Por que defendemos Eleições Gerais Já?

Por Silvia Ferraro, colunista Esquerda Online

No dia seguinte à maior manifestação pelo Fora Temer até agora, a cabeça dos milhares que saíram às ruas de São Paulo, e em outras cidades do país, deve estar cheia de reflexões.

Os dias após o Impeachment foram intensos. Não somente porque os atos tomaram força e desaguaram neste domingo com milhares nas ruas de São Paulo. Mas, principalmente, porque há uma retomada na disposição de luta que antes não estava presente com esta energia.

Ao que tudo indica, o processo vergonhoso do Impeachment fez as pessoas acordarem. Porque se é verdade que defender Dilma já não aglutinava muita gente, vide que o próprio PT não conseguiu emplacar nenhuma manifestação massiva em defesa do mandato da presidenta, também é verdade que assistir a um congresso da pior espécie dar um golpe parlamentar com o objetivo de aprofundar os ataques à classe trabalhadora, provocou um novo mal-estar generalizado.

Foi esse mesmo mal-estar que arrastou multidões às ruas em junho de 2013. Que juntou, em inúmeras pautas, o sentimento de indignação contra a deterioração dos serviços públicos, mas também contra a truculência policial, contra o enriquecimento das empreiteiras através das grandes obras enquanto a saúde e a educação agonizavam.

Agora, podemos viver algo próximo a isso, mas talvez de outra qualidade. Vai depender pra onde este movimento vai ser canalizado. Se as ruas se contentarem em denunciar o golpe parlamentar e esperar o ‘feliz 2018’, respeitando o calendário eleitoral e apostando na repetição de um novo projeto de conciliação de classes com o ‘Volta Lula’, esta energia toda poderá ser desperdiçada mais uma vez.

O ‘Fora Temer’ não pode se transformar numa palavra de ordem para marcar posição. Ele deve ser transformado em ação concreta. Devemos ter o objetivo real de derrubar este governo ilegítimo pela força da mobilização popular. Pra isso, é necessário massificar os atos e ganhar o conjunto dos trabalhadores, ganhar aqueles e aquelas que ainda estão desconfiados, os que ficaram desmoralizados e apáticos, os milhões que ficaram desempregados, os que não estão conseguindo pagar as contas, os que desacreditaram de tudo e que ficaram em casa enquanto a burguesia ganhava a classe média para ser a base social pró-impeachment.

As pautas pelas demandas concretas contra os ajustes e as reformas que estão se desenhando devem ser combinadas com a pauta política da derrubada do governo. Aproveitar a centelha de retomada de consciência para disseminá-la, para ampliá-la em direção a uma saída política que não passe por respeitar o calendário eleitoral.

Os banqueiros, a Fiesp, os grandes empresários, os investidores chineses e americanos, e toda a burguesia querem a estabilidade para aplicar as reformas. Querem a pacificação. Devemos querer a guerra! E a guerra passa em primeiro lugar em dizer que não aceitamos ‘feliz 2018’. Que o governo ilegítimo deve cair e que o povo deve decidir quem vai governar.

A saída ‘Diretas Já’ também não é suficiente. Não bastam novas eleições presidenciais e manter o congresso usurpador, corrupto e reacionário. É preciso trocar tudo. E por isso estamos juntos com todas as organizações da esquerda socialista que estão propondo novas eleições gerais. Não porque acreditamos na saída eleitoral. Acreditamos que se for pela força da mobilização popular que isso se concretize, estará estabelecida uma nova correlação de forças, capaz de forjar um novo projeto que não repita o passado, um projeto de real enfrentamento com o capital e não de conciliação com ele.

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