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Especiais

Florianópolis: Frente de Esquerda encabeçada pelo PSOL ameaça direita na capital do estado mais bolsonarista do Brasil

Nicollas de Souza e Vitor Santos*, de Florianópolis, SC

Na capital de Santa Catarina, a Frente de Esquerda, encabeçada pelo PSOL, tem aparecido com forte presença nas ruas da cidade. Para quem vai ao centro da cidade ou circula nos bairros, vê cotidianamente a militância dialogando com a população para eleger Elson Pereira e Lino Peres.

A primeira pesquisa divulgada, feita pelo IBOPE nos primeiros dias da campanha eleitoral, indicou o atual prefeito Gean Loureiro (DEM) em primeiro, com 44% dos votos, seguido por um triplo empate técnico de Ângela Amin – PP (15%), Pedrão – PL (9%), Elson – PSOL (7%), entretanto, pesquisas que apontam resultados diferentes foram escondidas da mídia local.

De lá para cá, cada candidato tem adotado uma estratégia, mas quatro dos cinco citados não conseguem fugir de um inescapável denominador comum: todos, em maior ou menor medida, são base aliada, ou atuam de forma condescendente com o governo do presidente Bolsonaro. Votar no Professor Elson é votar contra Bolsonaro e seus aliados na Ilha.

O primeiro mês de campanha

A marca da campanha de Gean Loureiro (DEM) tem sido a utilização da máquina pública da prefeitura para sua autopromoção e o grande e milionário aparato midiático e de marketing, que mostra uma cidade perfeita, bem diferente daquela em que vivemos. O que ele não mostra é que sua gestão foi marcada pela falta de transparência, pela precarização dos serviços públicos e pela irresponsabilidade no período da pandemia.

O prefeito, que foi investigado durante o mandato por ter montado uma sala secreta em seu próprio gabinete, para extrair informações sigilosas de operações policiais, ainda enfrenta uma série de denuncias de superfaturamento em contratos com Organizações Sociais feitas em hospitais e escolas de Florianópolis.

Como se não bastasse, nas últimas semanas Florianópolis voltou a ver uma alta nos casos de Covid-19, e hoje é o epicentro do contágio da doença no Estado, tendo aumentado, em uma semana, em 40% o número de casos ativos. O próprio candidato passou a última semana internado, com sintomas graves da doença, tendo sido liberado há poucos dias.

O vínculo do candidato com o partido do Senador Chico Rodrigues (DEM-RR), Vice-Líder do Governo, flagrado com dinheiro entre as nádegas pode e deve impactar a campanha de Gean, se assim os candidatos da oposição souberem bem fazer a denúncia de um caso tão explicitamente vinculado ao governo Bolsonaro.

A candidata Ângela Amin, faz sua campanha com base na nostalgia de parte da população há suas antigas gestões como prefeita e na autoridade que a família Amin carrega no estado, oriunda da ditadura militar. É a cara da velha política, dos conchavos e do descaso com a população.

O candidato Pedrão (PL), busca um discurso moderado, “nem de esquerda, nem de direita” sem dizer que está à serviço do Senador Jorginho Mello, que é um grande aliado do projeto de Jair Bolsonaro em nosso estado, e que até poucos dias abrigava uma candidatura de um notório sujeito, abertamente nazista, da cidade de Blumenau, que se retirou do pleito por pressão das figuras do PSOL.

Em contrapartida, a candidatura do professor Elson tem assumido um caráter diverso. É com muito trabalho de convencimento e militância na rua, ida a todos os bairros da cidade para conversar com a população e força conjunta com os mais de 100 candidatos da Frente que tem se construído essa alternativa. De lá para cá, enquanto os outros candidatos se mostraram ser mais do mesmo, Elson tem mostrado como é fazer diferente. Essa força já é vista nas ruas de Florianópolis e se seguir nesse ritmo pode levar a esquerda para o segundo turno na capital do estado mais bolsonarista do Brasil.

A pesquisa que misteriosamente sumiu

Essas eleições estão sendo marcadas pela falta de debates tradicionalmente realizados pelas emissoras de TV. Esse descompromisso, como já foi dito, é muito prejudicial para a democracia e favorece aqueles candidatos que tem mais dinheiro.

Em Florianópolis a cobertura das eleições tem sido ainda mais prejudicada pela falta de pesquisas de opinião. Até o atual momento, a única que foi amplamente divulgada foi a já citada pesquisa feita pelo IBOPE, divulgada no dia 5 de outubro.

Porém, na última semana veio a público a pesquisa realizada pelo Instituto Mapa, contratado pela rede de televisão Notícias do Dia (filiada à Record), feita nos dias 1 e 2 de setembro, que, apesar de estar registrada no TRE, não foi divulgada pela emissora. Essa pesquisa indica Gean Loureiro com 27%, Angela Amin com 16%, Elson com 11% e Pedrão com 7%. O resultado, que parece não ter agradado o ND, se tornou público essa semana, sem ter sido divulgada pela emissora e mostra um cenário mais vantajoso para o candidato do PSOL.

Em 2012 as pesquisas do IBOPE indicavam Elson com 4% de intenção de votos, e o candidato angariou 15%, em 2016, indicavam 10% e as urnas se abriram com o candidato tendo 21% dos votos, quase indo para o segundo turno. Isso demonstra uma incapacidade dos institutos em avaliar corretamente a projeção do voto de esquerda da cidade. Nessas eleições, com a Frente de Esquerda, uma bela campanha, o PSOL está cada dia mais próximos do segundo turno.

Uma alternativa aos ricos e poderosos e derrotar o bolsonarismo: é Elson prefeito

A pesquisa do Instituto Mapa indicou que 39% dos florianopolitanos entrevistados avaliam o governo Bolsonaro como péssimo. Somando aqueles que também consideram o governo ruim, se totalizam 43% que acham que o governo tem um desempenho negativo. Há ainda muita polarização sobre o tema, 26% avaliam o governo como ótimo e 14% bom.

A candidatura da Frente de Esquerda construiu um importante programa contra os ricos e poderosos que dominam a Ilha de Santa Catarina há décadas. Um programa que defende uma gestão participativa, uma utilização dos recursos públicos que abranja todo o território e não seja utilizado apenas em benefício da especulação imobiliária, e uma política pública de ocupação da cidade para os trabalhadores, para as mulheres, mães, as negras e negros e a maioria do povo. A tarefa agora, de todos aqueles que acreditam que Florianópolis pode ser diferente, deve ser a de concretizar essa alternativa em oposição ao bolsonarismo militante e aqueles políticos que são condescendentes com a trágica política que está sendo aplicada no Governo Federal.

Chegou a hora do povo voltar ao poder, depois de mais de 20 anos do único governo de esquerda da história de Floripa temos reais chances de mudar nossa cidade, colocando a vida das pessoas como centro da atuação da prefeitura. As centenas de pessoas que constroem essa campanha vão mostrar que na capital do estado mais bolsonarista do Brasil existe resistência, e essa resistência vai fazer história e levar o povo à prefeitura.

É Elson 50, Floripa sabe o que quer!

*Nicollas de Souza e Vitor Santos são integrantes da Resistência/PSOL SC e do Afronte Florianópolis