Primeiras impressões sobre o 3° Congresso da CSP-Conlutas

Por: Juliana Donato e Gibran Jordão, membros da direção nacional do MAIS

De 12 a 15 de outubro, ocorreu, em Sumaré, São Paulo, o 3° Congresso Nacional da CSP-Conlutas. Foram quatro dias de intensa atividade, com grupos de trabalho, painéis, plenárias deliberativas, debates polêmicos e de grande qualidade. Havia também uma disposição comum, a de estimular o avanço das lutas da classe trabalhadora em meio a tantos ataques que temos sofrido.

Quantitativamente, em comparação aos números do congresso passado, houve um pequeno aumento do número de delegados inscritos, mas uma diminuição no número de entidades sindicais, oposições, minorias de direção, movimentos populares e contra as opressões. O congresso desse ano teve 1.953 delegadas e delegados inscritos, 264 observadores, de 308 filiadas, entre entidades sindicais, oposições, minorias de diretorias, movimentos populares e contra as opressões. No congresso de 2015 houve 1702 delegadas e delegados inscritos, 572 observadores e 373 filiadas entre entidades sindicais, oposições, minorias de direção, movimentos populares e contra a opressão.

No plenário, lutadoras e lutadores de diversas gerações, alguns deles em greve, como os trabalhadores da Chery, montadora de São José dos Campos, os municipários de Porto Alegre, os professores do estado do Rio Grande do Sul e do Pará. Outros, como os trabalhadores dos Correios, saindo de uma greve com muitas lições e a cabeça erguida. Uma importante presença de lutadores do movimento popular e de movimentos de luta contra a opressão também se expressaram nesse congresso, garantindo o caráter sindical e popular de nossa central.

Somos Tod@s CSP-Conlutas
Uma das novidades foi a formação do Bloco ‘Somos Tod@s CSP Conlutas’, formado por companheiras e companheiros de diversas entidades, oposições, minorias e movimentos e representado por mais de um terço das delegadas e delegados do congresso.

O bloco teve uma atuação destacada, trazendo para o debate importantes polêmicas com a direção majoritária da central. Entre as principais diferenças está a análise da relação de forças entre os trabalhadores e a burguesia em nosso país. Para a direção majoritária da central, os trabalhadores estão num momento de ofensiva. Já o bloco, defendeu que a classe está na defensiva, lutando com muitas dificuldades contra os pesados ataques de Temer e do Congresso Nacional que está saqueando direitos sociais e democráticos, sendo necessário construir as condições para uma contra-ofensiva que enfrente a realidade em que vivemos.

Os ativistas e militantes do bloco defenderam que, diante dessa conjuntura defensiva, os trabalhadores precisam da mais ampla unidade para lutar, como ocorreu na greve geral do dia 28 de abril. Assim, defenderam que a CSP-Conlutas seja protagonista em construir um encontro nacional de lutadores e lutadoras para armar a nossa classe para a luta. Mas, não só isso, defenderam que precisamos também de uma unidade que se expresse em um polo político alternativo ao PT e à extrema-direita.

Ato por um Polo Político Alternativo para a Classe Trabalhadora


No sábado à noite, centenas de participantes do congresso lotaram o centro de convivência para participar de um ato em defesa deste polo político, com as presenças de Plínio de Arruda Sampaio, Luciana Genro (MES/PSOL), Silvia Ferraro (MAIS/PSOL), Luiz Acosta (PCB) e Hamilton Assis (APS/PSOL). Mesmo convidado, o PSTU não compareceu, o que lamentamos, pois, sem estes companheiros e companheiras, uma alternativa política da esquerda socialista terá mais dificuldades de se fortalecer e disputar os trabalhadores. Precisamos entender que na onda da crise do PSDB surfa a ultra-direita, com o MBL, Bolsonaro e o apoio aos militares. Por outro lado, em relação à crise do PT e de seu projeto de conciliação de classes, a esquerda socialista ainda não conseguiu se apresentar como uma alternativa que de fato tenha condições de disputar milhões de trabalhadores.

É preciso uma central plural e que respeite as diferenças
Outra diferença importante apontada não só pelo Bloco, mas por outros setores da nossa central, é o método hegemonista da direção majoritária da central, que tenta hostilizar e marginalizar os setores que pensam diferente. Essa postura precisa mudar para que se garanta que a central seja uma entidade de frente única e não uma colateral de um partido. Isso significa que a direção majoritária da central precisa ter a paciência e disposição de, primeiramente, ouvir. As vaias dirigidas àqueles que não concordam com a política majoritária foram um episódio lamentável deste congresso e não podem voltar a acontecer.

Na CSP-Conlutas, deve haver democracia e espaço para aqueles que pensam diferente poderem se expressar e serem ouvidos. Além disso, a condução da central deve ser feita por todos os setores que batalham para construí-la no dia a dia. Não pode ser que a cada discussão sobre o funcionamento da central tenha que se abrir um debate extremamente desgastante em busca de um espaço democrático mínimo para que a diversidade e as distintas sensibilidades da central possam se expressar.

Em relação à programação e ao funcionamento do congresso, a direção da central, e nós nos incluímos nesse balanço, armou um congresso que demonstrou alguns problemas: os grupos de trabalho poderiam ter tido mais tempo e tranquilidade para fazer o debate, encaminhar as propostas ao plenário, que deveriam ser debatidas e votadas de maneira satisfatória. Muitas propostas debatidas nos grupos não foram apreciadas pelo plenário e isso gerou muita insatisfação, com razão, principalmente em relação às pautas que envolvem questões como a luta contra as opressões. Mas também houve um vazio em relação aos trabalhadores do campo e movimento estudantil. Tal experiência deve servir para absorvermos as críticas e fazer melhor nos próximos espaços da central. Seria muito importante que a direção majoritária da central pudesse refletir e também fazer o exercício da autocritica, já que tem a maior parte da responsabilidade na condução do congresso e da entidade.

O 3° Congresso da CSP-Conlutas tomou importantes decisões
No domingo, na plenária final, o destaque foi a aprovação da garantia de paridade entre homens e mulheres (50%) na Secretaria Executiva Nacional da Central. Com muito orgulho, essa proposta foi apresentada pelo Bloco Somos Tod@s CSP Conlutas e vai ajudar as mulheres a ocuparem mais espaços e a estarem em melhores condições para combater o machismo. Em um momento emocionante, após a aprovação da proposta, o plenário cantava: “Nem recatada, e nem do lar, a mulherada está na rua para lutar”.

Foi aprovado um plano de lutas, cuja principal data será o 10 de novembro, um dia nacional de lutas, mobilizações e paralisações da classe trabalhadora. E a disposição da CSP-Conlutas de estar à frente do chamado à unidade com as demais centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, para que possamos avançar em direção à construção de mais uma grande greve geral, tão necessária para que a classe trabalhadora possa resistir e passar à ofensiva. Foi aprovado também que a central e suas entidades participarão de uma reunião convocada pelo ANDES-SN, no dia 11 de novembro, no Rio de Janeiro, com o objetivo de avançar no processo de reorganização da classe trabalhadora. Parabenizamos as companheiras e companheiros do ANDES-SN por essa iniciativa.

O Bloco Somos Tod@s CSP-Conlutas, formado por várias entidades e agrupamentos, sai fortalecido e consolidado, e a sua atuação deve seguir e se aprofundar. O objetivo é fortalecer a nossa Central como um instrumento de frente única amplo e democrático, que tenha o potencial de atrair muitos lutadores e lutadoras que hoje não a compõem.

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