Crime de racismo: Policial Militar agride mestre Nenê com seu filho no colo

Espancado na porta da sua casa, com seu filho de cinco anos no colo, os policiais militares rasgaram sua roupa o deixando praticamente nu, e o mantiveram por quatro horas algemado e encarcerado na viatura


Publicado em: 23 de agosto de 2020

Michelle Pilom, de São Paulo, SP

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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Esquerda Online

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“Situação muito ruim, algemado, dentro do hospital sendo maltratado pela psiquiatra, e por todo sistema, de cueca e não sabendo o porquê. E, é assim que o Estado nos trata. O Estado subjulga a comunidade”. Disse o capoeirista.

“A capoeira é o fundamento
Contra o poder da tirania
Pra confirmar o juramento
Vamos tocar cavalaria

Vamos tocar cavalaria
Vamos tocar cavalaria

O militar que tome tento
Porque vai ter pancadaria
Se extrapolar no tratamento
Vamos tocar cavalaria

O povo segue o ensinamento
Que mestre mangangá dizia
Pra quem é bravo e violento
Vamos tocar cavalaria”

Paulo César Pinheiro

Na época da escravidão o toque Cavalaria era usado para avisar aos negros capoeiras da chegada do feitor. Na República, quando a capoeira foi proibida, os capoeiristas usavam a “cavalaria” para avisar da chegada da polícia montada, ou seja, da cavalaria. Vamos tocar Cavalaria!

Mestre Nenê | Mais um caso evidente de racismo estrutural, em 19 de agosto, por volta das 19h40, o Mestre Nenê – Valdenir Alves dos Santos – conversava com amigos e brincava com seu filho de cinco anos em frente a sua casa no bairro Vila Madalena, quando a criança se assusta com o barulho da sirene e pula para o colo do pai, nisso um policial branco vai em direção ao mestre Nenê e aponta uma arma para ele. Com uma ação agressiva e truculenta, pois estavam abordando um negro, os policiais ordenam que o capoeirista coloque seu filho no chão, Mestre Nenê pensando em proteger seu filho recusa a ordem.

Nesse momento, os policiais fascistas e racistas rasgam a roupa do Mestre e o empurra na calçada seguido de um “Mata Leão”, que inclusive feriu a garganta (glote) da vítima. Este golpe, também conhecido como “Chave de Braço” foi proibido o uso por policiais militares desde 31 de julho deste ano. 

“Soldados despreparados, homens e mulheres que trabalham para o governo… estão mal preparados para agir na comunidade” disse o Mestre Nenê.

Link do vídeo onde mostra a cena do Mestre Nenê gritando pelo seu filho enquanto era espancado pelos policiais militares, o vídeo também traz a nota de repúdio realizada pelo Candiero CNPIR: https://www.youtube.com/watch?v=Tez13128m-Y&t=22s

Toda essa cena truculenta ocorreu sobre a vista de seu filho, que inclusive está totalmente traumatizado, e de toda vizinhança que assistiram á cena de horror sem poder reagir. Mestre Nenê, já ferido foi algemado e jogado no camburão da viatura em direção ao hospital. Chegando no local, quando pessoas que seguiram a polícia questionavam sobre onde estava o Mestre, os policiais respondiam que ele já estava sendo atendido, porém ele ainda estava escondido na viatura.

Mestre Nenê gritou e escutaram, ele estava com as algemas muito apertadas, somente de cueca, com dores psicológicas e físicas, quando uma psiquiatra tentou dopá-lo. Ele só foi descobriu o que estava acontecendo quando chegou á delegacia.

Tudo isso ocorreu porque os policiais “confundiram” o capoeirista com um ladrão que havia assaltado um comércio próximo a casa do Mestre. Porém, as características do tal suspeito não eram parecidas com a do Mestre, a única semelhança era a cor, que por si só já é julgada.

Link do vídeo onde o Mestre nos conta, com detalhes, o que aconteceu: https://www.youtube.com/watch?v=MbdwjbK2kj0

O ocorrido só ressalta o quanto é essencial que lutemos, precisamos unir a classe trabalhadora contra o racismo, o fascismo, o machismo, a homofobia, e a favor dos direitos sociais e democráticos. 

A ação truculenta dos policiais militares foi retratada na charge de Mindu.

Acontecimentos como esse estão sendo naturalizados, pois a garantia da impunidade e o peso do racismo estrutural não reconhecido e não combatido, nos cria vários “George Floyd”. Tivemos uma mulher negra, com a cabeça pisada por um policial militar, assistimos ao massacre de 80 tiros, jovens negros sendo chicoteados, torturados e mortos em hipermercados, Tivemos Jenifer, Kauan, Agatha, Kethelyn, crianças negras assassinadas por policiais, Casos como esses não levaram a população brasileira ás ruas, por quê?

O Racismo é utilizado como um mecanismo de dominação capitalista que se desenvolve pela exploração direta da classe trabalhadora assalariada, está no coração da acumulação capitalista. Promovido pela classe dominante e pelo Estado, se utilizam do racismo para dividir a classe trabalhadora.

Estamos vivenciando formas modernas de ‘’segregações’, como muros, cercas, péssimas condições de habitação, transportes, o não direito à cidade, Universidades, Shopping, enfim locais onde só querem brancos e expulsam e segregam cruelmente os negros.

Quando a luta de classes superar as divisões para construir uma força combatente, organizada e unificada contra esse Estado, com trabalhadores unidos e na linha de frente, esses casos vão levar a população brasileiras às ruas.

Temos que dar um basta nisso!
Não á naturalização da violência nos corpos negros!


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