Entre o diagnóstico, o prognóstico e a ação: como realizar uma virada histórica


Publicado em: 20 de outubro de 2026

Pedro Costa, de Brasília-DF

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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Esquerda Online

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Crédito Ricardo Stuckert

Ato com Lula em São Luis (20/10/26)

Ouça a Notícia:

As últimas pesquisas de intenção de voto falaram em alto bom som: temos todas as condições de vitória. Lula e Flávio Bolsonaro já aprecem empatados dentro das margens de erro, com uma tendência ascendente do primeiro e de queda (ou pelo menos estagnação) do segundo.

Em minha avaliação, este segundo turno pode ser caracterizado da seguinte forma:
Primeira semana: levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima;
Segunda semana: a esperança ativa
Terceira semana: ofensiva total

Depois do susto, de retirarmos a cabeça para fora e percebermos que a histórica é, ao fim e ao cabo, fruto de nossas mãos, estamos diante da possibilidade concreta de elegermos Lula e realizarmos a maior virada eleitoral que este país já viu. Não subestimemos a dificuldade da empreitada e o perigo do outro lado. Flávio Bolsonaro ainda está à frente, mesmo que com Lula cheirando o seu cangote. O lado de lá tem todo o andar de cima ao seu lado, com tudo que isso significa em termos de dinheiro e poder. Melhor dizendo, o lado de lá é o andar de cima. Adicionalmente, ele tem intensificado as medidas de censura, encontrando um grande aliado no TSE de Kássio Nunes Marques.

Como diz o meu amigo Lucas Brito: o “já virou” é irmão do “já ganhou”, que é irmão do “já perdeu”. Antes de sermos otimistas ou pessimistas, sejamos realistas ativos: precisamos ganhar esta eleição; e ela precisa que a gente a ganhe. E as condições para isto estão postas. Nos municiemos delas para sairmos do diagnóstico, passando pelo prognóstico para a ação. Tudo isso junto misturado e em ritmo intenso, nestes 9 dias que nos restam.

Seguem algumas impressões a horizontes a partir das pesquisas mais recentes e do clima político do país:

1. Parece que o Flávio bateu no teto antes do Lula. As impressões que muitos de nós tínhamos parecem estar sendo confirmadas: o crescimento de Flávio no último dia (p. ex., o Datafolha cravou os 45% de Lula, mas apontava 42% para Flávio, e não 47%) se deu em grande medida já por uma migração de votos úteis dos outros 4 candidatos (Cury, Caiado, Renan e Zema).

Sendo assim, quem já era mais propenso a votar em Flávio Bolsonaro no segundo – vou chamar aqui de “votos fortes” – já o fez no primeiro turno.

Por que isso é importante? Para além da questão já mencionada, porque os votos que Flávio ganhou nas pesquisas de segundo turno, são mais fáceis de serem retirados, isto é, não são votos tão convictos, que podem ser concretamente abstenções no segundo turno (o que penso ser mais possível) ou até votos de Lula (o mais difícil). Precisamos mirar estes “votos fracos”.

2. Considerando o exposto, um dos eixos fundamentais que temos nesta última semana é: continuar a mostrar quem Flávio Bolsonaro é e o que ele pretende realmente fazer – como seu governo tende a ser um Bolsonaro 2 com anabolizantes e todos os riscos que corremos. Precisamos continuar nossa ofensiva contra Flávio, no que chamarei de caminho pela “negativa”. O avanço da censura e a chancela do TSE já na campanha nos dão totais indícios do que enfrentaremos, caso ele seja eleito, com o “bônus” de ter a maioria do Congresso e Senado. Além disso, Flávio é um desqualificado, com todas as ligações expostas com milícia, rachadinhas e afins. As últimas evidências das relações espúrias com Master e Vorcaro também caem em seu colo, com personagens adicionais que precisamos explorar, como é o caso de Kássio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, e que, segundo a Piauí, pareceu se utilizar do lá serviços de Vorcaro para seus desejos sexuais. Além disso, o candidato possui uma inabilidade política proporcional aos seus vínculos com o espúrio – vide o erro crasso de sua parte de rifar Alcolumbre, Motta e o “centrão”, tendo acreditado já estar eleito a partir dos resultados 1º turno

Como tenho falado, se tem um candidato capaz de se autoderrotar, é Flávio Bolsonaro. Continuemos na ofensiva contra ele, que nada mais é do que mostra quem ele é. Como falado, isso pode significar algumas abstenções, com pessoas deixando de votar nele, quiçá até alguns pouquíssimos – mas valorosos – votos críticos em Lula.

3. O crescimento de Lula nos últimos dias reitera também que ele tinha mais “campo para avançar” do que Flávio, sobretudo nas pessoas indecisas e/ou que não foram votar. Mesmo os 4 candidatos mais votados para além de Lula e Flávio não sendo de esquerda, também fica demonstrado que os votos neles eram (e são) disputáveis. Aí temos que ser bem táticos: o principal argumento para tentar convencer eleitores de Renan, é aproveitar as próprias críticas de Renan à Bolsonaro, adicionando o fato de que a eleição de Flávio é o pior cenário para Renan em 2030. No caso de Caiado, penso que há um apelo a ser feito à racionalidade, à defesa da democracia, num sentido de voto crítico em Lula (ou anti-Bolsonaro). Os de Zema já são ainda mais complicados e penso que só devemos investir em casos muito específicos, até porque sua votação foi pífia e se somarmos as votações de UP, PSTU e PCB, avalio que elas acabam por neutralizar os votos que migrarão de Zema para Flávio no segundo turno. Deixei o principal por último: os votos de Cury (os 3,5 milhões) são os mais disputáveis e passíveis de serem virados para Lula. A pesquisa da QUAEST já confirma isso. Para isso, precisamos de escuta, acolhimento às críticas (muitas delas, nós também temos) e diálogo. Não vou me estender aqui porque já tem bastante orientação quanti a isso nas redes. Mas penso que dois pontos são fundamentais: a) o que falei anteriormente, sobre quem Flávio é, e como ele representa exatamente o oposto da figura de Cury; e b) tocar em temas sensíveis e, no caso de Cury, um psiquiatra que ficou famosos falando de temas de “bem-estar”, trazer as medidas mais recentes anunciadas por Lula ou conquistadas em seu governo (fim da 6×1, tarifa zero, auxílio a MEIs, dentre outras), bem como o que foi o governo de Jair Bolsonaro para a saúde e saúde mental (para quem não sabe, não suficiente as 700 mil mortes na pandemia, o governo de Jair desfinanciou o SUS com cortes orçamentários e chegou a extinguir a coordenação de Saúde Mental).

4. Resta o que temos de maiores possibilidades de avanço (que as pesquisas também confirmam): pessoas indecisas e/ou que não foram votar. Aqui, temos duas táticas conjugadas: a) continuar demonstrando quem Flávio é e os riscos que ele apresenta, de modo que consigamos votos críticos em Lula contra Flávio, ou seja, o caminho pela “negativa”; e b) o caminho pela “positiva”, aproveitando as medidas mais recentes do governo Lula e como eles nos possibilitam algo de futuro. Nos últimos meses e semanas, o governo Lula foi para cima, fazendo o que sempre requisitamos, e nisso já temos um saldo de auxílio aos MEIs, PEC de Tariza Zero nos fins de semana, reajuste do Bolsa Família, perdão de dívidas a pessoas e famílias endividadas, dentre outras. A principal todos nós sabemos: a maior conquista da classe trabalhadora em décadas (e uma conquista civilizacional), com o fim da escala 6×1, com redução da jornada de trabalho para 40h e sem redução salarial. Tudo isso tem que ser apresentado e debatido com as pessoas. Tanto porque nos permitem melhores condições de vida e prospectar algo de futuro, quanto porque a eleição de Flávio coloca esses avanços em xeque. Mais uma vez, temos a dialética da tática “negativa-positiva”. Esse é o nosso principal eixo de diálogo e de conversa com as pessoas que ainda não decidiram em quem votar ou que não votaram no segundo turno. É fundamental apresentar a elas algo que o governo e nós não fomos capazes até o primeiro turno, e as medidas mais recentes nos possibilitam ainda mais isso: condições para um futuro melhor.

5. O mais importante: nada do que foi falado se automaterializa. É preciso, mais do que nunca, rua (e redes)! Necessitamos fazer o que sabemos fazer melhor do que ninguém, mesmo que tenhamos esquecido disso ou aberto mão nos últimos anos, apostando na institucionalidade. O movimento estudantil e juventude mostraram a sua grandeza e como não são nenhuma dessas narrativas que os tomam como fatalistas, acomodados, que só pensam em si. A juventude tem é fome de futuro. A questão é que é difícil ter fome daquilo que não se vislumbra, que está opaco. Por outro lado, o futuro representado por Flávio Bolsonaro é o da barbárie. Por isso, mesmo a juventude é alimentada pelo giro recente do governo Lula, ao mesmo tempo que foram as suas mobilizações que fomentaram tal giro, assim como emparedaram a extrema direita e Flávio Bolsonaro – o caso da votação do fim da 6×1 no Senado é emblemático. Continuemos com as denúncias a Bolsonaro e os perigos que ele significa, continuemos as escutas e diálogos com a população, o vira voto, as manifestações e atos. Sejamos úteis ao nosso país! As duas últimas semanas já são históricas, mas queremos e precisamos de mais. É luta! Devemos continuar ativos, atuando a quente, puxando as rédeas do governo Lula e dos rumos políticos de nosso país. Mais do que nunca, o futuro do Brasil está em nossas mãos.
Temos pela frente aqueles que podem ser os 9 dias mais importantes de nossas vidas. Não há nada garantido, e temos muito mais incertezas do que certezas. A questão é que se coloca é que, dentro dessas certezas, a principal é: se Flávio Bolsonaro for eleito, nossa realidade será muito pior e muito mais difícil. Estejamos à altura do momento e o que ele exige de nós. Arregacemos as mangas, sem vacilação, com toda a unidade possível e continuemos na luta, avançando. Deixemos para descansar e para “sentir” o contexto no dia 25, à noite, esperemos que depois de termos ouvido que Luis Inácio Lula da Silva foi eleito pela 4ª vez o presidente de nosso país. Saiamos destes 9 dias exaustos, mas com a sensação de que fizemos tudo que estava à nossa disposição para eleger Lula, evitar a barbárie e salvar nosso país.

Aqueles e aquelas que queriam um motivo para fazer história, estamos diante do maior de todos: salvar o nosso país!
Bora virar, Lula!


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