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Freitas Neto: um jornalista em defesa da democratização da mídia

Hoje, 11 de julho de 2017, são completados 20 anos da morte do jornalista Freitas Neto, morto em um desastre aéreo em Cuba

Por: Hitallo Viana, de Maceió, Alagoas

Nascido na capital alagoana em 19 de dezembro de 1949, João Vicente Freitas Neto foi um jornalista destacado na luta contra a ditadura militar. Além de jornalista, Freitas Neto foi advogado, radialista e um ativo militante político. Viveu parte de sua infância em Garanhuns (PE), onde iniciou os primeiros contatos com o jornalismo e aos 16 anos já trabalhava para o Jornal de Alagoas.

Como jornalista, trabalhou nos principais veículos de comunicação do estado alagoano e foi correspondente do Jornal Estado de São Paulo. No Estadão participou do histórico Roda Viva que entrevistou o então governador de Alagoas Fernando Collor, em 1987. A entrevista foi marcada por diversos embates entre Fernando Collor e Freitas Neto.

Passou pelas redações de Esporte, chegando a cobrir a Copa da Argentina, em 1978, e de Política. Sua carreira de jornalista foi para além das redações, sendo presidente do sindicato dos jornalistas de Alagoas (1978/81) e secretário da Federação Nacional de Jornalistas (1980/83). Foi candidato à Presidência da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), em 1983, e teve como principal programa a luta pela Democratização da Comunicação.

A eleição de Freitas Neto como presidente do Sindijornal representava uma derrota dos defensores da Ditadura Militar, principalmente do Governador Divaldo Suruagy, que representava os anseios dos golpistas de 1964. E será a partir do Sindijornal que se aglutinarão as mobilizações contra o regime e pela defesa da anistia ampla e irrestrita para presos e perseguidos políticos no estado. Sua atuação também foi importante na implantação do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas.

Diretas-Já

Como advogado, Freitas Neto foi assistente de acusação no caso Tobias Granja, jornalista alagoano assassinado em 1982, sendo ameaçado de morte por conta de sua atuação. E era juiz classista quando de sua morte.

Militante do PCB, Freitas chegou a fazer parte da direção nacional e compôs a direção regional por vários anos. Defendeu e fez parte das posições mais polêmicas do partidão. Em 1982, quando os partidos de esquerda ainda eram ilegais, foi eleito vereador em Maceió pelo PMDB. Junto com a maior parte dos militantes do PCB Alagoas, foi defensor da revisão política iniciada no interior do partidão na década de 1970, que desembocará na criação do PPS. Freitas permanecerá no PPS até sua morte.

Defensor da Revolução Cubana, manteve fortes laços com Cuba. Quando dos anos de maiores pressões por conta do embargo econômico americano, organizou diversas atividades de solidariedade e visitas à ilha.

Freitas-Neto-Evento-Misa-1-Cópia-300x276E foi em uma destas visitas que Freitas, junto com sua esposa Maria das Graças Freitas e mais 44 pessoas, faleceu após a queda do avião bimotor Antonov 24, da empresa Cubana de Aviación, no mar do Caribe. Em 11 de julho de 1997 perdíamos o jornalista que enfrentou a ditadura.

Hoje, uma exposição e mesa redonda, no Museu da Imagem e do Som de Alagoas (MISA) vão marcar os 20 anos de sua morte. E também a passagem do acervo de Feitas Neto ao MISA. Um bom momento para conhecer a trajetória do saudoso Freitas Neto.

 

Foto: Divulgação da exposição sobre a trajetória de Freitas Neto no MISA | Crédito: Léo Villanova

 

Foto de capa: Audiência com o secretário de Segurança, Cel. Amaral, para exigir segurança para Freitas Neto, que tinha sido ameaçado pelo delegado Ricardo Lessa. Com Nilson Miranda, Bartolomeu Dresch e Jefferson Morais | História de Alagoas