Brasil
Renato Roseno: “A indústria dos agrotóxicos repete as estratégias da indústria do tabaco nos anos 1970”
O deputado estadual Renato Roseno (PSOL), do Ceará, é autor da Lei Zé Maria do Tomé, em vigor há três anos e que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos no Estado. Nesta entrevista ao Esquerda Online, Roseno fala sobre as consequências do despejo dos fungicidas para a saúde da população e o meio ambiente e compara as tentativas do agronegócio de negar os danos à saúde com a estratégia dos fabricantes de tabaco, que patrocinavam estudos para negar a relação entre o cigarro e o câncer e outras doenças. Roseno também lembra como o agronegócio tentou criar pânico após a aprovação de sua lei, como se a produção de alimentos não pudesse abrir mão do uso de agrotóxicos; lembra a luta de Zé Maria, agricultor cearense assassinado em 2010 por lutar contra o despejo do veneno por aviões, e, por último, chama atenção para a ação movida por defensores dos agrotóxicos no STF, para tornar a lei inconstitucional. “Se a gente perde essa ação, quem perde é o Brasil inteiro”, afirma, acrescentando que 19 projetos semelhantes tramitam nos estados e no Congresso Nacional, e que dependem do julgamento.
A entrevista foi realizada no dia 8, na véspera da Câmara dos Deputados aprovar, com 301 votos e em regime de urgência, o “pacote do veneno”, um retrocesso histórico para o setor e que vai afetar a saúde da população. “Mais de um terço de todos os agrotóxicos liberado aqui no governo Bolsonaro já foi banido na Europa”, lembra Renato. “Agrotóxico não tem imposto federal, não tem imposto estadual, causa problemas de saúde e meio ambiente, e quem paga a conta é o SUS!”, denuncia.