Pular para o conteúdo
Colunas

Dia do “Cobrimento do Brasil”, dia da terra

http://xinguunb.blogspot.com/

Aldeia e povo Kuikuro, Parque Nacional do Xingu

Chico Alencar

Chico Alencar é professor de História graduado pela UFF, mestre em Educação pela FGV e, atualmente, integra o projeto Universidade da Cidadania, da UFRJ. Tem 27 anos de experiência na política institucional: foi deputado federal por quatro legislaturas, deputado estadual e vereador no Rio. Ganhou nove vezes o prêmio de Melhor Deputado do site Congresso em Foco e foi escolhido o parlamentar mais atuante do Brasil. Tem 69 anos e 33 livros publicados. É filho de um piauiense e uma paulista, pai de quatro filhos e avô de cinco netos.

O Brasil não foi “descoberto” em 22 de abril de 1500. Foi “coberto” pelos conquistadores vindos de Portugal, numa cruzada para “dilatar a fé e o império”, como recitou Camões. Não se “descobre” o que já tinha sido descoberto pelos moradores originários da Terra. “Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil já tinha descoberto a felicidade”, provocou Oswald de Andrade, há um século.

Hoje é também o Dia da Terra. A data, em defesa da preservação da nossa Casa Comum tão maltratada, é comemorada desde 1970, a partir de uma das primeiras manifestações contra a poluição do ar, liderada pelo então senador democrata Gaylord Nelson, em várias cidades dos EUA.

O trumpista brasileiro, Bolsonaro, foi convidado. Será o 6º a falar, por 3 minutos. Lá vem mentira, infelizmente. Ele não dirá que março registrou, segundo Instituto Imazon, a maior taxa de devastação na Amazônia na última década. E que sua política, liderada pelo negocista Salles, enfraquece os órgãos de controle ambiental, persegue quem, no Ministério do Meio Ambiente, fiscaliza com rigor quem cumpre seu dever e facilita a vida de grileiros, madeireiras, mineradoras. Tudo para “passar a boiada”, como já declarou.

Na contramão disso tudo, o Parque Nacional do Xingu, no norte do Mato Grosso, completa 60 anos este mês. Naqueles 2 milhões 642 mil hectares há vida saudável, acossada pela redução em 33% da floresta nativa ao seu redor. Ali 7 mil indígenas, de 16 povos diferentes, se sabem irmãos das águas, das árvores, de tudo o que vive, da onça pintada à formiguinha do caminho.
“Terra, és o mais bonito dos planetas, estão te maltratando por dinheiro, tu que és a nave nossa irmã…” (O Sal da Terra, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos).
CUIDE! CUIDEMO-NOS!”

Chico Allencar – 22.04.2021