PEC do Fim do Mundo aprovada! E agora?

EDITORIAL 14 DE DEZEMBRO

É preciso lutar, é possível vencer!

Assim como no primeiro turno, o governo cumpriu o rito de audiências e votações no segundo turno e os senadores, em sua maioria, aprovaram a PEC do fim do mundo. VitÓria dos poderosos, que mesmo diante de uma crise política profunda, não abriram mão da unidade em torno da aplicação do ajuste fiscal, em especial da PEC 55. Mais à frente será a vez da Reforma da Previdência.

O acordo nos bastidores do STF para tirar Renan Calheiros da linha sucessória da presidência da República, mas mantendo-o na presidência do Senado foi um desgaste assumido pelos poderosos que operam o regime, que contou com a ajuda do próprio PT, vide o papel que cumpriu o senador Jorge Viana, para garantir a aplicação do ajuste. Nem a crise institucional que surgiu foi capaz de ruir a unidade em torno da aprovação da PEC 55. Henrique Meirelles tem conseguido saltar a crise política e redesenhar a constituição de 88, reavendo as mínimas concessões que ali estão, para atender os interesses do capital. Primeiro, remendando com a PEC 55 e em breve reescrevendo com a PEC 287 (Reforma da Previdência), mais uma bomba atômica contra direitos sociais que está sendo preparada por um Congresso corrupto sob orientação do governo ilegítimo de Michel Temer, mais corrupto ainda.

Muitos ativistas devem estar tristes e desanimados, mas agora é hora de dar a volta por cima e não desistir da luta. Fizemos bonito e podemos fazer muito mais, aprendendo com nossos erros e fortalecendo o diálogo entre a esquerda e suas distintas concepções para não perdermos de vista as possibilidades de sempre construir ampla unidade de ação para lutar.

A resistência cresce
Houve forte resistência dos trabalhadores e da juventude contra a PEC do Fim do Mundo, que ajudou a desgastar o governo Temer e o próprio Congresso, que aumentou a audiência sobre o tema na sociedade, ganhando parte significativa da opinião publica. A greve da educação federal em unidade com as ocupações do movimento estudantil, a construção da unidade em torno da grande marcha da educação em Brasília no dia 29 e as manifestações que também ocorrem no dia 13 foram vitórias políticas importantes e que sem dúvida nenhuma foram o maior enfrentamento contra Temer e o Congresso desde o impeachment consolidado. Precisamos ter orgulho de tudo o que fizemos e ter disposição pra fazer muito mais.

Mas, ter orgulho da nossa luta não pode nos cegar pela arrogância. Para impedir que Temer e esse Congresso sigam em frente com tal ofensiva, vai ser preciso ampliar a unidade de ação contra a Reforma da Previdência e outros ataques. As centrais sindicais majoritárias precisam mudar a postura que tiveram esse ano e a busca por ações que movam milhões e que paralise setores estratégicos da economia deve ser uma prioridade. Só o setor da educação não conseguirá derrotar o ajuste.

É preciso organizar já a luta contra a Reforma da Previdência
A luta contra a Reforma da Previdência promete ser mais explosiva do que os enfrentamentos que se deram esse ano. O governo Temer e o Congresso estão mais desgastados também por conta da crise política (Delações da Odebrecht). Há conversas nos bastidores que indicam graves fissuras na base aliada e há quem já está aceitando discutir a queda de Temer e os desdobramentos. Será diante desse cenário mais difícil para Temer que se dará a luta contra a Reforma da Previdência e outros ataques que vão tramitar no Congresso em 2017.

Por isso, desde já, todo o movimento precisa começar a construir uma forte e ampla campanha denunciando as consequências desastrosas para os trabalhadores nas escolas, nas fábricas, nas associações de bairro e nas redes sociais. Temos que despertar a indignação das pessoas em não aceitar de maneira nenhuma que um Congresso de ladrões roube também os nossos direitos.

Temer precisa ser derrubado para a realização de eleições gerais no país
Não está sendo fácil para os senhores do capital administrarem uma crise política grave e ao mesmo tempo conseguir avançar com a aplicação do ajuste fiscal. Nada garante que manterão o controle da situação por muito tempo, como também nada nos autoriza a pensar que os trabalhadores não irão se levantar e sacudir a conjuntura política do Brasil invertendo inclusive a correlação de forças. Para aprovar a PEC 55, o governo Temer usou de muita violência e repressão contra os manifestantes, como também vários governos estaduais como Rolemberg, no Distrito Federal, tiveram a mesma postura.

A margem de manobra para saídas negociadas dos conflitos sociais diminuiu de tamanho. A violência da polícia militar é a única forma dos poderosos imporem à força sua vontade, é a garantia final que seus interesses prevaleceram mesmo que não tenham a razão e nem os melhores argumentos. As experiências das lutas do século XXI não deixam dúvidas que é preciso que o movimento avance no desenvolvimento da sua auto defesa. Todo ataque aos direitos sociais terão sempre o conflito explosivo como forma de desenlace por ser absolutamente irreconciliável os interesses de classe em jogo.

Por último, todo o movimento sindical e a juventude tem uma grande responsabilidade nesse momento, em não só construir uma forte unidade para lutar, mas também apresentar uma saída política para a crise. O Fora Temer e a exigência das eleições gerais precisam ser um objetivo a ser perseguido, associado à luta econômica e democrática e que, necessariamente, precisam se massificar entre os trabalhadores e toda juventude.

Foto: Julia Gabriela | Esquerda Online

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