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Colunas

Bolsonaro naturaliza a ameaça de golpe

Cleia Vaiana/Câmara dos Deputados

Paulo Pasin

Paulo Pasin é metroviário aposentado, do Metrô de São Paulo, e ex-presidente da Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários).

O Congresso Nacional poderia ter dado um resposta a altura das provocações golpistas do Bolsonaro. Derrotou a PEC do voto impresso, é verdade. Mas o resultado foi muito aquém do que se esperava. A direita tradicional, ultraliberal, mostrou que seu compromisso com as liberdades democráticas é da boca para fora. Até porque não podemos nos esquecer que a atual composição do Congresso é resultado onda bolsonarista das eleições de 2018.

Todos os partidos da direita tradicional (PSDB, DEM, MDB, PSD) votaram divididos. Sendo que a maior parte votou com Bolsonaro. Este partidos votam unificados quando o tema é retirada de direitos da classe trabalhadora. No mesmo dia da votação da PEC do “voto impresso”, na surdina, sem alarde, a Câmara aprovou MP de redução de jornada e salário que incluiu “minirreforma” trabalhista. Continuam passando a boiada.

Até na chamada centro-esquerda PDT e PSB a PEC do voto impresso conseguiu votos.

Bolsonaro tem uma estratégia golpista. Sabe que está perdendo força eleitoral. Testa os limites das instituições. Naturaliza o golpe. Sabe que o Congresso, a mídia hegemônica, o poder judiciário “ladram mas não mordem”.

O PSB , do Marcelo Freixo e do Flávio Dino, contribuiu com 11 votos para o Bolsonarismo. Triste ver Marcelo Freixo se misturando com esta gente.

Bolsonaro tem uma estratégia golpista. Sabe que está perdendo força eleitoral. Testa os limites das instituições. Naturaliza o golpe. Sabe que o Congresso, a mídia hegemônica, o poder judiciário “ladram mas não mordem”. Muitos dizem que o imperialismo americano não defende uma ruptura na limitadíssima democracia brasileira. Pode ser. Mas alguém imagina Joe Biden tomando uma medida séria de enfrentamento com o governo Bolsonaro caso avance no sentido do golpe?

De fato, a derrota do voto impresso mostrou que o golpe não é eminente. Mas escancarou também a fragilidade das instituições na defesa das liberdades democráticas.

A esquerda não pode jogar parada, sonhando com 2022. Terceirizando a luta contra as ameaças autoritárias do genocida. Precisamos retomar as mobilizações de rua, com mais empenho ainda. Nesse sentido, é preocupante o silêncio de Lula. Como principal liderança da oposição no Brasil deveria se envolver diretamente com a convocação das manifestações de rua pelo Fora Bolsonaro.

 

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voto impresso