Peru: eleição presidencial vive momento decisivo

Keiko não! Eleger Sánchez para derrotar a extrema direita. 2º. turno já é neste domingo, 7 de junho. 


Publicado em: 5 de junho de 2026

André Freire, do Rio de Janeiro (RJ)

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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As eleições presidenciais do Peru chegam ao seu momento decisivo. No próximo domingo, 7 de junho, os peruanos escolherão, em segundo turno, entre Keiko Fujimori, do partido de extrema direita Força Popular; e Roberto Sánchez, do partido de esquerda Juntos pelo Peru, em uma disputa marcada por uma grande polarização política, social e territorial.

Lembrando que, no primeiro turno, realizado no dia 12 de abril passado, concorreram um número recorde de 35 candidatos, numa incrível pulverização de forças políticas. Keiko passou em primeiro lugar, mas com apenas 17,2% dos votos; enquanto Sánchez obteve 12%, apenas 0,1% dos votos à frente de Rafael Aliaga, ex-prefeito de Lima e outro político de extrema direita.

As pesquisas que medem a disputa no segundo turno, divulgadas nas últimas semanas, mostram uma corrida extremamente equilibrada e acirrada. Levantamentos anteriores apontavam Keiko com intenções de votos entre 38% e 39,8%, contra 35% a 35,9% de Sánchez, com um elevado contingente de indecisos, votos brancos e nulos (chegando a superar um quarto dos entrevistados).

Em uma mudança parcial de cenário, uma pesquisa Ipsos divulgada agora na reta final da campanha, na última quinta-feira, registrou um empate técnico, mas com Sánchez à frente: 43,8% para Sánchez e 43,2% para Keiko. A conclusão é simples: o resultado permanece totalmente em aberto.

A disputa também revela profundas divisões ideológicas. Keiko Fujimori busca chegar à Presidência pela quarta vez e carrega o peso político do sobrenome de seu pai, o ex-presidente e ditador Alberto Fujimori. Seus apoiadores destacam a defesa da estabilidade econômica e do combate à criminalidade, enquanto seus críticos apontam a herança autoritária do fujimorismo e sua proximidade com as pautas da extrema direita.

Do outro lado, Roberto Sánchez tornou-se a principal referência da esquerda peruana nesta eleição. Aliado político do ex-presidente Pedro Castillo, Sánchez procura apresentar-se como defensor de reformas sociais, aumento do salário mínimo, mudanças institucionais e maior participação do Estado em áreas estratégicas da economia. No último comício da sua campanha, Sánchez reafirmou a proposta de conceder indulto a Castillo, um verdadeiro preso político.

O país também está dividido geograficamente. Keiko mantém força na Capital Lima e em setores urbanos de renda mais alta, enquanto Sánchez encontra apoio significativo em regiões rurais, indígenas, camponesas e áreas ligadas à pequena mineração. Essa divisão territorial ajuda a explicar o equilíbrio da disputa e a dificuldade de prever o resultado final.

Independentemente do resultado, a eleição de 2026 já ocupa lugar de destaque na história política recente do Peru. Depois de anos de instabilidade institucional e sucessivas crises presidenciais, o país volta às urnas profundamente dividido. O vencedor herdará o desafio de governar uma sociedade polarizada e reconstruir a confiança nas instituições democráticas.

O voto em Sánchez é o único caminho para derrotar Keiko e a extrema direita

A reta final da campanha foi marcada ainda por grandes mobilizações contrárias à candidatura de Keiko Fujimori. No dia 30 de maio, organizações estudantis, movimentos sociais, entidades de direitos humanos e coletivos cidadãos realizaram manifestações em Lima e em diversas cidades do país sob o lema “Keiko no”, reforçando a rejeição ao retorno do fujimorismo ao poder. Keiko é a mais rejeitada nas pesquisas de opinião realizadas até agora.

Outro elemento importante é a reorganização das forças derrotadas no primeiro turno. Diversos setores progressistas, de centro-esquerda e movimentos sociais passaram a defender a formação de uma ampla frente para impedir a vitória do fujimorismo, enquanto partidos conservadores, de direita e extrema dirieita, como próprio Aliaga, se aproximaram da candidatura de Keiko. A disputa pelos eleitores dos candidatos eliminados tornou-se um dos fatores centrais da campanha.

O voto em Sánchez é o único caminho possível para derrotar a extrema direita dentro do Peru, o fujimorismo em especial, e o trumpismo na América Latina, elegendo um governo independente do imperialismo estadunidense, que se propõe a combater as grandes injustiças sociais presentes na sociedade peruana e defender as liberdades democráticas.

O voto em Sánchez é o único caminho possível para derrotar a extrema direita dentro do Peru, o fujimorismo em especial, e o trumpismo na América Latina, elegendo um governo independente do imperialismo estadunidense, que se propõe a combater as grandes injustiças sociais presentes na sociedade peruana e defender as liberdades democráticas.


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