“Trumporco” abre o carnaval de rua carioca com Luta Antimanicomial
Publicado em: 16 de fevereiro de 2026
Esquerda Online

O Bloco Carnavalesco Loucura Suburbana saiu em seu tradicional desfile na última quinta-feira, 12/02, no bairro do Engenho de Dentro. O Loucura é o primeiro bloco ligado a saúde mental e a reforma psiquiátrica, movimento que luta pelo fim dos manicômios e que foi responsável pela desinstitucionalização do Hospital Psiquiátrico Pedro II, hoje Instituto Municipal de Atenção à Saúde Nise da Silveira, local de sua origem. Há 26 anos o Loucura vem tomando as ruas levando sua mensagem de que o cuidado em liberdade através da arte é a política pública acertada para o cuidado em saúde mental.
Ao sair às ruas o Loucura mostra que todos somos iguais e podemos viver e festejar lado a lado em liberdade, rompendo os muros em uma ação de integração da sociedade com a loucura, de médicos, profissionais, usuários dos serviços de saúde mental e foliões e foliãs de toda a cidade que pegam o trem para curtir o carnaval tipicamente suburbano para abrir o carnaval. Tendo como protagonistas os usuários dos serviços de saúde mental, o bloco foi responsável pelo renascimento do carnaval de rua do bairro de Engenho de Dentro, resgatando a tradição dos desfiles de rua.
O carnaval como luta política
A sátira e a crítica social são pontos fortes dos desfiles do Loucura Suburbana. Neste ano o bloco levou às ruas pela primeira vez um boneco gigante representando o presidente Trump, o Trumporco. Criado em 2024 pelo artista Marcos Inácio e outros usuários da saúde mental, em parceria com o artista e psiquiatra Lula Wanderley, o boneco carrega uma crítica afiada à política imperialista estadunidence, levando um cartaz que diz: “Trumporco, o Brasil não cabe no teu chiqueiro”. A crítica ao presidente dos Estados Unidos também está presente na letra do samba vencedor de 2026 “Loucura Suburbana Eu TiAmo” (composição de Gabriel Cascardo, Yuri Branco, Cecília Cruz e Júlio Pagé), escolhido entre outros 25 sambas concorrentes em seu evento de Escolha do Samba:

“Quem disse que a rua não é palco pra sorrir
Eu vou pintar bordar e resistir
O Brasil é nosso, vai cuidar do seu quintal.”
Este não é o primeiro boneco criado para o desfile criticando figuras políticas, outros exemplos são o Cripeta (Crivela + Capeta), que desfilou em 2018 e O Rei das Fake News (Bolsonaro carregando uma mamadeira de piroca) que acabou não desfilando devido a ameaças anônimas que a organização do bloco sofreu nas vésperas do desfile.

O samba enredo também relembra o legado cultural do bairro do Engenho de Dentro trazendo homenagens a Zé Espinguela, morador do bairro e criador do primeiro concurso de carnaval como conhecemos hoje, e Abel Luis, músico criado no Engenho de Dentro, que foi responsável pelo trabalho musical do bloco até o ano de 2025. Mais uma vez o Loucura Suburbana mostrando como o carnaval pode ser ferramenta das lutas sociais, de preservação da memória e da construção de saúde e cuidado em liberdade.
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