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EDITORIAL

Eleições: enfrentar o bolsonarismo e fortalecer a esquerda

Editorial 27 de setembro

Neste domingo (27), começa oficialmente a campanha eleitoral. A disputa nas cidades ocorrerá em um contexto de continuidade da pandemia (que já matou mais de 140 mil brasileiros), intensa crise social (25 milhões de trabalhadores estão sem emprego) e de relativo fortalecimento do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro, que teve ganho de popularidade com os efeitos do auxílio emergencial.

A pergunta chave dessas eleições municipais está no embate entre o bolsonarismo e o anti-bolsonarismo. O resultado geral fortalecerá a extrema-direita neofascista, que está à frente do governo federal, ou representará uma derrota para Jair Bolsonaro?

Três grandes forças políticas protagonizarão essa disputa: a extrema-direita, organizada  em diversas alternativas, mas hegemonizada pela família Bolsonaro; a direita tradicional, dividida em um grande número de partidos, mas liderada pelo PSDB e DEM; e a esquerda, representada sobretudo pelo PSOL, PT e PCdoB.

A extrema-direita apoia-se fundamentalmente na influência política que Bolsonaro e as pautas reacionárias têm em parcela expressiva da população. Porém, por outro lado, formou-se na sociedade brasileira um segmento, tão significativo quanto o primeiro, que rejeita frontalmente o governo Bolsonaro e seu programa de destruição. A esquerda certamente buscará amparo na massa anti-bolsonarista.

Por sua vez, as alternativas tradicionais da direita e do centro tentarão ganhar, prioritariamente, o setor intermediário entre os dois polos mais extremos (bolsonarismo e anti-bolsonarismo), moldando seu discurso, mais  próximo ou distante da extrema-direita, de acordo com as diferentes realidades locais.

É de se esperar que as três grandes forças políticas em disputa colham derrotas e vitórias, devido às condições políticas e sociais específicas de cada disputa municipal. A questão central, porém, é qual delas se sobressairá e qual perderá mais no cômputo geral. A luta política por corações e mentes nas próximas setes semanas determinará esse resultado.

Tarefa prioritária da esquerda: enfrentar o bolsonarismo

Não há nada mais importante nessas eleições do que combater o neofascismo bolsonarista. Cada candidatura da esquerda dever ser ponta de lança nessa guerra política e ideológica. A consolidação e fortalecimento do governo Bolsonaro, com a possibilidade de sua reeleição em 2022, é uma ameaça mortal ao que resta dos direitos sociais e democráticos das massas trabalhadoras e oprimidas.

Os temas centrais da vida da população trabalhadora em cada cidade — saúde, emprego, renda, educação, segurança, moradia, transporte etc. — devem ser formulados visando o combate ao bolsonarismo. As cidades devem se converter em palco da resistência ao neofascismo.

Nesse sentido, é necessário denunciar a responsabilidade de Bolsonaro e de seus aliados em cada município na pandemia, assim como a dos representantes da direita tradicional. É preciso sublinhar também a responsabilidade deles no desemprego em massa, na inflação dos alimentos, na destruição do Pantanal, da Amazônia e do Cerrado e na violência racista, misógina e LGBTfóbica. Importa também denunciar a destruição do serviço público, as privatizações e os privilégios dos bilionários.

As candidaturas da esquerda precisam, ao mesmo tempo, ter coragem e ousadia para apresentar um programa anticapitalista positivo em defesa da maioria trabalhadora e oprimida, dialogando com suas demandas mais sentidas. As cidades devem funcionar para os 99% e não para o 1%. A periferia tem que ser colocada no centro. Para tudo isso, é preciso dar centralidade à pauta antirracista, em particular para o combate ao genocídio de jovens negros nas favelas e periferias, assim como para as reivindicações de luta das mulheres e das LGBTQI+.

O papel do PSOL e da Resistência

No campo da esquerda, é evidente o fortalecimento do PSOL. A posição firme e coerente do partido na defesa dos interesses da classe trabalhadora e dos setores oprimidos, sem fazer alianças com a direita, construiu uma referência política que se expande.

O PSOL foi oposição de esquerda aos governos de Lula e Dilma, em razão da conciliação petista com parte da burguesia brasileira, mas soube se posicionar contra o golpe quando a classe dominante rompeu o pacto com o PT. O partido lutou contra o governo Temer, foi contra a prisão política de Lula, denunciou a Lava Jato e esteve na primeira linha de resistência ao bolsonarismo.

O PSOL também foi vanguarda na primavera feminista e na grande manifestação do “Ele Não” em 2018. O partido se aliou ao MTST e outros movimentos sociais combativos. Na luta dos oprimidos, perdeu Marielle Franco executada no Rio de Janeiro. A intensidade dos ataques do bolsonarismo ao PSOL é demonstração do valor que o partido tem para a luta da classe trabalhadora e oprimida.

Nesse momento, pesquisas apontam que o PSOL tem candidaturas bem posicionadas em várias capitais: Guilherme Boulos, em São Paulo; Edmilson Rodrigues, em Belém; Elson Pereira, em Florianópolis; e Áurea Carolina, em Belo Horizonte. Pela primeira vez, o partido pode se tornar a principal força política de esquerda em várias capitais do Sudeste e Sul do país. Trata-se de um processo positivo e de grande relevância para a reorganização da esquerda brasileira.

Dentro do PSOL, a corrente socialista Resistência, que impulsiona o portal Esquerda Online, lançará dezenas de candidaturas às Câmaras muncipais e terá candidaturas a prefeitura pelo partido em diversas cidades, incluindo duas capitais — Aracajú e Goiânia. São candidaturas de trabalhadores negras e negros, mulheres, jovens, servidores públicos, operários, travestis, professores e lutadores antifascistas. Todas e todos estarão empenhados na luta política contra a extrema direita e no fortalecimento da esquerda socialista.

Este portal se coloca também a serviço dessa luta nas eleições e convida a todas nossas leitoras e leitores a se somarem nessa batalha durante as próximas semanas. Não se trata apenas do voto nas urnas, mas sobretudo da luta contra o avanço neofascista no Brasil. Vamos juntos!

 

ENGLISH Elections: Confronting Bolsonaro and strengthening the left

ESPAÑOL Enfrentar a Bolsonaro y fortalecer a la izquierda