Derrotar Trump está em nossas mãos
Publicado em: 16 de agosto de 2026
Fernando Frazão/Agência Brasil
Hoje (16/08) começa a campanha oficial das eleições mais importantes para o Brasil desde a redemocratização. Nos próximos 49 dias o país será objeto de crescente pressão e intervenções diretas do imperialismo sob Trump, que busca criar justificativas para colocar em dúvida a legitimidade do processo eleitoral por meio da desinformação, da manipulação algorítmica, e de factoides para produzir a “narrativa” de que o Brasil é incapaz de governar a si próprio. O vídeo divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA na última semana não deixa margem para dúvidas: Trump quer acabar com a soberania dos países latino-americanos, e submeter o Brasil é seu objetivo estratégico. Derrotar Lula é hoje a máxima prioridade do imperialismo, e qualquer subestimação do perigo seria um erro fatal.
não é exagero caracterizar Trump como o adversário a ser derrotado nas eleições brasileiras. Flávio Bolsonaro é o representante direto do imperialismo no país, relação provada por sua participação na imposição do tarifaço e nos ataques ao pix
Nesse sentido, não é exagero caracterizar Trump como o adversário a ser derrotado nas eleições brasileiras. Flávio Bolsonaro é o representante direto do imperialismo no país, relação provada por sua participação na imposição do tarifaço e nos ataques ao pix. Suas dificuldades nos últimos meses apenas aprofundaram a subordinação direta a Trump e Marco Rubio, que passaram a lhe dar sustentação explícita ao intensificar os ataques à soberania brasileira, tentando enviar funcionários de seu governo para questionar nosso sistema eleitoral; organizando encontros com influenciadores bolsonaristas no consulado dos EUA; aliciando jornalistas para que dessem notícias contra Lula, oferecendo vistos estadunidenses como retribuição; suspendendo o visto da embaixadora brasileira para tentar obrigar o Brasil a aceitar um embaixador gusano e abertamente golpista.
Devemos nos preparar, portanto, para uma intensificação dos ataques de Trump, inclusive para além de medidas comerciais ou diplomáticas. A intervenção imperialista contra as eleições brasileiras já começou. Derrotá-la é não só necessário e decisivo, mas também plenamente possível.
É hora de concentrar esforços
A extrema-direita brasileira mantém suas reservas sociais e políticas preservadas, e pode tentar sublevar-se contra o resultado de outubro se confirmada sua derrota.
Toda a tática de Flavio Bolsonaro até aqui guarda coerência com a estratégia de Trump. O objetivo evidente é produzir manchetes que colaborem com a ideia de que sua candidatura é “perseguida”, que a “liberdade de expressão” neofascista é atacada no Brasil, que as urnas eleitorais são fraudadas, que Lula seria um autoritário e assim por diante – e parte da mídia corporativa compra sem dificuldades a linha dos “excessos” do STF. Tensionar as regras eleitorais ao limite será política recorrente da aliança Trump-Flavio Bolsonaro, que ademais conta com Nunes Marques, seu aliado, presidindo o TSE. A extrema-direita brasileira mantém suas reservas sociais e políticas preservadas, e pode tentar sublevar-se contra o resultado de outubro se confirmada sua derrota.
Mesmo com toda a pressão imperialista, Lula permanece à frente em todas as pesquisas – o que deve nos inspirar confiança, mas não euforia. A profunda fratura política que atravessa o país, resultado da massificação da extrema-direita perante as variadas angústias de um mundo em crise, de um lado; e o apoio da maior e mais agressiva potência militar da História, que já contribui para a recuperação de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto, de outro, indicam que o espaço para eleições tranquilas é pequeno. Com isso em vista, é dever de todo o povo brasileiro entregar à campanha o melhor de suas energias para consolidar a vitória de Lula, que é a vitória do direito do Brasil governar a si próprio.
A esquerda brasileira encontrou um caminho
Neste cenário, em que a tendência é uma eleição resolvida por pouco, a adoção de táticas corretas será decisiva. Se é verdade que Lula repete um programa de mediações com a burguesia, por outro lado os partidos de esquerda e movimentos sociais encontraram, ao longo dos últimos anos, um caminho para a recuperação da maioria social que nosso campo já teve no país. Trata-se da mobilização de eixos e bandeiras que têm maioria social para agrupar nossas forças e, inclusive, recuperar setores populares deslocados pelo bolsonarismo. Devemos vocalizar ideias que alimentam a esperança ao oferecerem ao povo a possibilidade concreta de uma vida melhor, com tempo para viver e dignidade para trabalhar. Este é o papel do PSOL.
A primeira dessas bandeiras, que deve ser erguida sem vacilações por nosso campo, é a do Brasil. Se anos atrás os símbolos nacionais foram sequestrados pelo bolsonarismo, desde o 7 de setembro de 2025, quando a extrema-direita decidiu comemorar a independência do Brasil com uma bandeira dos EUA e a esquerda com a brasileira, e mais ainda diante dos ataques de Trump, as forças populares se reencontraram com sua tarefa histórica de defender o país contra o imperialismo. A luta eleitoral de 2026 é a luta pela soberania do Brasil.
A luta contra a epidemia de feminicídios, contra a desigualdade salarial, contra a violência de gênero e contra o ódio às mulheres consolidaram inquestionável alcance de massas, a começar pela evidência óbvia de essas mazelas atingirem mais de 50% da população do país
Outro tema evidente é a defesa da vida das mulheres, que a extrema-direita tem reconhecida dificuldade de abordar. A luta contra a epidemia de feminicídios, contra a desigualdade salarial, contra a violência de gênero e contra o ódio às mulheres consolidaram inquestionável alcance de massas, a começar pela evidência óbvia de essas mazelas atingirem mais de 50% da população do país. Estas não são bandeiras setoriais: são do conjunto da classe trabalhadora e dos oprimidos. Elas são parte estruturante de qualquer política de esquerda e devem atravessar nossas propostas, da defesa da criminalização do ódio às mulheres a qualquer debate de projeto de país. Não há soberania nem democracia sem que as mulheres, negros e negras, indígenas e todos os setores oprimidos tenham direito à vida e à dignidade.
Depois de meses travado no Senado, o fim da escala 6×1 finalmente foi enviado à CCJ e pode avançar ainda neste ano. Essa é uma batalha exemplar: uma pauta histórica da classe trabalhadora, traduzida na defesa da vida além do trabalho, com amplíssimo apoio popular e que oferece a milhões de trabalhadores e trabalhadoras a perspectiva de uma melhora concreta e rápida em suas condições de vida. Lutar pela consolidação dessa vitória ainda durante o período eleitoral deve se manter na agenda prioritária de nossas campanhas.
Há ainda uma luta decisiva que segue na ordem do dia. Depois de meses travado no Senado, o fim da escala 6×1 finalmente foi enviado à CCJ e pode avançar ainda neste ano. Essa é uma batalha exemplar: uma pauta histórica da classe trabalhadora, traduzida na defesa da vida além do trabalho, com amplíssimo apoio popular e que oferece a milhões de trabalhadores e trabalhadoras a perspectiva de uma melhora concreta e rápida em suas condições de vida. Lutar pela consolidação dessa vitória ainda durante o período eleitoral deve se manter na agenda prioritária de nossas campanhas.

Evidentemente, estas e outras bandeiras e propostas que defenderemos nas eleições e depois delas ganham força quando conectadas à tarefa estratégica de derrotar o imperialismo. O combate às bets, verdadeiras lavanderias de dinheiro para o crime organizado e promotoras de endividamento e dependência para milhões de famílias, é um combate ao rentismo e à especulação financeira, que impedem a qualificação dos postos de trabalho e a reindustrialização do Brasil. Regulamentar as redes sociais, ferramentas ideológicas das big techs estadunidenses, é regulamentar a constante presença da propaganda imperialista nas telas dos celulares brasileiros. Nosso projeto soberano é o que coloca o bem-estar do povo em primeiro lugar.
Defender o Brasil na encruzilhada da História
É com a unidade das forças populares em torno de Lula e elegendo uma forte bancada da esquerda em todas as casas legislativas que poderemos derrotar a intervenção imperialista em curso. Desta vitória podemos construir um novo ciclo político para o Brasil.
Estamos diante de ameaças inéditas ao Brasil e ao povo brasileiro. Em outubro nosso país decidirá entre a recolonização e a autonomia, o fascismo ou a democracia, entre um futuro melhor e o retrocesso brutal. A esquerda brasileira tem se mostrado à altura de seus desafios históricos, e não faremos diferente em 2026. É com a unidade das forças populares em torno de Lula e elegendo uma forte bancada da esquerda em todas as casas legislativas que poderemos derrotar a intervenção imperialista em curso. Desta vitória podemos construir um novo ciclo político para o Brasil.
Isso depende de todos e todas nós, da nossa organização e da luta pela reconquista de maioria social. Você, que defende um Brasil soberano, a vida das mulheres, a classe trabalhadora e o povo brasileiro em geral – se engaje, participe das ações de campanhas, dialogue com seus vizinhos, amigos, familiares e companheiros de trabalho. Atue nas redes, nas ruas, contribua da maneira e com o tempo que puder. Mas lute em defesa do Brasil. Derrotar Donald Trump está em nossas mãos.
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