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EDITORIAL

A ofensiva de Bolsonaro e a tática da esquerda

Editorial de 03 de agosto de 2019
Quinho | fb.com/QuinhoCartum/

A sucessão de declarações ultrajantes de Jair Bolsonaro provocou revolta e repugnância em diferentes setores da sociedade. Em menos de dez dias, o presidente de extrema-direita proferiu uma longa lista de absurdos e insultos. 

Na semana passada, Bolsonaro ofendeu os nordestinos e os governadores da região, pôs em dúvida a existência da fome no país, desacreditou os dados alarmantes do desmatamento na Amazônia e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sugeriu acabar com a multa de 40% do FGTS em demissões sem justa causa, desqualificou o cinema nacional, ameaçou prender Glenn Greenwald e atacou ferozmente Miriam Leitão.

Não satisfeito, Bolsonaro retomou a artilharia nos últimos dias: insultou a memória de Fernando Santa Cruz, como forma de intimidação do seu filho, Felipe Santa Cruz, atual presidente da OAB; tentou negar as execuções e torturas do regime militar e menosprezou a chacina de presos no Pará. 

Ele não ficou somente em palavras: trocou 4 dos 7 integrantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), nomeando filiados do PSL e militares favoráveis à ditadura, além disso, foi anunciado que o presidente do Inpe, Ricardo Galvão, será exonerado do cargo. 

A natureza neofascista de Bolsonaro fica evidente em suas declarações: ele é uma ameaça às liberdades democráticas, aos direitos sociais, à preservação do meio ambiente e  às conquistas civilizatórias do país. É preciso deter sua marcha ensandecida e destruidora. Para tanto, se faz fundamental conjugar mobilização social com disputa de consciência da maioria do povo.

Infelizmente, Bolsonaro não está acuado, ao contrário, está na ofensiva: conta com o apoio de parcela significativa da população, especialmente nas camadas médias e nas regiões sul e sudeste. Além disso, a classe dominante brasileira e o governo Trump sustentam Bolsonaro, especialmente em razão da política econômica baseada em contrarreformas sociais, privatizações generalizadas, entrega brutal do patrimônio público nacional e subserviência canina aos interesses norte-americanos. 

Na atual conjuntura, não há nenhuma possibilidade de prosperar um pedido de Impeachment na Câmara dos Deputados, que se prepara para terminar de aprovar a nefasta reforma da previdência. Tampouco existe força social e política nas ruas em condições de deflagrar uma luta visando a derrubada imediata de Bolsonaro. 

A esquerda deve evitar atalhos e semear ilusões. Não será o STF que avalizou a prisão de Lula ou esse Congresso dominado pela direita patronal que destituirão Bolsonaro. Terá que ser o povo trabalhador nas ruas. 

A estratégia deve ser a derrubada desse monstruoso governo de extrema-direita, mas a tática condizente com a atual relação de forças e nível de consciência desfavoráveis é acumular forças, impor derrotar parciais ao inimigo, adquirir capacidade de mobilização de massa, construir uma maioria social e uma nova referência política de esquerda para o povo trabalhador. 

Nesse sentido, a tarefa imediata é construir a mais ampla unidade em defesa das liberdades democráticas e do meio ambiente, assim como a frente única da classe trabalhadora pelo direitos sociais e contra as privatizações. No dia 13 de agosto, está marcado um novo dia de greve geral da educação. Todos esforços precisam estar voltados para formar um novo “tsunami” de estudantes, funcionários e professores nas ruas. Antes, estão marcados atos pelos direitos democráticos, no dia 05. 

Cada local de trabalho, estudo e moradia precisa se converter numa trincheira contra esse governo e seus ataques. Vamos preparar, pela base e nas ruas, as condições para a vitória. 

 

Derrotar Bolsonaro nas ruas!

Ditadura nunca mais! Em defesa das liberdades democráticas

[email protected] pela educação pública! Às ruas 13 de agosto!

Abaixo a reforma da previdência! 

Em defesa da soberania nacional e do patrimônio público. Não às privatizações!

Fora Moro, Lula Livre! 

Em defesa da Amazônia e dos povos indígenas.
Marcado como:
Governo Bolsonaro