Sob forte pressão dos patrões, trabalhadores da GM de São José dos Campos aprovam redução de direitos em troca de investimentos

Por: Jesu Donizetti de Souza, operador de prensas na GM, Renato Bento Luiz, aposentado pela GM e dirigente regional da CSP Conlutas, e Marina de Arantes, de São José dos Campos, SP

A General Motors apresentou publicamente um plano de reestruturação global com fechamento de plantas e a incerteza de continuidade da produção na América Latina. Pouco tempo depois apresentou uma pauta para prefeituras, concessionárias e sindicatos dos locais onde atua no Brasil.
A pauta apresentada ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos continha 28 pontos de retirada de direitos. Uma campanha forte começou dentro da fábrica dizendo aos trabalhadores que aprovassem a proposta porque caso contrário a empresa fecharia em até dois anos, deixando mais de quatro mil pessoas desempregadas, sem contar o impacto na cidade com a perda dos empregos indiretos. Somente aceitando as reivindicações da empresa, seria feito um investimento financeiro. Isso foi uma grande covardia e escondeu a verdade de que a empresa tem obtido altos índices de lucro nos últimos anos.
A empresa já vem fazendo isso há algum tempo. Desde 2008, pelo menos, os trabalhadores da planta de São José dos Campos estão em um cabo de guerra permanente com a empresa para garantir seus direitos. Agora a fabricante de veículos se aproveitou da situação política que estamos vivendo para tirar proveito.
Sabemos que desde a aprovação da reforma trabalhista aprovada pelo governo Temer, as condições de trabalho no Brasil estão sendo transformadas. E infelizmente essa ofensiva contra os trabalhadores foi reforçada com parte grande da população votando em Bolsonaro, que fez campanha aberta pela retirada de direitos. Chegou a dizer que era preciso que as leis chegassem perto da informalidade, ou seja, com nenhuma garantia trabalhista. Carlos da Costa, Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, da equipe de Paulo Guedes, mostrou que não está nem um pouco preocupado com o impacto do possível fechamento da planta ao declarar que a GM “se precisar fechar, fecha”. Sem impor nenhum limite e nem fazer nenhuma exigência para a empresa.
O sindicato, mesmo se colocando contrário as propostas apresentadas, foi para a negociação para tentar diminuir o impacto colocado. Após duas assembleias na porta da fábrica, panfletagens na cidade e algumas reuniões difíceis e demoradas com a empresa, foi apresentada uma nova proposta, agora com 10 pontos. Entre eles rebaixamento do piso salarial, mudanças nas regras de recebimento da PLR e de reajuste salarial, redução do valor de adicional noturno, fim da estabilidade para os próximos trabalhadores que se lesionarem por conta do trabalho, entre outros.
Todos sabiam que a dificuldade para barrar estes ataques seria muito grande. Devido a imensa chantagem da empresa, a nova proposta passou na assembleia por ampla maioria. Vinculado a isso, existe agora a promessa de investimentos bilionários para a planta de São José dos Campos, em São Paulo.
Mas não é possível confiar na palavra desta empresa. Processo parecido com esse já aconteceu em 2013 e até hoje nenhum real foi colocado nesta fábrica. Ou seja, para que o investimento se concretize garantindo a produção de um novo projeto e o emprego de milhares de pessoas, temos que manter os trabalhadores unidos.
A situação para a classe trabalhadora está muito ruim. Os ataques não são somente nesta empresa, portanto, não podemos lutar sozinhos para conseguir reagir. É preciso fortalecer um polo de resistência, unificando sindicatos, movimentos sociais e todos aqueles que querem inverter a correlação de forças imposta hoje! Toda solidariedade aos trabalhadores da General Motors!
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