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BRASIL

Professora Ana Lima, uma trincheira contra o conservadorismo em Osasco

Rejane Carolina Hoeveler

A cidade de Osasco vem sendo a cada ano mais castigada por consecutivos mandatos de direita. Uma direita fisiológica e oligárquica que se reproduz no poder utilizando a própria máquina da prefeitura. Surfou na onda bolsonarista, cinicamente prometendo o fim da corrupção, e nos últimos quatro anos deixou a cidade ainda pior.

O prefeito Rogério Lins (atualmente no PODEMOS, de extrema-direita, que ora se candidata à reeleição) ficou conhecido muito mais por ter sido preso no Natal de 2016, ainda antes de sua posse e depois de ficar foragido em Miami por várias semanas. Uma denúncia do Ministério Público acusou Lins e outros treze vereadores de montarem um amplo esquema de contratação de funcionários fantasmas e captação de seus salários, caracterizando uma improbidade administrativa assustadora. O esquema desviou mais de 20 milhões de reais dos cofres da cidade – recursos tão almejados por todos aqueles que necessitam dos serviços públicos que uma prefeitura pode oferecer. Após pagar uma fiança de 300 mil reais, Lins foi solto pela Justiça 48 horas antes de sua posse. Em todo seu mandato, apelou a “Deus” e à “família”, pouco ou nada fazendo por qualquer família osasquense a não ser, supõe-se, a sua própria e de seus pares políticos. Foram quatro anos de ausência de qualquer política pública séria. 

Enquanto isso, a população osasquense sofre com problemas estruturais: enchentes, uma educação pública sucateada, um sistema de saúde municipal subfinanciado e desprezado, uma assistência social muito aquém das necessidades mais elementares, e, talvez o mais grave, um déficit habitacional crescente devido à falta de regularização fundiária, que favorece, como sempre, os grandes proprietários do solo urbano. 

Os profissionais da educação e da saúde, bem como se todos os serviços públicos mais essenciais à população, estão entre aqueles que mais sofrem por esse descaso, vendo seus salários e condições de trabalho dramaticamente afetados, acarretando adoecimento e desesperança. Sabemos que trata-se de uma política antiga: os serviços públicos são sucateados e cria-se o pretexto para a privatização através de parcerias público-privadas, passando às mãos de Oss (Organizações Sociais) a gestão desses serviços, mercantilizando a vida e a morte. 

Osasco também virou manchete nacional quando o secretário de saúde sofreu uma tentativa de homicídio até hoje muito mal explicada, em plena pandemia, logo após a demissão de mais de 200 médicos contratados pelo município via OSs. Essa cidade da região metropolitana de São Paulo, periferia que concentra uma classe trabalhadora extremamente precarizada, é uma das regiões que mais sofrem com a pandemia de covid-19 no estado e no Brasil, tema sobre o qual a prefeitura pouquíssimo ou nada fez, sempre cedendo às pressões dos empresários em detrimento de políticas que poderiam ter garantido minimamente isolamento social na cidade. Essa  omissão deliberada causou mortes que poderiam ter sido evitadas, se houvesse uma prefeitura ou uma Câmara minimamente preocupada pela vida dos habitantes que alegam representar. 

Por isso, nessas eleições, o PSOL-Osasco (50) se contrapõe a esses desmandos, ao autoritarismo e ao descaso da prefeitura, apresentando a candidatura de Simony dos Anjos, com Gilmar Soares como vice. 

Dentre as candidaturas à Câmara Municipal, destaca-se a da professora Ana Lima (50123), uma candidatura feminista, de luta e comprometida com a classe trabalhadora. 

Ana Lima tem uma longa e ilibada trajetória de luta, com destaque para sua atuação na APEOESP (Sindicato dos professores do Estado de São Paulo). Poucas pessoas conhecem Osasco como a professora Ana Lima, quem ademais participa de Coletivos como Ele Não, Mulheres contra Bolsonaro, Frente Povo sem Medo, entre outros. Ana Lima é uma trincheira na luta contra o conservadorismo e em defesa da escola pública. 

É de se destacar que em seu programa constam propostas de medidas como: 

– o fim de todas as terceirizações em todos os setores da saúde e educação, com concursos públicos para cargos de gestão em ambas áreas;

– a garantia da implementação da lei 11.645/08, que dispõe sobre o ensino de História da África e Indígena, bem como do debate de gênero e sexualidade nos planos municipais de educação;

– construção de ciclovias que interliguem a cidade, junto a um programa de preservação permanente das calçadas;

– oposição à privatização das linhas 8 e 9 do Metrô;

– Desmilitarização da Guarda Civil Metropolitana (sim, temos uma GCM militar e via de regra violenta)

– criação de um programa de moradia popular na cidade, regularização das ocupações e moradias precárias, bem como ampliação da locação social (em valor e quantidade de benefícios), com gestão popular nas decisões sobre todas as políticas públicas de moradia;

– criação de um programa de canalização do esgoto aberto da cidade (sim, esgoto aberto é o que os osasquenses têm em termos de saneamento)

– Alíquotas progressivas para o IPTU e aumento da alíquota do ISS dos bancos.

Por esses e outros motivos, Ana Lima (50123) será uma voz ativa na Câmara dos vereadores de Osasco (que ademais conta com apenas 3 mulheres). Uma voz da periferia, feminista, antirracista e anti-fascista. E em sua campanha, ao contrário de outras, inclusive dentro da esquerda, não deixa de gritar um sonante FORA BOLSONARO, inimigo do povo.