Está em dúvida sobre seu voto? O que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2026?
Publicado em: 23 de outubro de 2026
TSE
Restam poucos dias para o segundo turno das eleições de 2026, que ocorrerão no próximo domingo. Você está em dúvidas se vai votar nestas eleições? Em quem votar? Se você acha que seu voto será indiferente, quero conversar contigo e te dizer que o seu voto será crucial.
O resultado eleitoral do primeiro turno foi catastrófico. O candidato de extrema direita, Flávio Bolsonaro, obteve o equivalente a 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 45,16%. Uma diferença de 1,87%, ou seja, 2.224.965 votos.
Entretanto, o resultado do primeiro turno não expressa, por si só, a totalidade das forças políticas em disputa. É preciso considerar que 21,08% do eleitorado não compareceu às urnas, o equivalente a cerca de 33 milhões de pessoas, além dos votos brancos e nulos, que somaram quase 5% do total.
Temos, portanto, um contingente expressivo de eleitores cujo comportamento poderá influenciar decisivamente o resultado do segundo turno. Soma-se a isso o universo dos chamados votos flutuantes, estimado em 7,8% do eleitorado, composto, em particular, por pessoas que votaram em candidaturas derrotadas no primeiro turno, especialmente Cury, Renan e Caiado. A disputa por esses votos, assim como pelo convencimento de quem se absteve ou anulou o voto, será decisiva para definir o desfecho eleitoral.
Votar, anular ou se abster: quais são as consequências de cada escolha?
Está em dúvidas em quem votar no próximo domingo? O que torna esta eleição crucial para nossas vidas? Peço que leia com atenção estes breves parágrafos.
Em determinadas situações concretas, a abstenção e o voto nulo podem constituir formas legítimas de manifestação política. Há circunstâncias em que expressam uma crítica consciente às alternativas eleitorais, uma recusa a determinadas candidaturas ou o distanciamento em relação a um sistema político que não representa as aspirações de parcelas da sociedade. Não se trata, portanto, de desqualificar essas posições, muito menos de ignorar as razões que levam tantas pessoas a se afastar das urnas.
Mas é preciso considerar a singularidade desta eleição. Não estamos diante de uma disputa ordinária, em que as diferenças entre candidaturas possam ser avaliadas sem levar em conta as consequências mais amplas de seu eventual resultado. O Brasil está em disputa. São apenas duas candidaturas. Estão em jogo projetos de país, concepções de democracia, direitos, liberdades e as condições concretas de vida da população.
Neste sentido, necessário perguntar: quais são as consequências concretas de cada escolha — inclusive da decisão de não participar?
O voto não é apenas uma decisão individual, nem se esgota na expressão de preferências pessoais. É também uma intervenção na vida coletiva, com consequências para quem vota e para quem sequer tem a possibilidade de escolher. A questão, portanto, não é exigir que todos abandonem suas dúvidas, mas reconhecer que há momentos em que a responsabilidade democrática exige enfrentá-las.
Nesta eleição, não basta perguntar se alguma candidatura nos representa integralmente. É preciso refletir também sobre o país que cada resultado pode produzir, sobre os direitos que podem estar em risco e sobre as consequências que ultrapassam o momento da votação. A indiferença política não é necessariamente uma posição neutra: mesmo quando não expressa apoio deliberado a qualquer candidatura, pode contribuir, na prática, para um resultado cujas consequências serão compartilhadas por toda a sociedade.
Em eleições normais, compreendo o voto nulo crítico defendido por pequenas organizações de tradição de esquerda – a chamada “esquerda radical”-, cuja posição se inscreve em uma trajetória histórica de crítica às instituições e de recusa às alternativas apresentadas pelo sistema político. Essa posição merece ser compreendida em seus fundamentos, e não simplesmente desqualificada. Entretanto, é preciso considerar a excepcionalidade desta disputa: em um segundo turno polarizado entre dois projetos políticos, o voto nulo, ainda que motivado por razões críticas, deixa de contribuir para a escolha entre as candidaturas e pode favorecer indiretamente o resultado da extrema direita, ao reduzir o contingente de votos válidos que poderia se contrapor a ela. Não por acaso, mesmo setores de tradição anarquista — historicamente críticos à democracia representativa e às instituições do Estado tem assumido posições táticas em defesa das liberdades democráticas e contra a candidatura que se identificam com o neofascismo.
A questão, portanto, não é abandonar convicções históricas, mas se posicionar quando temos diante de nós duas candidaturas que eventualmente não temos acordo programático ou não nos identificamos: a escolha tem que ser barrar o que há de pior e esteve como primeiro colocado em primeiro turno. Não subestimemos o perigo da extrema direita. Se é verdade que uma eleição não resolve a vida da nossa classe, o resultado não é indiferente, pode ser, inclusive, desastroso, para o povo pobre e oprimido. O resultado eleitoral é incerto, mas certamente será decidido por margem mínima. E aí está o peso dos votos brancos, nulos e das abstenções.
Conheça o histórico do candidato Flávio Bolsonaro?
Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, no âmbito da trama golpista investigada após as eleições de 2022, Flávio Bolsonaro exerceu desde 2003 quatro mandatos consecutivos como deputado estadual no Rio de Janeiro (ALERJ) e assumiu uma cadeira no Senado em 2019. Nestas eleições apresenta-se como substituto do pai, sendo candidato pelo PL à presidência da República.
Seu nome está envolvido no escândalo das “rachadinhas” de Fabrício Queiroz, ocasião em que foi denunciado pelo Ministério Público por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. Sobre o mesmo tema, houveram suspeitas de que Flávio Bolsonaro utilizou uma franquia da Kopenhagen, localizada em um shopping na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, como fachada para lavar dinheiro do esquema de “rachadinhas” operado em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), uma vez que haveria suspeita de incompatibilidade de faturamento do negócio – registros de dinheiro vivo, padrão de depósitos em espécie (com picos em datas de pagamento e no 13º salário) e contrastante com o fluxo natural do varejo de chocolates. Há também o caso de aquisição e quitação de mansão luxuosa em Brasília, aquisição milionária e incompatível com o salário formal de parlamentar.
Seu histórico o vincula a integrantes de milícias e organizações paramilitares. Flávio Bolsonaro manteve relações pessoais com milicianos e lhes concedeu homenagens e condecorações oficiais. É o caso de sua relação com o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do “Escritório do Crime”, grupo de matadores de aluguel que atuava no Rio de Janeiro. Flávio concedeu-lhe uma moção de louvor e, em outra ocasião, entregou-lhe pessoalmente, no batalhão especial prisional, a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Alerj. Adriano havia sido expulso da Polícia Militar e era apontado como chefe de um grupo de extermínio e líder de milícia no estado.
Flávio também condecorou o major Ronald Paulo Alves Pereira, condenado por envolvimento no assassinato de Marielle Franco, e o coronel Cláudio Luiz de Oliveira, condenado pelo assassinato da juíza Patrícia Acioli. Já como senador, destinou R$ 200 mil em emenda parlamentar individual a uma área dominada por milícias, atendendo a uma solicitação de um ex-assessor de Domingos Brazão, condenado pelo planejamento do homicídio de Marielle Franco.
Como se não bastasse, Fabrício Queiroz, ex-segundo-sargento da PM apontado como articulador do recolhimento de salários de servidores comissionados no gabinete de Flávio, foi seu assessor e motorista durante o mandato de deputado estadual na Alerj. Flávio chegou a nomear em seu gabinete a mãe e a ex-esposa de Queiroz. Para completar esse quadro, os irmãos Alan e Alex Rodrigues Oliveira, conhecidos como os “gêmeos da PM”, que atuavam como seguranças pessoais de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual, foram presos na Operação Quarto Elemento, da Polícia Civil, sob acusação de integrar uma milícia e participar de esquemas de cobrança de propina na Baixada Fluminense.
Em 2021, o próprio senador Flávio Bolsonaro integrou a equipe de advogados de defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, que fora preso preventivamente. O cabo da PM fora acusado de matar a menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, com um tiro de fuzil em fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ). Em abril de 2024, utilizando seu registro de advogado, o senador assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com o objetivo de impedir que o policial fosse a júri popular.
Outro fato embaraçoso em sua trajetória refere-se à compra de imóveis em dinheiro vivo e questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados nas transações. Investigações jornalísticas e desdobramentos de auditorias apontaram que a família Bolsonaro realizou a compra de 107 imóveis entre 1990 e 2020, sendo que 51 dessas transações foram feitas, total ou parcialmente, com dinheiro vivo. O “Zero Um” dos Bolsonaro esteve diretamente associado a essas negociações. Ele adquiriu 17 apartamentos e duas kitnets na Zona Sul do Rio de Janeiro pagando parcelas expressivas em espécie. As suspeitas envolvem lavagem de dinheiro e subfaturamento de valores venais.
Em 2025, o candidato bolsonarista incitou o desrespeito a decisões judiciais e atuou de forma incompatível com o decoro exigido pelo cargo público, conforme notificou o stf em ocasião das ordens de prisão expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra seu pai, Jair Bolsonaro.
Mais recentemente, Flávio Bolsonaro esteve envolvido em escândalos por seu vínculo com suspeitos de fraude no INSS e lavagem de dinheiro, bem como pelo financiamento do Filme Dark Horse e seu esquema com Emendas Parlamentares – contexto em que Flávio tornou-se alvo de apurações da Polícia Federal sob as suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa, evasão de divisas e corrupção.
O escândalo mais recente: Segundo investigações autorizadas pelo STF, Flávio atuou como interlocutor direto de Daniel Vorcaro (Banco Master) para viabilizar aportes milionários (cerca de US$ 14 milhões dos US$ 24 milhões solicitados) e obter empréstimos do BRB para favorecimentos pessoais. Mensagens e áudios obtidos pela PF mostram cobranças de parcelas e reuniões entre os dois em 2025, mesmo o candidato ter alegado desconhecimento do banqueiro até então. Divulgados recentemente, relatórios da PF apontaram o nome de Flávio Bolsonaro como “usuário master” em uma conta bancária de uma offshore ligada ao esquema do Banco Master.
As posições políticas de Flávio também são indefensáveis. Flávio Bolsonaro foi o único deputado estadual a votar contra a ampliação da licença-maternidade das servidoras públicas civis do Rio de Janeiro, de quatro para seis meses, em 2009 (a votação foi de 54 votos contra um). Em maio de 2026, o candidato bolsonarista votou sozinho contra uma proposta que previa multas para estabelecimentos que comercializassem cartões-postais com imagens de mulheres seminuas, em uma iniciativa de combate ao turismo sexual no Rio de Janeiro. Foram 37 votos favoráveis e apenas um contrário: o dele.
Note que, apesar de ser filho do então presidente da República, Flávio Bolsonaro não conseguiu fazer avançar sua agenda parlamentar. Ao longo de oito anos de mandato como senador, não aprovou nenhum projeto de lei de autoria própria. Para sermos rigorosos, há uma única lei associada ao seu nome, de autoria coletiva e sancionada com vetos presidenciais. O balanço é eloquente: mesmo contando com a influência política de seu pai na Presidência da República, Flávio Bolsonaro não conseguiu converter essa proximidade em realizações legislativas expressivas. Trata-se de um retumbante fracasso político-parlamentar.
Seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, o “bananinha” fujão, encontra-se foragido nos EUA e é considerado oficialmente procurado pelas autoridades brasileiras, após o após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o início imediato do cumprimento de sua pena – com ordem de prisão e passaportes cancelados. Seu pai, Jair Bolsonaro, cumpre pena após condenação por, dentre outros crimes, tentativa de golpe de Estado.
Ou seja, seu nome está associado a relações com integrantes de milícias criminosas, a vínculos políticos com pessoas envolvidas em atividades criminosas e a um projeto golpista que não conseguiu se consolidar no país. Hoje, Flávio Bolsonaro se apresenta como um dos principais representantes do bolsonarismo, corrente de extrema direita marcada pelo autoritarismo e pela oposição a direitos humanos, direitos trabalhistas e liberdades democráticas. Trata-se de um campo político que ameaça conquistas históricas da sociedade brasileira e cuja agenda coloca em questão direitos fundamentais, garantias democráticas e a própria convivência política plural.
Qual o significado destas eleições em segundo turno?
Vivemos tempos em que, como diria Shakespeare, “o mundo está fora dos eixos”, e não faltam aqueles que trabalham para desarticulá-lo ainda mais. Estas eleições vieram em um dos momentos mais difíceis da história brasileira nos últimos anos. Posicionar-se é preciso. É imperioso refletir sobre o mundo em que vivemos e sobre o futuro que estamos construindo. Lembrando as considerações de um dos mais importantes sociólogos do trabalho de nosso continente:
Você se preocupa com o mundo e com a natureza? Recusa o negacionismo e se inquieta com a devastação ambiental, as queimadas, as chuvas extremas e a destruição dos ecossistemas? Reconhece que a busca incessante pelo lucro, sob a lógica de um capital indiferente aos limites ambientais e às consequências sociais de sua expansão, contribui para agravar a crise ecológica? Então, é preciso considerar também as escolhas políticas que podem aprofundar ou enfrentar esses problemas. O futuro ambiental não está separado da disputa sobre os rumos da sociedade, o papel do Estado e os interesses econômicos que orientam as decisões políticas.
Você é a favor da devastação dos direitos trabalhistas? A proposta de flexibilização das relações de trabalho defendida por Flávio Bolsonaro recoloca em pauta a possibilidade de contratos com remuneração por hora, direitos proporcionais à jornada e acordos individuais entre patrões e empregados que podem prevalecer sobre a negociação coletiva. Sob o discurso da liberdade de escolha, está em debate uma mudança na relação entre capital e trabalho que suscita preocupações quanto à proteção dos trabalhadores, à estabilidade da renda e à capacidade de negociação coletiva. Daniella Marques é indicada como possível ministra e coordenadora do núcleo econômico da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) defende o modelo econômico de Javier Milei na Argentina, cuja devastação econômica tem sido perversa para nossos vizinhos.
Você é a favor da opressão de gênero, raça, sexualidade e contra imigrantes? O projeto bolsonarista é machista, racista, homofóbico e xenófobo. Afinal, que lugar ocupam a igualdade, o combate à discriminação e a proteção dos grupos historicamente vulnerabilizados no projeto de país que se pretende construir. O bolsonarismo representa uma afronta à própria compreensão dos direitos humanos e uma ameaça às liberdades democráticas, ao pluralismo e à construção de uma sociedade fundada na dignidade humana, na igualdade de direitos e no respeito à diversidade.
Você é a favor de um mundo marcado por guerras e intervenções promovidas pelo imperialismo norte-americano?
A recolonização do Brasil pelos EUA é um perigo. É notório o alinhamento político do bolsonarismo com Donald Trump, expresso na subordinação dos interesses nacionais aos interesses dos Estados Unidos e do capital internacional. Suas propostas de concessões e privatizações ameaçam a soberania nacional e a capacidade do Brasil de decidir autonomamente sobre suas riquezas estratégicas. No campo diplomático, o bolsonarismo chegou a atuar contra os próprios interesses brasileiros, estimulando tensões nas relações comerciais com os Estados Unidos e contribuindo para a ofensiva de Trump, que impôs tarifas sobre produtos brasileiros. Trata-se de uma postura de submissão que compromete a soberania nacional, enfraquece a autonomia diplomática do país e coloca os interesses do povo brasileiro em segundo plano.
Se você é contra essas medidas ou parte significativa delas, só há uma alternativa neste segundo turno eleitoral. Se você é apoiador da ciência, das artes, da cultura, da educação pública e do SUS, a escolha não é difícil se posicionar.
A alternativa é voto em Lula! Votar 13 nestas eleições do dia 25 de outubro não te torna petista, lulista ou apoiador dos governos do PT. Te afirma como alguém preocupado com o cenário político e com o futuro das liberdades democráticas no país.
Lembrar é resistir
Em Educação após “Educação após Auschwitz” (1956), o filósofo Teodor Adorno nos lembra que impedir que Auschwitz se repita é a tarefa primordial da educação. Qualquer discussão perde o sentido se não tiver como objetivo central evitar que a barbárie, o ódio cego e o autoritarismo voltem a ocorrer.
Em 1932, Adolf Hitler disputou a Presidência da Alemanha pelo Partido Nazista (NSDAP), obtendo aproximadamente 30% dos votos no primeiro turno e 36,8% no segundo. Foi derrotado por Paul von Hindenburg, que acabou reeleito presidente. Naquele mesmo ano, nas eleições parlamentares de julho e novembro, o Partido Nazista conquistou, respectivamente, 37,3% e 33,1% dos votos, tornando-se a maior força política do Parlamento, embora sem alcançar a maioria absoluta.
Em 30 de janeiro de 1933, Hindenburg nomeou Hitler chanceler, encarregado de chefiar um governo de coalizão com a participação de nazistas e políticos conservadores. Embora o Partido Nazista tivesse obtido a maior votação parlamentar, não conquistara a maioria absoluta dos votos populares, e Hitler não havia sido eleito diretamente para o cargo de chanceler. Uma vez no governo, Hitler e o movimento nazista promoveram a destruição progressiva das instituições democráticas, restringiram direitos e liberdades e consolidaram uma ditadura. O restante dessa história, infelizmente, nós conhecemos.
No Brasil, vivemos uma ditadura civil-militar entre 1964 e 1985. Aprendemos com a história. Mas precisamos trazer este aprendizado para o aqui e agora. Sob o bolsonarismo no Brasil, estamos diante de um projeto regressivo, reacionário e autocrático, que pretende utilizar os instrumentos da democracia para modificar suas próprias regras e limitar as condições de sua continuidade. É um projeto de poder autoritário, personalista e avesso ao pluralismo, que busca subordinar as instituições e a vida pública a uma lógica de confronto permanente, intolerância e concentração de poder. Em termos estratégicos, o que pretende a extrema-direita não é outra coisa senão conquistar a Presidência da República, ampliar sua maioria no Senado Federal e assegurar condições para exercer maior controle e influência sobre o STF. Trata-se, portanto, de uma estratégia de ocupação simultânea do Executivo e do Legislativo, combinada à disputa pelo controle das instituições do Judiciário. Como não conseguiram consumar o golpe de Estado, a extrema-direita busca agora construir, pela via eleitoral, a maioria necessária para implementar seu projeto autoritário e antidemocrático — e está disposta a fazer isso a qualquer custo.
Por que Flávio Bolsonaro não aceita o desafio dado por Lula no debate eleitoral da Band neste último domingo? Diante das acusações de corrupção dirigidas a ambas as campanhas, Lula desafiou os dois candidatos a abrirem seus sigilos bancário e telefônico. “Te desafio, você e eu, amanhã, a abrirmos nossas contas bancárias e nosso sigilo telefônico, para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão. Eu abro o da minha família inteira e você abre o da sua família”, declarou Lula. Flávio não aceitou publicamente o desafio durante o debate e, até as informações consultadas, não havia confirmado a adesão à proposta formal apresentada por Lula. O que o candidato teria a esconder?
Ao fim e ao cabo, estamos diante de uma situação perigosa
A vitória eleitoral da extrema direita para governadores, deputados e senadores foi o gatilho. Diante da terrível ameaça representada pela eleição do bolsonarismo à presidência, uma onda de manifestações ininterruptas de massas tem ocupado as ruas! A maioria delas são espontâneas. Já atingem a escala de milhões. A disputa é pela virada dos resultados eleitorais. Estamos diante de um empate técnico, segundo as pesquisas eleitorais de opinião pública. A esperança de que a sensatez irá vencer as trevas corre nas veias da juventude e dos trabalhadores que levantam seu punho esquerdo com a sede e disposição de vencer e derrotar a extrema direita. O mundo inteiro olha para o Brasil neste momento histórico. A campanha para eleger Lula é muito maior e está para além do PT.
É por isso que a defesa da democracia não pode ser reduzida a uma disputa entre esquerda e direita. Neste segundo turno, é preciso construir uma convergência ampla, reunindo forças democráticas de diferentes tradições políticas em torno da candidatura Lula-Alckmin. A tarefa imediata é impedir o avanço de um projeto autoritário; a tarefa estratégica, que continuará depois das eleições, é reconstruir a organização popular, fortalecer a participação política e criar alternativas capazes de responder às necessidades concretas da classe trabalhadora.
Esta eleição é uma luta por um suspiro político, isto é, a afirmação de direitos existentes ou barbárie. Precisamos entender o perigo apocalíptico representado pelo bolsonarismo. Votemos conscientes do peso de nosso voto neste segundo turno!
Cada voto será decisivo! Não deixe de votar neste segundo turno. O nosso destino e o futuro de nossos filhos e filhas depende do seu voto!
Ver esse post no Instagram
Mais lidas
colunistas
Lula e a lua vermelha
brasil
Está em dúvida sobre seu voto? O que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2026?
mulheres
O voto das mulheres decide: domingo é lula!
colunistas
Onda vermelha disputa a virada
brasil









