Por que pessoas LGBTs não devem apoiar Lula em 2018?

Por: Maria Hora de Macêdo, de Maceió, AL

Diante da atual conjuntura de sucessivos avanços da direita brasileira, o PT vem lançando Lula como alternativa em 2018 aos ataques de Temer e às figuras populares da direita, como Jair Bolsonaro e Aécio Neves. Para isso, o discurso de apoio às demandas LGBTs acaba sendo aplaudido pela esquerda reformista. Mas, ao contrário do que se faz parecer agora, o PT jamais esteve do lado das pessoas LGBTs.

A princípio, cabe considerar que a ausência de uma luta unificada por parte da esquerda revolucionária para disputar a Presidência gera um temor às minorias sociais, que ainda enxergam no lulismo uma saída eficaz para combater a direita e, principalmente, a ascensão dos discursos de ódio de Bolsonaro.

É preciso lembrar que, em 13 anos de governo do PT, sua política conciliadora voltou-se a um diálogo com os setores mais reacionários da direita, formando alianças perigosas que traíram e confrontaram, diversas vezes, a luta da classe trabalhadora. Foram essas mesmas alianças que posteriormente jogaram o partido a escanteio para instituir o golpe parlamentar.

Nesse contexto, o peso de fazer parte dessa classe recai duplamente sobre as pessoas LGBTs, que enfrentam condições de trabalho ainda mais precárias no momento em que são afetadas por diversas problemáticas, como a relação familiar instável e a dificuldade de concluir os estudos para chegar à universidade. São essas condições que contribuem para que elas precisem se submeter a serviços terceirizados — isso quando não recorrem à prostituição.

Mesmo dentro das lutas sindicais, a comunidade de trabalhadores LGBTs sempre teve seu espaço invisibilizado. No ápice da onda de greves dos metalúrgicos no ABC em 1980, momento embrionário do PT e da figura popular de Lula, o entendimento comum de que o movimento LGBT era uma pauta de segunda ordem reforçava a ideia de que, estando o proletariado no poder, todas as outras questões estariam resolvidas.

Nessa época, o próprio Lula chegou a dizer que “não existiam ‘bichas’ na classe operária”, conforme aponta Trevisan, um dos fundadores do Lampião da Esquina, um jornal de temática LGBT que circulou nos períodos finais da ditadura militar.

Mas a confiança de que, estando o PT no poder, as demandas LGBTs seriam escutadas, foi rapidamente traída: foi durante os mandatos petistas que se vetou o programa Escola sem Homofobia, numa negociação com a bancada evangélica do Congresso a fim de salvar o então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci.

Dentre inúmeras outras razões, tais quais a eleição de Marco Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias e o silêncio de Dilma Rousseff perante a retirada dos termos “identidade de gênero” e “orientação sexual” no Plano Nacional de Educação, o discurso de apoio às demandas LGBTs que o PT faz agora para alavancar a candidatura de Lula em 2018 já não é digno do nosso voto de confiança.

É preciso, sobretudo, que agora a classe trabalhadora esteja atuante nas centrais sindicais e na luta organizada junto aos movimentos sociais (mulheres, LGBTs, povos negros e indígenas), em busca de erguer uma frente revolucionária capaz de derrotar a direita e superar o petismo. Só a luta fará valer nossa voz: nenhum direito a menos!

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