensiva em todas as frentes para a última semana. Devemos estar preparados para respondê-la com uma ofensiva ainda superior. Os acontecimentos dos próximos sete dias reverberarão por anos na história brasileira e mundial.

Reta final

Não é exagero afirmar que nas eleições brasileiras se disputam os próximos anos do destino de toda a América Latina. Enfrentamos a maior potência militar do planeta e seu projeto de submissão e guerra aos povos do mundo. O povo brasileiro se levantou eresiste à ofensiva do imperialismo e do neofascismo. A mobilização e engajamento massivos das últimas semanas são o único caminho para vencer e, se não podemos prever o desfecho, as condições para uma vitória de proporções inéditas estão sendo reunidas. Independente do resultado, o acúmulo de forças na magnitude do que está em curso não se dissipará no domingo.

Assim, todas as forças populares e setores democráticos têm diante de si uma única tarefa nos próximos dias: trabalhar de maneira incansável pela vitória, que se tornou possível com a força do povo nas ruas e redes. Nada é mais importante do que apoiar e desenvolver, com todas nossas energias e em todas as frentes, o ascenso em curso.

Nos dias que faltam, cada voto já virado precisa ser relembrado e consolidado. Cada carona para o domingo deve ser organizada. Cada conversa pendente com indecisos ou com quem se absteve precisa ser feita. Mais importante: cada mobilização unitária, digital ou de rua, deve ser fortalecida. Cada demonstração de força tem o poder de arrastar multidões atrás de si.

Nos dias que faltam, cada voto já virado precisa ser relembrado e consolidado. Cada carona para o domingo deve ser organizada. Cada conversa pendente com indecisos ou com quem se absteve precisa ser feita. Mais importante: cada mobilização unitária, digital ou de rua, deve ser fortalecida. Cada demonstração de força tem o poder de arrastar multidões atrás de si.

O momento é decisivo e exige vigilância, unidade e, principalmente, ação contra os inimigos dos povos. A participação ativa das massas no processo eleitoral é a melhor arma contra o neofascismo. Tudo é possível quando o movimento de massas toma o destino nas mãos. Lutaremos sem reservas pela vitória do povo brasileiro.


Contribua com a Esquerda Online

Faça a sua contribuição