Mulheres do samba: Viva Jovelina, a pérola negra que passou por aqui e ficou na história!



Carla Vizeu, da Mana Dinga*

Nasceu Jovelina Faria Belfort, em 21/07/1944, morando desde cedo nos subúrbios do Rio de Janeiro. Foi doméstica, assim como Quelé, além de lavadeira e vendedora de linguiça. Emergiu da concha da hegemonia masculina dos pagodes como nossa preciosa Pérola Negra.

No início dos anos 1980 começou a fazer apresentações no Vegas Sport Clube, em Coelho Neto. Acabou parando em Madureira onde, na Escola de Samba Império Serrano, desfilou por muitos anos na Ala das Baianas, além de atuar como pastora. Na Estrela de Madureira conheceu Roberto Ribeiro, Jorginho do Império e outros nomes de peso da escola. Frequentadora das rodas de partido alto do Botequim da Escola da Serrinha, ao lado de Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Beto Sem Braço, Ana Clara, Fundo de Quintal, Deni de Lima, entre muitos outros, participou do Pagode da Tamarineira, do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos.

Compositora e partideira de imenso talento, fez sua estreia no mercado fonográfico em 1985, com uma participação na coletânea “Raça brasileira”, lançada pela RGE. Nela interpretou duas composições que viriam a ser seus primeiros sucessos: “Bagaço da Laranja” (com Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho), cantada em dueto com Zeca Pagodinho, e “Feirinha da Pavuna” (Confusão de legumes), composição de sua autoria.

No mesmo ano, lançou seu primeiro LP solo, do qual se destacaram “Pagode no Serrado” (Marquinhos Pagodeiro e Zeca Sereno); “Boogie-woogie da favela” (Serginho Meriti) e o grande sucesso do disco, a faixa “Menina você bebeu”, de autoria de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Beto Sem Braço.

Daí pra frente, todo ano teve disco recheado de composições imortalizadas pela poderosa voz de Jovê, aquelas que nunca ficam de fora duma roda de samba: “Luz do repente”, “O dia se zangou”, “Banho de felicidade”, “Sorriso aberto”, “Amigos chegados”, “Mesmo manto”, “Catatau”, entre tantas outras.

Foram onze anos de carreira nos iluminando com a luz do seu repente, com seu estilo marcante de cantar, seus improvisos imbatíveis. Sua luz se apagou em novembro de 1998, mas a Pérola Negra continua brilhando através do tempo no coração dos sambistas, especialmente das mulheres, que lhe devem tanto.

 

*A Mana Dinga é um grupo de cinco mulheres compositoras de Campinas, que leva músicas próprias para prosear com importantes sambistas, compositoras, instrumentistas e interpretes que abriram caminhos para as mulhetes na musica brasileira. Formado por Amanda Menconi (flauta e percussão), Anisha7 Vetter (surdo e voz), Carla Vizeu (voz e percussão), Ju Leite (pandeiro e voz) e Milena Machado (violão e voz). Para mais informações acesse facebook.com/manadinga

 

Fontes de pesquisa:
Wikipedia
Dicionário MPB
Sambando.com
cantoras do brasil
raiz do samba em foco
Rádio Agência Nacional

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