Metalúrgicos do ABC ocupam Anchieta contra Reforma da Previdência

Por: Coluna ‘Rádio Peão’ – denúncias e relatos do cotidiano do trabalhador

Na manhã desta sexta-feira (9), cerca de seis mil metalúrgicos da VW, Ford, Panex e outras empresas paralisaram parcialmente a rodovia Anchieta em protesto contra a Reforma da Previdência anunciada na última terça-feira pelo governo Temer. Na entrada do segundo turno, os metalúrgicos também decidiram manter a paralisação e dar sequência ao dia de protestos contra a Reforma da Previdência.

Logo após o anúncio da reforma, o clima entre os metalúrgicos foi de revolta generalizada. Todos comentavam e discutiam como seria possível um metalúrgico trabalhar por até 49 anos e chegar aos 65, considerando as péssimas condições de trabalho, o ritmo alucinante das linhas de produção que produzem um exército de lesionados em cinco ou dez anos. Imaginem se seria possível tantos anos neste trabalho.

Por isso, os metalúrgicos, convocados pelo sindicato, aderiram ao protesto e ocuparam a Anchieta. O protesto só não foi maior por conta das desconfianças que muitos trabalhadores têm com o sindicato, já que não mobilizou durante os governos petistas e nem mesmo nos últimos dias de luta ocorridos após o governo Temer.

O protesto teve participação destacada dos terceirizados da Alimentação na VW, que também lutam contra os ataques que vêm sofrendo após a mudança de empresa. Além do ataque sofrido por ser uma categoria terceirizada, sofrem os abusos da empresa Sapore, contratada para servir a alimentação da planta Anchieta.

A empresa vem sistematicamente praticando o desrespeito, como não chamar a eleição da CIPA, o convênio médico contratado muitas vezes recusa o atendimento emergencial e consultas, não pagou adicional noturno e há manobras trabalhista para não pagar horas extras e banco de horas, inclusive nos feriados. Sem falar no atraso no pagamento do vale transporte. Trabalhadoras e trabalhadores que recebem líquido de R$ 1 mil já desembolsaram mais de R$ 300. O mais grave, a empresa pratica ameaça, alegando que tem pessoas para substituir os insatisfeitos. Desde a semana passada, o sindicato da alimentação já fez o aviso de greve e a mobilização continua até que essa situação vergonhosa continue no berço do movimento operário.

É hora dos metalúrgicos do ABC e da CUT organizarem com as demais centrais uma grande paralisação nacional para barrar essa reforma, antes que seja tarde.

Foto: Roberto Parizotti/ CUT

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