Lula reeleito: vitória histórica do povo brasileiro


Publicado em: 26 de outubro de 2026

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Foto Ricardo Stuckert

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A vitória de ontem é de proporções inéditas. Em uma luta de contornos épicos, o povo brasileiro derrotou não só os representantes locais do neofascismo, mas também os Estados Unidos, que não poupou esforços na tentativa de impor seu projeto de recolonização. Vencemos as big techs e a interferência do império sobre as eleições. Vencemos porque o povo brasileiro tomou seu destino nas mãos e disse não ao caminho do abismo. A mobilização popular derrotou os inimigos do Brasil.

Trata-se de um feito sem paralelo na história do país. Nunca se havia produzido uma virada nas eleições presidenciais. Ela só foi possível porque, em reação aos resultados do primeiro turno, milhões de pessoas se uniram e agiram para impedir a barbárie. O protagonismo, sem dúvida, foi dessas milhões de pessoas. Gente que se lançou ao desafio de fazer conversas difíceis, expor seus rostos nas redes, organizar grupos e chamar para si a responsabilidade pelo futuro do país. E que, trocando o medo pela iniciativa, o isolamento pelo encontro, descobriu a força que o povo tem quando se une.

A mobilização atravessou o Brasil das grandes às pequenas cidades, derrotou o algoritmo e os robôs bolsonaristas nas redes por meio da força numérica coordenada e centralizada, organizamos as maiores manifestações políticas desde as Diretas Já, e centenas de milhares de pessoas atravessaram o país e o planeta para votar. Não existe impossível quando milhões se organizam e lutam juntos.

Manter o estado de mobilização

A vitória, no entanto, ainda não resolve um impasse: a extrema-direita segue poderosa, com implantação social e maioria nos parlamentos. Já começaram com o questionamento dos resultados e podem tentar um novo golpe aos moldes do 8 de janeiro. Para Lula governar, será necessário – como o presidente reafirmou – mudar o que se entende por governabilidade: será preciso se apoiar na mobilização popular. Precisaremos nos manter ativos e vigilantes para assegurar a vitória e dar sustentação ao presidente no embate com o neofascismo. Lula precisará governar com o povo como nunca.

Por isso, devemos nos manter em estado permanente de mobilização: o que fizemos até aqui precisa ser continuado. Só mudanças estruturais e profundas no Estado brasileiro poderão derrotar definitivamente o neofascismo. Isso significa superar de vez os dogmas do neoliberalismo senil, e implementar uma política econômica que garanta justiça social e um salto na qualidade de vida para a ampla maioria do povo. O neofascismo se alimenta do ressentimento e da frustração. É preciso arrancar alegria ao futuro, e só a mobilização popular pode fazê-lo desde já.

Os milhões de pessoas que se engajaram na vitória, os grupos que se organizaram para a disputa da virada, os vínculos que se criaram nesse processo, a marca que ficará nas consciências de quem fez parte dessa gigantesca mobilização, são as bases para a transformação do Brasil. A vitória abriu um novo momento para o país. Tudo o que fizemos deve ser desenvolvido e potencializado, hoje e durante todo o governo. Aprendemos a força que temos.

Organizar e avançar

As três semanas do segundo turno ecoarão por anos na história do Brasil e da América Latina. O povo brasileiro provou que nada pode vencer a luta de massas quando ela alcança a escala de milhões. Essa lição precisa ficar gravada em pedra para o mundo.

Os partidos e movimentos sociais da esquerda brasileira que contribuíram nessa vitória passaram no teste da História. Esse é o sentido da nossa existência: sermos úteis em cada luta do povo brasileiro e da classe trabalhadora. Desse ponto de vista, o PSOL e sua federação cumpriram um papel exemplar. Manuela D’Ávila, Guilherme Cortez, André Janones, Sâmia Bomfim, Jones Manoel, Erika Hilton e diversas outras lideranças, cada qual a sua maneira, foram decisivos para inspirar, orientar e mobilizar milhões de pessoas. É uma ferramenta imprescindível para o futuro da esquerda brasileira, e precisa ser fortalecida.

Ficou demonstrado que a organização e a ação coletivas são as principais armas do povo na luta de classes. Cada grupo que se formou no levante da virada deve ser mantido e ampliado como espaços mais permanentes de organização e participação, acolhendo as diferentes experiências que se articularam no processo. Essa é a estrutura que poderá sustentar o que virá. Isso é o começo da recomposição do tecido social destruído pelo bolsonarismo.

Viramos as eleições. Agora, é virar o futuro.


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