Quais são as quatro principais ditaduras de estimação dos EUA
Conheça quatro das principais ditaduras de estimação dos EUA, todas consideradas "parceiras estratégicas", apesar de colecionarem violações aos direitos humanos, violência política, além de censura à imprensa
Publicado em: 3 de março de 2026
Trump começou o ano de 2026 lançando dois ataques militares graves. Em janeiro, em uma operação militar relâmpago, invadiu Caracas e sequestrou o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Já no final de fevereiro, no último dia 27, lançou um ataque aéreo em Teerã, capital do Irã, que resultou na morte de mais de 200 meninas, todas em uma escola, além de parte do alto escalão político e militar do país, a começar pelo líder Supremo iraniano, Ali Khamenei.
Ao mesmo tempo, Trump vem ameaçando fazer o mesmo em Cuba, enquanto enrijece ainda mais o perverso bloqueio ao país caribenho.
Por trás destes três ataques, a Casa Branca vem agitando um discurso cínico para justificá-los: Trump estaria, supostamente, combatendo ditaduras sanguinárias e terroristas, ao mesmo tempo que estaria libertando venezuelanos, iranianos e cubanos.
Nada mais absolutamente falso!
A história está farta de exemplos, como Iraque e Afeganistão, para ficar em dois casos recentes, de que não há nada de humanitário nos ataques militares dos EUA. Em cada uma dessas invasões, milhares de civis afegãos e iraquianos experimentaram dias de terror, com o bombardeio aéreo de suas cidades (incluindo aí toda a infraestrutura civil, ou seja, casas, escolas hospitais, comércios, etc), contaminação de fontes hídricas, destruição de plantações, saque de riquezas locais, etc
enquanto brinca de polícia do mundo, ameaçando e atacando países de forma completamente impune, sob o verniz demagógico do “combate a regimes tirânicos e ao terrrismo”, Trump mantém relações para lá de cordiais com quatro países cujos governos e regimes são abertamente autoritários, ditatoriais e sanguinários,
E mais. Na verdade, enquanto brinca de polícia do mundo, ameaçando e atacando países de forma completamente impune, sob o verniz demagógico do “combate a regimes tirânicos e ao terrrismo”, Trump mantém relações para lá de cordiais com quatro países cujos governos e regimes são abertamente autoritários, ditatoriais e sanguinários, sem que isso represente qualquer motivo para discursos escandalosos para a imprensa local ou mesmo bravatas no X (antigo Twitter). Conheça quais são esses países
Egito

No passado o Egito foi a capital do nacionalismo pan-árabe, uma corrente política de natureza marcadamente anti-imperialista e antissionista, inimiga declarada de Israel, com quem entrou em guerra diversas vezes. Não por acaso o Egito foi, nesse período, um refúgio para os diversos grupos armados palestinos em luta contra Israel, como a lendária Organização para a Libertação da Palestina, liderada pelo um guerrilheiro egípicio-palestino Yasser Arafat.
Contudo, a corrente nacionalista pan-árabe entrou em decadência política e, desde a década de 80, o Egito vive sob o jugo de uma ditadura controlada com mão de ferro pelo exército.
As primeiras três décadas desta ditadura foram encabeçadas pelo general Hosni Mubarak. Em 2011 o Egito mergulha em uma crise, Mubarak é afastado e, em 2012 assume o civil, Mohamed Morsi. Contudo, no ano seguinte, Morsi é derrubado e volta ao governo outro general, Al Sisi (foto), no marco de um golpe de estado e de um verdadeiro banho de sangue contra a oposição, particularmente, contra a Irmandade Muçulmana.
Ou seja, só Al Sisi está há nada menos que 12 anos no poder, no marco de uma ditadura que já vigora desde os anos 80.
Aliado de primeira hora de Israel e dos EUA, Sisi é odiado pelos palestinos, particularmente os de Gaza, que têm dificuldades de conseguir refúgio no país, haja vista que Sisi adota uma política rígida de fechamento de suas fronteiras aos palestinos.
Sisi coleciona não poucas acusações de tentar perpetuar-se no poder através de fraude, repressão e prisão de adversários.
Porém, nada disso impede de ser recebido na Casa Branca.
Arábia Saudita
Desde que foi unificada em 1932, a Arabia saudita é uma monarquia, governada pela Casa de Saud.
O atual rei, Salman bin Abdulaziz Al Saud, governa o país com mão de ferro desde 2015.
Um dos casos mais chocantes envolvendo a monarquia aliada dos EUA ocorreu em 2018, quando Jamal Khashoggi (foto), colunista do The Washington Post e crítico do governo saudita, desapareceu após entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul, Turquia.
Em investigações posteriores, incluindo áudios obtidos pela inteligência turca, descobriu-se que ele foi sequestrado por um “esquadrão da morte” enviado pela monarquia saudita, assassinado, desmembrado e dissolvido em ácido.
Bahrein

No Bahrein vigora uma monarquia absolutista comandada pela família Al Khalifa desde o século XVIII.
O Xeque Hamad bin Isa Al Khalifa é o atual rei, que concentra amplos poderes e prerrogativas como o de chefe de estado e a responsabilidade de nomear o primeiro-ministro e ministros.
Só em 2002, o Bahrein tornou-se uma monarquia constitucional, com algumas reformas democráticas.
Sobre o rei pesam acusações de perseguição, repressão, tortura, condenação injusta de adversários, corrupção e abuso de poder.
Mas nada que impeça uma profunda relação comercial e diplomática com os EUA em várias áreas.
Síria

Ahmed al-Sharaa não chega a ser propriamente um ditador. Ainda. Contudo, para além da definição acadêmica, sua trajetória política é tenebrosa.
Durante a guerra civil, foi vinculado ao grupo terrorista Al-Qaeda e teve sua cabeça colocada a prêmio pelos EUA, sendo alvo de uma recompensa de US$10 milhões, para quem o capturasse.
Após tomar Damasco e apoderar-se do poder na Síria, no marco da guerra civil que devastou o país árabe, al-Sharaa foi nomeado presidente em 2025.
Ao fim da guerra civil, resolveu curvar-se aos EUA, convertendo-se no mais novo pupilo de Trump, que já o recebeu na Casa Branca.
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