Batendo leque na cara de fascista: 5 anos da parada lgbtqia+ de Suzano
Publicado em: 29 de julho de 2026
A Parada LGBTQIA+ de Suzano é uma Parada de luta! Chegando em 2026 na sua 5a edição neste próximo dia 02 de Agosto, nosso movimento hoje já se consolida como referência entre as paradas da Grande São Paulo, figurando como a única grande manifestação política de rua da cidade há tantos anos, e irrefutavelmente a maior Parada de todo o Alto Tietê. Não é pra menos, uma vez que a força desse ato tem raízes e se sustenta, ao mesmo tempo, da organização política da Frente LGBTQIA+ de Suzano, movimento com ainda mais tempo de existência – o seu manifesto de lançamento foi publicado em 2020 -, bem como do retetê muito fundamental da cultura e fervo LGBT que significa o coletivo A Casa da João, que marca também história e trajetória na cena de Suzano. Erguida dessa força e dessa resistência, formuladas de forma organizada e muito bem articulada, nossa Parada não poderia deixar de tomar as ruas da cidade com orgulho e potências inconfundíveis, ano após ano.
Num ano como esse, em que a Parada LGBTQIA+ de São Paulo, a maior do mundo, tomou o debate nas redes e nas ruas por conta do contexto social que levou a uma diminuição de recursos e apoio de empresas, o caráter classista e de mobilização coletiva da Parada de Suzano merece ainda mais destaque. Desde o surgimento, a Parada enfrenta desgastes com uma prefeitura tomada pelo PL de Bolsonaro, de base explicitamente evangélica conservadora, tendo sido inclusive em algumas edições perseguida e judicializada pelo governo local visando o seu impedimento legal. A organização da Parada, no entanto, nunca diminuiu o tom ou deixou de demonstrar sua força na ação direta de tomada da rua, e nunca esmoreceu diante do desafio de formar um bonito e crescente movimento mesmo sem apoio institucional ou qualquer financiamento privado. Nossa manifestação propõe desde o seu início um aspecto de combatividade e marcada identidade classista e interseccional que se mantém a partir de uma afirmada disputa contra forças políticas da direita conservadora na região, sem nunca abaixar o tom ou mediar com perspectivas de enfraquecimento da luta, como as representadas pelo chamado “pinkmoney” que domina em outras experiências de Paradas no Brasil e no Mundo, muitas vezes abrindo mão de independência política em troca, por exemplo, do apoio de marcas.
Essa é uma formulação de central e essencial contribuição da Frente LGBTQIA+ de Suzano, onde militantes aguerridas têm construído há anos espaço para uma perspectiva de tomada de lado e de denúncia das desigualdades sociais, em uma cidade periférica e marcada por conflitos sociais que não poderiam estar longe da discussão do movimento das dissidências sexuais e de gênero. Esse ano o lema da Parada chama atenção para o fortalecimento da democracia, evocando o voto LGBTQIA+ e a ocupação da política como caminho, mais ainda pontuando explicitamente o porquê de sair às ruas: “Pelo que falta para o trabalhador”. Esse chamado demarca as irresponsabilidades e insuficiências de uma gestão do poder público negligente com as demandas populares, fazendo da Parada veículo de uma denúncia que vêm evidenciar o que significa o poder na mão do PL na vida das pessoas comuns. Acima de tudo, chama a atenção para a população em geral de que o movimento LGBTQIA+ também levanta todas as suas bandeiras: se falta saúde para a população como um todo, certamente há insuficiência no tratamento específico LGBTQIA+; se a demanda por educação não alcança o povo, também sofrem as LGBTs com a exclusão e falta de esturutura; se há um problema na segurança pública da cidade atingindo a todos, entendemos porque casos de espancamentos homofóbicos e transfeminicídios são abafados sem investigação correta. Numa cidade em que não há dados oficiais, nem orçamento dedicado e nem política pública proposta para a população LGBTQIA+, assim como não há para as mulheres, a Parada torna-se também um movimento político necessário para toda a cidade.
Essa tradição de luta é algo que ecoa desde outras edições da Parada, a exemplo do ano passado em que as LGBTQIA+ de Suzano já levantavam com força a pauta contrária à Jornada 6×1, com o tema “A revolta é periférica: Trabalhar menos, trabalhar todes, produzir o necessário, redistribuir tudo”, pauta que avançou no Congresso parcialmente esse ano. Fica evidente a centralidade de movimentos LGBTQIA+ pautados na tradição classista como força política de ocupação urbana, e os frutos que essa tomada de lado pode ter na construção de trincheiras para a luta social nos territórios: não por acaso foi um pilar de apoio para que a Bancada Feminista de Suzano tenha sido a candidatura de mulheres mais bem votada na cidade no último pleito em 2024, buscando efetivas melhorias para a população e um programa de políticas públicas essenciais. A presença e apoio de figuras como Carolina Iara da Bancada Feminista e Guilherme Cortez, ambos deputados da ALESP, reforçam esse aspecto do movimento em Suzano, não deixando dúvidas para o caminho que se constrói aqui: que o movimento LGBTQIA+ se afirma parte da luta dos oprimidos e da classe, e que portanto tem lado! Essas afirmações se completam na manutenção e garantia do Ato Político da Parada, nos debates do Festival da Diversidade que a antecedem, nas construções cotidianas da Frente na cidade e articulada na região, na reivindicação de presença transvestigênere nessa coletividade sempre que possível, na afirmação de que a identidade de Suzano é também negra, nordestina, LGBTQIA+… Não deixamos espaço para dúvida, nossa cidade é palco de luta!
Em Suzano, afirmamos e anunciamos: a importância de estar organizado e dos movimentos que fazem enfrentamento é incontornável. Essa é a saída, e sempre conseguimos fazer isso diante das dificuldades. A coletividade LGBTQIA+ é nossa força contra as políticas conservadoras no poder, seja em Suzano ou onde for no Brasil. Não retrocedemos, e vamos às ruas também pra bater leque na cara de facista! Dia 02 estaremos nas ruas, e avante!
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