Rui Costa, não é hora de fechar escolas, é hora de fortalecer a educação para enfrentar o conservadorismo

Por: Jorge Garrido e Josias Porto, de Salvador, Ba.

A Bahia nos deixou orgulhosos com a resistência durante a eleição de 2018, tanto no primeiro como no segundo turno. O nosso estado destacou-se pela força com o qual colocou-se contra a candidatura à Presidência que representa um projeto de atraso, e que, infelizmente, acabou ganhando a eleição.

Já para o governo do estado o atual governador petista conseguiu reeleger-se com 75,71% doa votos logo no primeiro turno. Portanto, Rui Costa saiu dessa eleição muito fortalecido.

Esse resultado coloca uma responsabilidade para o nosso estado e para o governador, diante da ofensiva raivosa contra uma educação crítica e contra os professores que está em curso no país. Precisamos fortalecer a resistência contra os inimigos do pensamento.

Um exemplo importante de iniciativas nesse sentido foi o decreto editado pelo governador do Maranhão, Flávio Dino, para garantir o direito constitucional da liberdade de expressão nas escolas, diante da ampliação das ameaças e do patrulhamento da mordaça, que visam intimidar professores.

Mas para colocar o seu governo a serviço da resistência dos educadores e do pensamento crítico, Rui Costa precisa mudar urgentemente os rumos do seu governo. Pouco tempo depois do pleito eleitoral já começou a falar em entrevistas sobre a necessidade de “remédios amargos”. Falou em desativar algumas empresas, em privatizar. Falou em aumento de alíquota descontada do servidor de 12% para 14%, sob a alegação de que a Previdência (a vilã de sempre) não se sustentará se não for feito algo.

Quando se imaginou que não vinha nada pior, eis que agora Rui Costa puxa da sua cartola, uma lista de escolas públicas a serem fechadas. Cerca de 100 unidades em todo o estado, de acordo com o Coordenador Geral da APLB-Sindicato, que ainda informa que não houve nenhum diálogo com a entidade, que o governo trouxe isso de surpresa. Na capital, Salvador, cerca de 12 unidades foram ameaçadas, de fechamento ou municipalização.

A resposta veio de forma imediata. Nos últimos dias inúmeras mobilizações têm tomado as ruas próximas às escolas ameaçadas de fechamento. Professores, estudantes e a comunidade estão mostrando que não aceitarão escolas a menos.

O governador já recuou parcialmente, alegando que manterá ainda durante o próximo ano algumas escolas funcionando em apenas um turno. Mas não deu garantia sobre todas as unidades, nem sobre todos os turnos. Quantos estudantes e quantos professores serão prejudicados?

Vivemos um momento político muito delicado da história do país. Um presidente fascista no poder odeia professores e quer transformar a educação em uma máquina de formar “alienados”. Há uma ofensiva contra o pensamento crítico em curso. Diante desse cenário, Rui Costa tem a obrigação de mudar de rumo, garantir o não fechamento de nenhuma escola e se colocar ao lado dos professores e estudantes. Ficar do lado da trincheira daqueles que defendem uma educação pública de qualidade e com pensamento livre é o único caminho para honrar a resistência que a Bahia demonstrou nas urnas, e que também já deu provas da sua disposição de mantê-la nas ruas.

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