Portugal: agora, é lutar para vencer
Publicado em: 6 de junho de 2026
Portugal está num novo momento. A conjuntura política acelera, corre por becos, recua, avança, muda de direção. Para podermos vencer, precisamos de sintonia fina em cada um desses momentos. Fazer política.
O Pacote Laboral é um rolo compressor de direitos que visa oferecer às multinacionais, Big Techs, indústria da guerra e finança selvagem mão-obra barata, sem sindicatos nem greves. E facilitar a criação de um “exército industrial de reserva” – desempregados desesperados – para impedir os salários de subir. Mas o Pacote é também trave mestra de uma motosserra ultraliberal que junta tudo: precarização dos professores, destruição do INEM, lei dos solos, cortes nos apoios sociais de pobreza, privatização da parte rentável da CP, da TAP e da Segurança Social, subcidadania para trabalhadores migrantes e comunidade LGBTQIA+, promoção de (ainda mais) especulação imobiliária. É a Troika 2.0 com um Passos 2.0 a aparecer semanalmente para lembrar: “não fazem vocês, faço eu mais o Ventura”. Destruir Portugal. E depois, negociar uma revisão Constitucional que se adeque a esse país vendido.
Vencer o Pacote Laboral é colocar um bastão nesta engrenagem do mal. É a batalha central.
O Pacote não está derrotado: isso é o que nos quiseram vender (e, com algum sucesso, conseguiram). Verdade seja dita: vai ser muito duro derrotar o Pacote. É possível, mas não vai ser fácil. O patamar de mobilização tem de subir. E muito.
Não vale a pena especular muito. Mas é provável que dia 18 a Assembleia da República vote não votar. O Pacote desce à negociação na especialidade sem ser votado na generalidade. Na silly season, Ventura, Montegro, Ramalho e as grandes empresas negoceiam o que sai e o que fica. O Chega finge que ganha algo, o Governo simula que cede.
“Já não é preciso mais greves, o Chega resolve” anunciava Ventura em tarde de Greve Geral enquanto a PSP, desiludida pelo pacifismo dos manifestantes, espancava jovens desarmados para criar violência televisiva para a hora do Telejornal. Ou seja, o fascista manda o povo calar-se para melhor lhe vender a pele. O acordo com a AD para o prazo da revisão constitucional e a negação sempre condicional e cada vez menos convicta do Pacote por Ventura mostram que pode ser este o guião.
Não vale a pena especular muito. Mas há uma certeza: não dá para deixar isto nas mãos de um avençado da Solverde e de um Trump de trazer por casa. A Greve Geral de 3 de junho foi um importantíssimo momento de contestação. A chama da revolta ainda arde. Mas não se pode extinguir. Pelo contrário.
A luta tem de se expandir. A unidade tem de ser reconstruída. Entre centrais, mas também entre movimentos sociais, sindicatos independentes e povo descontente, que pode e deve ser convocado e organizado. Há exemplos a seguir, seja a luta do povo boliviano, as manifestações, greves e bloqueios de professores no Estado Espanhol, o movimento dos coletes amarelos e as greves radicalizadas em anos recentes em França.
Há que inovar, unir, escalar, sem medo de “perder o controlo”. O medo deve ser o de perder… esta batalha. Contestar é importante. Mas nós queremos vencer. Precisamos de vencer.
Via Semear o futuro
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