Hungria: Putin e Trump unidos em defesa do fascismo
Publicado em: 9 de abril de 2026
A Hungria é parte da OTAN e da União Europeia. Tendo sido um Estado Socialista, entre 1945 até 1989. Em 1968 a União Soviética invadiu o país para sufocar as manifestações democráticas contrárias ao stalinismo. O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, está no poder desde 2010. No dia 12 de abril de 2026 ocorrerá uma nova eleição. As pesquisas indicam que pode ser que Orbán perca tais eleições. Tais eleições são extremamente relevantes, nelas movem-se peças importantes do tabuleiro mundial.
Em 2019, Orban declarou sobre Bolsonaro que: “A definição mais adequada de democracia cristã moderna pode ser encontrada no Brasil, não na Europa.” Jair Bolsonaro, em 2022, quando ainda era presidente do Brasil, visitou a Hungria e declarou que Orbán seria como se fosse um “irmão”. Declarando: “Comungamos a defesa da família com muita ênfase, uma família bem estruturada faz com que a sua respectiva sociedade seja sadia, e não devemos perder esse foco” Fazendo referência às leis homofóbicas que Orbán impôs na Hungria. Posteriormente, em 2024, Bolsonaro passou o carnaval escondido na embaixada da Hungria em Brasília, por medo de ser preso. Como uma possível rota de fuga.
Ao longo dos 16 anos no governo Viktor Orban modificou muito as instituições da Hungria, impondo um regime em vários aspectos bonapartista. Passando a controlar totalmente a mídia. Tendo uma política interna de incentivo à xenofobia, com combate aos imigrantes. Declarando que pretende “Re-Cristianizar” a Hungria, bem como evitar que o país se torne “multi-racial”. Ao mesmo tempo é muito próximo de Israel, e Benjamin Netanyahu, também é abertamente antissemita. Adotando políticas homofóbicas de modo institucionalizado. Modificando o mapa dos distritos, por meio da chamada “gerrymandering”. Ou seja, há uma distorção entre os votos e o número de eleitos de fato. Desde 2011 modificou o Poder Judiciário para ter o controle das instituições.
O partido de Orban, o Fidesz, atualmente conta com 54% do parlamento. Mas as pesquisas indicam que, nas projeções para domingo, deverá atingir apenas 39% dos votos. O partido de oposição Tisza tem cerca de 50% das intenções de votos. Sendo liderado por Péter Magyar. Uma curiosidade é que na língua húngara Magyar quer dizer exatamente o nome da nacionalidade, sendo uma das poucas línguas da Europa fora do tronco indo-europeu. Magyar é um ex-militante do Fidesz, sua esposa foi ministra da Justiça de Orbán. A oposição tem realizado protestos massivos contra o governo.
Orban acusa a oposição de ser controlada pela União Europeia. Faz um alarde que caso não seja reeleito vai ocorrer a 3ª Guerra Mundial. De fato, a oposição tem uma alinhamento com o imperialismo Europeu. Sequer se poderia dizer que seria uma oposição de centro. O perfil da oposição é o liberalismo burguês, de direita, contra um governo fascista, de extrema direita. Neste contexto, a derrota de Orbán é uma vitória da democracia. Não por qualquer ilusão em sua oposição.
Nesta última semana, Trump enviou para a Hungria o seu vice-Presidente, JD Vance, para fazer campanha para Orban. Exercendo influência direta nas eleições do país. Fazendo discursos, atacando a União Europeia. Ao mesmo tempo em que Trump sinaliza o rompimento do imperialismo dos EUA com a Europa.
Por outro lado, o envolvimento de Putin é explícito. O ministro russo Sergei Lavrov chegou a ser gravado em conversas com os ministros de Orban, recebendo informações. Sendo explícita a interferência russa nas eleições da Hungria. “A questão não é tanto a interferência secreta da Rússia, mas sim a cooperação aberta da Rússia com as nossas autoridades em mensagens anti-ucranianas, cooperação energética e hostilidade à União Europeia”, disse Peter Kreko, diretor da Political Capital, um grupo de pesquisa em Budapeste que estuda as ligações do Sr. Orban com o Kremlin. Tendo havido supostas ameaças a vida de Orban, supostos atentados terroristas, tudo com uma aparência de operações “bandeira falsa” (false flag). Ao mesmo tempo em que Orban diz que o “globalismo” está o atacando. A Hungria é parte essencial da estratégia russa, até por sua localização geográfica, que faz fronteira com a Ucrânia, com os países dos Balcãs, como a Sérvia, que também tem influência russa. Sendo um ponto estratégico para os delírios czaristas de Putin.
A grande aliança de Trump e Putin em defesa do fascismo no mundo fica explícita nesta eleição da Hungria. Havendo uma reorganização dos blocos imperialistas. Uma derrota de Orban poderá ser um símbolo importante para a derrota deste bloco fascista apoiado por Trump e Putin. O que poderá ser um primeiro passo para a abertura de novos ventos democráticos no país.Portanto, as eleições de domingo merecem atenção. Bem como acompanhar os seus desdobramentos. Para nada está garantido que Orban vá perder e entregar com facilidade. Podendo seguir o exemplo de Trump e Bolsonaro, se for o caso, que tenha o destino do segundo.
Bruno Alves é da Secretaria Internacional do Semear
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