MAIS e NOS abrem discussão estratégica para testar a possibilidade de unificação

DECLARAÇÃO CONJUNTA DO MOVIMENTO POR UMA ALTERNATIVA INDEPENDENTE E SOCIALISTA (MAIS) E DA NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA (NOS)

A militância da esquerda socialista brasileira está acostumada a vivenciar processos mais ou menos dolorosos de rupturas, que compõem uma imagem de fragmentação que nos acompanha. Fragmentação e fragilidade aparecem nessas situações como quase sinônimos. Ainda que momentos de intensa reorganização das representações da classe trabalhadora envolvam necessariamente rupturas e reaglutinações, temos que assumir que a conjuntura exige de nós diferentes formas e gradações de atuação unitária das forças políticas comprometidas com a revolução socialista. É esse o espírito que preside esta declaração.

O Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS) e a Nova Organização Socialista (NOS) vêm a público informar que decidiram iniciar uma discussão política, teórica e programática com o objetivo de testar a possibilidade de unificação das duas organizações. Para tanto, o MAIS e a NOS conformam um Comitê de Enlace, que coordenará o processo através do qual buscarão conhecer melhor o programa e as posições políticas de cada parte, identificar pontos de convergência e divergência e avançar em uma atuação comum na luta de classes. Trata-se de um processo que apenas se inicia e cujo resultado não pode ser antecipado com certeza, mas que, diante do atual quadro de dispersão da esquerda socialista brasileira e ofensiva da direita, é certamente um passo importante, que nos enche de entusiasmo. Abraçamos, por isso, essa possibilidade com todo o empenho.

Vale ressaltar que ambas organizações já atuam conjuntamente em vários espaços e já identificaram uma série de convergências em suas posições. Desde o seu surgimento, tanto a NOS quanto o MAIS se colocam como objetivo contribuir com o processo de reorganização da esquerda revolucionária no Brasil. Ambas as organizações rejeitam a ideia de que um partido revolucionário possa se construir unicamente por meio do crescimento linear. Ao contrário, pensamos todos que a construção de um partido marxista passa inevitavelmente por um processo de fusões e reagrupamentos, sempre pacientes e respeitosos, sempre em base a uma profunda discussão política, programática e de princípios.

Além disso, temos noção de nossas modestas dimensões. Caso o processo que ora iniciamos obtenha êxito em seu propósito e permita a unificação das duas organizações, mesmo assim sabemos que há muitas outras organizações revolucionárias no país, que representamos apenas uma pequena fração da esquerda socialista brasileira e que, portanto, a luta pela unificação dos socialistas revolucionários no país deverá seguir com ainda maior força e maior dedicação.

As primeiras discussões realizadas entre nossas organizações já revelaram uma série de acordos importantes: a reivindicação da revolução socialista como única forma de superar a sociedade capitalista; a crítica ao possibilismo reformista e ao corporativismo sindical, tão entranhados na prática da esquerda brasileira; o reconhecimento do proletariado como sujeito da revolução socialista; a estratégia da construção de conselhos de trabalhadores, em suas diversas formas, como instrumentos de luta pelo poder; a necessidade do internacionalismo; a independência de classe; a afirmação da perspectiva materialista da história em sua valorização das classes sociais e da luta de classes contra as visões campistas e pós-modernas de mundo; a ditadura do proletariado como tipo de Estado necessário à transição socialista que abrirá caminho à emancipação da humanidade; a compreensão da democracia burguesa como um regime político que confere forma própria a uma dada dominação de classe e que, por isso mesmo, jamais levará ao socialismo; ao mesmo tempo, a necessidade de utilizar os pequenos espaços dessa democracia como pontos de apoio secundários para a luta de massas; a luta contra todo tipo de opressão e a necessidade de um partido com regime interno democrático e atuação militante centralizada.

Além desses acordos estratégicos e de princípios, possuímos também importantes convergências na luta de classes atual: a visão sobre o balanço dos governos petistas; a avaliação da atual correlação de forças no país; a necessidade da mais ampla unidade de ação contra os ataques dos governos; a luta pela construção de um campo de independência de classe para superar o petismo; a aposta na CSP-Conlutas como um espaço onde ainda é possível batalhar por uma política de classe, combativa e antiburocrática.

Sabemos que as unificações dentro da esquerda revolucionária nunca são fáceis ou simples. Se assim fosse, os marxistas não estariam tão divididos. E embora já tenhamos identificado uma série de acordos e convergências, tanto em relação à estratégia e ao programa, quanto no que diz respeito à intervenção na conjuntura atual, certamente encontraremos diferenças e desacordos ao longo desse processo, mas encaramos isso como algo natural e até certo ponto inevitável. Desacordos teóricos, políticos e até programáticos não são, por si só, impedimento para um processo de fusão. Em primeiro lugar, porque podem ser superados pelo debate e pela prática comum. Em segundo, porque rejeitamos a ideia de uma organização monolítica, onde todos pensam igual em absolutamente todos os pontos.

Ao contrário, entendemos uma organização revolucionária como um espaço vivo, democrático e plural, onde devem conviver companheiros(as) de distintas tradições e origens, onde estão presentes diferentes matizes e sensibilidades políticas, onde todos estão unidos pelos princípios, pelo programa, por uma moral e por uma disciplina voluntária e consciente. Apostamos que é possível chegar a uma síntese desse tipo entre nossas organizações. Sem apressar o ritmo da construção coletiva, mas confiando no debate sincero e fraterno e em que a prática conjunta pode ajudar a resolver muitas diferenças.

Rejeitamos a ideia de uma unificação como um simples acordo de direções. Em processos como esse, a disposição das direções conta, mas é insuficiente. Para que uma possível unificação seja sólida, é preciso construí-la de forma democrática, desde a base. Por isso, impulsionaremos plenárias, reuniões e comitês unificados na base das duas organizações, para que o conjunto da militância possa fazer a fundo a experiência de discussão e atuação conjunta com vistas à fusão.

Direção Nacional da NOS | Direção Nacional do MAIS

Rio de Janeiro – São Paulo, 06 de fevereiro de 2017.

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