Boulos: ‘Não podemos construir um projeto só para ser testemunhas da história’



Guilherme Boulos chegou ao debate acompanhado por militantes do MTST e do PSOL, entre eles o presidente do partido, Juliano Medeiros, e o deputado estadual Marcelo Freixo. Ele iniciou a sua fala saudando a “militância aguerrida” do PSOL, partido do qual é o mais novo filiado. “Nós não nos conhecemos hoje. Nós nos conhecemos nas lutas, na ocupações. Nossa relação vem de longe”, afirmou. Boulos afirmou a necessidade de compreender a conjuntura nacional a partir da “mudança qualitativa” representada pelo golpe parlamentar, destacou a importância de uma candidatura que enfrente a direita e os retrocessos dialogando com setores de massa. “Não viemos falar para convertidos”, afirmou. Destacou a importância de um programa que combata a desigualdade e privilégios, que represente os oprimidos e que aponte a falência do sistema de representação política, estabelecendo um sistema de participação e de mobilização permanente.
O líder do MTST apresentou um balanço e uma diferenciação dos governos petistas, entendidos como governos de pacto social, que não combateram os privilégios. E não deixou de responder as críticas de outros pré-candidatos, em especial de Plínio Jr., que o apontou como representante do lulismo. “Não há ninguém nessa sala ou fora dela que possa negar a combatividade e a autonomia do MTST”, afirmou Boulos.

ENTREVISTA

“Nosso projeto tem que ser amplo, não pode ser para falar para nós mesmos. Não podemos falar para `convertidos`. Nosso projeto tem que ser amplo, radical, mas que saiba falar com o povo brasileiro. Enquanto estamos aqui debatendo e muitas vezes com brigas entre nós, o povo está lá fora, descrente, ou acreditando muitas vezes em Bolsonaro”.

“Nós não podemos construir um projeto apenas para ser testemunhas da história. Não queremos marcar posição para chegar em casa à noite felizes com o nosso radicalismo. Queremos disputar as consciências. Queremos um projeto que esteja conectado com as novas experiências na América Latina e na Europa, como a do Podemos, de Pablo Iglesias, ou de Bernie Sanders, nos Estados Unidos”.

CONJUNTURA
“Não há mais margem para manobras econômicas. O golpe veio para dizer: `Chega da conciliação. Agora é o momento da espoliação`. E isso foi feito principalmente a partir de duas grandes medidas: a PEC do Teto de Gastos e a Reforma Trabalhista”.

“Nós sabemos que tudo isso não começou com o golpe. Não era um `céu de brigadeiro` antes. Mas temos que ver que o golpe é uma mudança qualitativa. Isso não nos impede de criticar as experiências anteriores, mas é preciso ver a mudança que ocorreu”.

“O capitalismo é cada vez menos tolerante à democracia. O golpe no Brasil, Honduras e Paraguai são expressões desse fenômeno”.

BALANÇO DO PT
“Os governos do PT foram governos de pacto social. Um ‘ganha ganha’, com o lado do andar de cima tendo lucros recordes. Os privilégios não foram enfrentados. Não se encarou a reforma urbana, a reforma agrária, a democratização da mídia.
Mas, ao mesmo tempo, houve ganhos no andar de baixo. Em especial no salário mínimo e também em programas sociais”.

“Quem quer a prisão de Lula é o MBL. Temos que defender o direito dele ser candidato. Nós queremos superar a estratégia de conciliação de classes e construir o nosso projeto de esquerda, mas o nosso projeto não pode se parece mais com Carlos Lacerda do que com João Goulart”.

PROGRAMA
“Nós sempre esperamos pela falência desse sistema político. Esperamos pela hora em que as pessoas deixariam de acreditar. Mas as pessoas estão acreditando em outras saídas, em Bolsonaro. Nós temos que apresentar a nossa saída”.

“Nosso programa parte de três grandes eixos. O primeiro é a desigualdade, o grande problema nacional. É preciso atacar os privilégios, o lucro das empresas, dos bancos, fazer a reforma tributária, regulação dos bancos, da política de juros. É preciso nacionalizar setores estratégicos e revogar medidas do governo Temer. E temos ainda que discutir o tema da dívida, qual a melhor política”.

“O segundo eixo é o democrático. O povo não pode terceirizar para o Congresso Nacional decidir tudo. Temos que criar outros mecanismos, já testados em outros países, como plebiscitos para os principais temas, por exemplo. Não basta ganhar a Presidência e ficar refém das estruturas velhas. É preciso trazer o povo e construir um modelo de mobilização permanente. E o nosso programa precisa representar todos os setores oprimidos. Mulheres, negros, LGBTs, indígenas. Precisamos de um programa dos de baixo, um programa radical e crítico.”

“O programa é um processo. O nosso método é o da participação. Vamos definir os principais eixos temáticos e discutir onde chegar. A plataforma Vamos! foi construída assim e muitos de vocês participaram. Tem que ser desse jeito, com gente discutindo economia nas praças, na Cinelândia…”

 

“Guilherme Boulos / vou te falar / Candidatura radical e popular”
“Eu não abro mão / de um presidente / que faz ocupação”
“Vem, vem com Boulos vem / vem com Boulos vem /
vem com Boulos vem / E Guajajara!”


FOTO:
Kauê Scarim | PSOL Nacional

 

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