Dois anos de ajuste: aonde chegamos?

Editorial de 10 de janeiro |

Quando Joaquim Levy, em 27 de novembro de 2014, foi nomeado ministro da Fazenda pela então presidenta Dilma Rousseff, poucos poderiam prever o precipício que se avizinhava.

Naquele ano, a economia havia crescido magros 0,5%, o desemprego marcava moderados 6,8% e o consumo das famílias ainda crescia, embora em velocidade menor. O boom das commodities, os bons ventos da economia mundial e o dinamismo do mercado interno haviam ficado para trás.

Foi precisamente nesse momento de desequilíbrios crescentes que a ortodoxia neoliberal se impôs como pensamento hegemônico e programa prático de governo. A austeridade capitalista contou para seu triunfo com a completa rendição do PT aos ditames do capital financeiro.

2016: naufrágio econômico e déficit nas alturas
A primeira constatação é que o PIB (Produto Interno Bruto) afundou sob o comando neoliberal. Em 2015, a economia encolheu assustadores 3,8%. A expectativa, para 2016, é de um novo tombo de 3,5%. As estimativas mais animadoras sugerem um crescimento anêmico de 0,7% em 2017, mas muitos analistas temem uma nova recessão.

Quando olhamos os impactos sociais o cenário se torna ainda mais sombrio. O desemprego atinge 12,1 milhões de pessoas, o que equivale a 11,9% de pessoas desocupadas em novembro do ano passado, de acordo com o IBGE. Só em 2016 foram 2 milhões de novos desempregados, sendo um milhão deles foram demitidos na indústria. Em 2017, nada indica que a situação do emprego irá melhorar, ao contrário.

Mas alguns poderiam se perguntar: esse não seria o preço necessário para “arrumar a casa” e conter o déficit do governo?

Mais um engano. Em dezembro do ano passado, o Tesouro informava que a previsão atualizada de déficit para 2016 era de R$ 167,7 bilhões. Para efeito de comparação: lembremos que o déficit fiscal do governo federal em 2014 foi de R$ 17,2 bilhões. Ou seja, após de dois anos de ajuste para “pôr a casa em ordem”, o déficit pulou de 17 bi para mais de 160 bi, um salto espetacular de mais de 900%!

Como fica evidente, a política econômica baseada na austeridade foi um fracasso em toda linha.

O verdadeiro objetivo do “ajuste”
A intenção real da classe dominante não é “equilibrar as contas”, mas sim impor um novo patamar de exploração da classe trabalhadora, de modo a elevar o lucro dos grandes capitalistas. Para tanto, a burguesia quer destruir direitos trabalhistas e previdenciários, rebaixar o salário médio e cortar todo tipo de gastos sociais.

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