Mísseis Tomahawk: os índígenas não têm nada a ver com os ataques de Trump

Por: Bernardo Lima, de Belo Horizonte, MG

Os Estados Unidos iniciaram recentemente uma ofensiva contra a Síria. Utilizando como pretexto uma retaliação ao uso de armas químicas pelas tropas de Bashar Al Assad, um bombardeio unilateral foi realizado pela Marinha estadunidense. Comportando-se mais uma vez como “polícia do mundo” os EUA, país que já cometeu crimes de guerra terríveis como os ataques nucleares no Japão, se sentiu autorizado a intervir na luta do povo sírio.

A arma escolhida pelos EUA para atacar a Síria foram os mísseis Tomahawk. Essa artilharia pesada, disparada de navios de guerra, transporta meia tonelada de explosivos a 900 km/h. Seu alcance pode chegar a 2000 quilômetros, emitem pouco calor e são capazes de viajar em baixas altitudes para não serem detectados pela defesa anti-aérea do inimigo. É uma típica arma de quem deseja destruir a infra-estrutura de um país e causar o caos sem colocar-se diretamente na linha de fogo.

Quero chamar a atenção aqui para um detalhe em toda essa história: o nome escolhido pelos Estados Unidos para seus poderosos mísseis. Originalmente, o Tomahawk era uma machadinha indígena de pedra e madeira, empunhada com uma mão, que servia tanto como ferramenta de trabalho quanto como arma, e que tinha a vantagem de poder ser utilizada corpo-a-corpo ou arremessada no oponente. Hollywood usou a exaustão em seus filmes a imagem do indígena norte-americano arremessando seus Tomahawks contra os brancos. A arma foi criada pelos povos algonquianos (que incluem os moicanos) que perderam suas terras para os europeus e viram sua população drasticamente reduzida por doenças e pelas guerras.

A apropriação do nome “Tomahawk” para uma peça chave do arsenal bélico dos EUA é uma típica estratégia dos impérios. Na tentativa de contaminar os descendentes indígenas de orgulho nacional e ganhar o conjunto do povo para seu afã hegemonista, os EUA fazem crer que suas pretensões imperiais são na verdade interesse de todo o povo. Querem que mesmo os trabalhadores, os negros, as mulheres, os LGBTS e outros oprimidos que tanto sofreram nas mãos do Estado norte-americano se sintam orgulhosos das conquistas militares de seu país.

Quando um americano vê semelhança entre um bombardeio contra uma nação árabe dilacerada pela guerra e um indígena arremessando machadinhas na luta por manter suas terras significa que o imperialismo conquistou forte posição na luta cultural e ideológica. A esquerda de todo o mundo tem o dever de denunciar as verdadeiras intenções dos EUA e combater esse sentimento nacional entre os explorados e oprimidos. As machadinhas Tomahawk eram arremessadas contra invasores europeus que colonizavam, exploravam e massacravam os povos indígenas. Os mísseis de mesmo nome são ferramentas para colonizar, explorar e massacrar os árabes. Que fique claro. Os indígenas não têm nada a ver com o que Donald Trump está fazendo na Síria.

Foto: Wikmedia

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