Solidariedade ao povo venezuelano e defesa da soberania nacional
Publicado em: 10 de julho de 2026
TeleSUR
O terremoto que atingiu a Venezuela representa uma das mais graves tragédias humanitárias da história recente do país e do continente. Em poucos minutos, cidades inteiras foram abaladas, milhares de famílias perderam suas casas e uma infraestrutura já fragilizada entrou em colapso, especialmente nas regiões mais atingidas.
De acordo com o balanço oficial mais recente, divulgado pelo governo venezuelano, os fortes terremotos que atingiram o país no dia 24 de junho deixaram pelo menos 3.685 mortos, até o presente. Além das vítimas fatais, as autoridades confirmaram cerca de 16.740 feridos e mais de 17 mil desabrigados.
A tragédia foi provocada por dois terremotos consecutivos de grande magnitude (um abalo inicial de 7,2 seguido por um principal de 7,5 apenas 39 segundos depois). O estado costeiro de La Guaira foi a região mais afetada e o epicentro da destruição, mas a capital, Caracas, também sofreu sérios danos com o desabamento de edifícios. Dados Oficiais do Governo indicam ainda para 855 edifícios gravemente afetados, dos quais 189 colapsaram totalmente (virando escombros), além de danos severos reportados em pelo menos 38 hospitais e dezenas de centros comerciais.
Algumas equipes internacionais de resgate continuam prestando assistência humanitária no local, enquanto o número de pessoas desaparecidas ainda é incerto, com estimativas que variam para mais de 10 mil pessoas.
Definitivamente uma tragédia humanitária gigante, com mortos, feridos, desabrigados e destruição de moradias e equipamentos públicos e privados, o que exige solidariedade internacional, cooperação humanitária e um esforço amplo de reconstrução e assistência aos sobreviventes e afetados.
No entanto, nenhuma análise séria pode limitar-se apenas ao fenômeno natural. Terremotos são inevitáveis. Mas catástrofes humanitárias, muitas vezes, são agravadas e muito por circunstâncias políticas, econômicas e sociais.
No caso venezuelano, é impossível ignorar o impacto acumulado de anos de sanções econômicas e financeiras impostas pelos Estados Unidos, que reduziram a capacidade do Estado de investir em infraestrutura, adquirir equipamentos, modernizar hospitais, importar máquinas de resgate e fortalecer sistemas de prevenção e resposta a emergências.
O regime de sanções e o bloqueio econômico aplicado pelos Estados Unidos contra a Venezuela tem uma história que se estende por mais de uma década, intensificando-se drasticamente ao longo dos anos. Desde 2015, no governo de Barack Obama, quando a Venezuela foi declarada uma “ameaça incomum à segurança nacional”.
O regime de sanções e o bloqueio econômico aplicado pelos Estados Unidos contra a Venezuela tem uma história que se estende por mais de uma década, intensificando-se drasticamente ao longo dos anos. Desde 2015, no governo de Barack Obama, quando a Venezuela foi declarada uma “ameaça incomum à segurança nacional”.
Inicialmente, as sanções eram focadas no congelamento de bens e vistos de indivíduos específicos do governo, mas entre 2017 a 2024, principalmente desde o 1o governo de Donald Trump, o bloqueio tornou-se setorial e financeiro. Em 2017, proibiu-se o acesso da Venezuela aos mercados financeiros dos EUA. Em 2019, o bloqueio passou a ser total sobre a estatal petroleira PDVSA e todos os ativos do governo venezuelano em solo americano, com breves alívios e reimposições parciais durante o governo Biden (entre 2022 e 2024).
Entre 2025 e 2026, o bloqueio petrolífero foi massivamente endurecido pelos EUA, com a aplicação de ordens executivas focadas em asfixiar completamente as receitas remanescentes de petróleo e confiscar fundos do país no exterior. Além das que já haviam ocorrido antes, como o roubo dos depósitos em ouro na Inglaterra, e o assalto à refinaria da A CITGO Petroleum que é considerada a quinta maior refinaria dentro do território dos Estados Unidos.
Independentemente das críticas que se possa fazer ao regime chavista e ao governo de Maduro, a intervenção imperialista e neocolonial, agravada ainda mais neste último governo Trump, com olho no petróleo e demais reservas minerais, o país foi ao fundo do poço. Somando-se ao quadro social as migrações massivas aos países vizinhos, incluindo o Brasil.
A economia venezuelana sofreu uma das maiores contrações da história moderna para um país fora de uma guerra convencional. Os principais indicadores apontam queda Histórica do PIB: entre 2012 e 2020, o país perdeu cerca de 74% do seu PIB. Cerca de 88% dessa perda ocorreu após as sanções financeiras de 2017, que isolaram o país dos mercados internacionais.
Hiperinflação com a perda de receitas forçando a emissão de moeda sem lastro, gerando picos inflacionários absurdos (chegando a ultrapassar 340.000% ao ano em 2019). Perda de Receitas, entre 2017 e os anos recentes, o país perdeu mais de US$ 226 bilhões em receitas petrolíferas, o equivalente a deixar de arrecadar quase US$ 77 milhões por dia.
Ainda hoje, o bloqueio gera impactos que levarão anos para se recuperar, por exemplo, cerca de US$ 5 bilhões pertencentes ao Banco Central da Venezuela estão congelados em bancos internacionais (como o do Banco da Inglaterra). Economistas e jornalistas de todo o mundo pedem o alívio dessas sanções para que o país possa importar maquinário, alimentos e remédios para se reconstruir após os devastadores terremotos. Mas é preciso acabar de vez com esse bloqueio criminoso que é um verdadeiro ataque recorrente à soberania do país.
As sanções, apresentadas como instrumento de pressão política, tiveram consequências concretas sobre a vida cotidiana da população. A dificuldade de acesso a financiamento internacional, as restrições ao comércio e os obstáculos para importar diversos produtos, alimentos e remédios, afetaram diretamente a capacidade do país de enfrentar crises de grande magnitude.
As sanções, apresentadas como instrumento de pressão política, tiveram consequências concretas sobre a vida cotidiana da população. A dificuldade de acesso a financiamento internacional, as restrições ao comércio e os obstáculos para importar diversos produtos, alimentos e remédios, afetaram diretamente a capacidade do país de enfrentar crises de grande magnitude.
Quando um desastre natural atinge uma nação submetida durante anos a esse tipo de isolamento econômico, seus efeitos tendem a ser muito mais devastadores e a grande mídia empresarial, cinicamente, omite esses dados do grande público para tentar legitimar o sequestro do Presidente e a intervenção militar criminosa.
Ao mesmo tempo, o cenário político venezuelano sofreu profundas transformações após a invasão militar dos EUA ao território da Venezuela, no dia 3 de janeiro deste ano, que terminou com o sequestro ilegal do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da deputada Cilia Flores, sua companheira de vida.
A instalação do governo interino de Delcy Rodríguez da forma como tem se procedido abriu espaço para uma presença muito mais intensa dos interesses estadunidenses nos rumos políticos e econômicos da Venezuela. Esse processo já significou uma perda importante da autonomia nacional e da capacidade de definição soberana dos destinos do país.
Há também repúdio popular aos exercícios militares realizados por forças armadas dos Estados Unidos em território venezuelano durante esse novo contexto político. A presença de tropas estrangeiras foi recebida com fortes protestos de setores ligados ao chavismo, movimentos populares, comunas e organizações sociais, que denunciaram aquilo que consideram uma violação da soberania nacional e um símbolo da crescente influência externa sobre as decisões estratégicas do país.
chama a atenção a aplicação de um modelo onde empresas imperialistas estadunidenses ampliaram sua participação na exploração das reservas e vendas petrolíferas venezuelanas, despertando questionamentos sobre quem efetivamente controla um dos maiores patrimônios naturais da Venezuela e quais benefícios permanecem com a população venezuelana.
No campo econômico, igualmente chama a atenção a aplicação de um modelo onde empresas imperialistas estadunidenses ampliaram sua participação na exploração das reservas e vendas petrolíferas venezuelanas, despertando questionamentos sobre quem efetivamente controla um dos maiores patrimônios naturais da Venezuela e quais benefícios permanecem com a população venezuelana.
Todo esse processo demonstra que o governo Trump busca tutelar e submeter cada vez mais o governo interino de Delcy Rodriguez. Mistura famigerada de imperialismo com uma política de extrema direita neocolonial. A ingerência do governo Trump sobre a Venezuela representa um grave risco de ocorrer uma transferência significativa das riquezas nacionais para interesses privados estrangeiros, justamente em um momento em que o país necessita de enormes recursos para reconstrução.
Diante desse quadro, o terremoto expõe uma realidade mais ampla. A tragédia não pode ser compreendida apenas pelas placas tectônicas que se moveram sob o território venezuelano. Ela revela também as consequências acumuladas de anos de tensões internacionais, sanções econômicas, disputas geopolíticas e mudanças profundas na estrutura do Estado. Além da conivência e omissão de governos vizinhos que poderão ser as próximas vítimas do imperialismo trumpista.
Não precisamos ser apoiadores do Chavismo para entender o que está em jogo na Venezuela. É legítimo debater responsabilidades políticas, avaliar decisões dos diferentes governos venezuelanos e discutir os limites das sanções internacionais. Mas também é necessário afirmar categoricamente que a proteção da população civil deve estar acima de disputas geopolíticas.
Em momentos de catástrofe, qualquer obstáculo ao acesso a equipamentos, medicamentos,alimentos, recursos financeiros e ajuda humanitária pode representar mais sofrimento e mais perdas humanas.
Tão pouco é admissível que o governo Trump se utilize da tragédia humanitária para ampliar a presença militar dos EUA na Venezuela e os ataques à soberania deste país. Por isso, para além das iniciativas governamentais é imprescindível que se empodere e se legitime as brigadas populares que se estima chegar a cerca de 30 mil pessoas mobilizadas para ajudar, incluindo os voluntários internacionais.
Ocorre que, até o presente, a ajuda econômica fornecida pelos EUA e pela Europa à Venezuela representa menos de 8% dos recursos que estão retidos devido ao bloqueio. A melhor e mais volumosa ajuda ao país seria suspender as sanções! Ainda assim, a grande mídia empresarial internacional orquestra uma campanha para “demonstrar” a ineficiência do governo, com a intenção de buscar legitimar a criação de um órgão colonial para assumir o controle da região afetada ou promover novas intervenções coloniais.
Uma outra ameaça é que a reconstrução de La Guaira, uma área de veraneio e também uma cidade dormitório para trabalhadores, seja usada para transformá-la em uma zona hoteleira turística envolvendo capitais sionistas e trumpistas, no “modelo” da Faixa Gaza. Para que isso aconteça, as vítimas teriam que ser realocadas e as áreas não afetadas teriam que ser desocupadas. Portanto, associada à campanha de solidariedade há que levantar a bandeira da defesa da soberania e que a reconstrução tenha como objetivo restaurar as casas em favor do povo de La Guaira e dos cidadãos venezuelanos.
A reconstrução da Venezuela exigirá muito mais do que remover escombros e reconstruir edifícios. Exigirá recuperar capacidades institucionais, garantir investimentos públicos, fortalecer os serviços de emergência e assegurar que os recursos nacionais estejam efetivamente voltados para atender às necessidades da população. Também exigirá que a comunidade internacional priorize a cooperação humanitária, acima de interesses estratégicos ou econômicos. Todo este processo, respeitando a soberania venezuelana.
Nenhum povo deveria enfrentar uma tragédia natural carregando, ao mesmo tempo, o peso de bloqueios econômicos, crises políticas e disputas pelo controle de suas riquezas. A solidariedade, o respeito à soberania dos povos e a defesa da vida precisam ocupar o centro de qualquer resposta verdadeiramente comprometida com a reconstrução da Venezuela e com o futuro de sua população.
Nenhum povo deveria enfrentar uma tragédia natural carregando, ao mesmo tempo, o peso de bloqueios econômicos, crises políticas e disputas pelo controle de suas riquezas. A solidariedade, o respeito à soberania dos povos e a defesa da vida precisam ocupar o centro de qualquer resposta verdadeiramente comprometida com a reconstrução da Venezuela e com o futuro de sua população.
Por isso, cobramos que o governo brasileiro, parlamentares e demais forças democráticas no mundo façam gestão para o fim definitivo do bloqueio à Venezuela e ao mesmo tempo nos somamos à campanha de solidariedade internacional, convocada pelos movimentos sociais e organizações de esquerda do Brasil, para ampliar a ajuda humanitária ao povo venezuelano, que já está sendo enviada pelo governo Lula.
Existem várias formas de participar desta importante campanha, mas a mais rápida e emergencial é depositando no Pix unificado, aberto para a campanha:
Chave pix da campanha: [email protected] (Brasil Popular).
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