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Colunas

A carta de Elliot Page

Reprodução / Facebook

Travesti Socialista

Travesti socialista que adora debates polêmicos, programação e encher o saco de quem discorda (sem gulags nem paredões pelo amor de Inanna). Faz debates sobre feminismo, diversidade de gênero, cultura e outros assuntos. Confira o canal no Youtube.

Indicado ao Oscar por sua atuação em ‘Juno’. Ativista da luta LGBTQIA+ que denunciou Bolsonaro ainda em 2016. Codiretor do documentário ‘Algo de Podre na Água’ que, nas suas palavras, “explora o tema do racismo ambiental, colocando em evidência as decisões atuais e históricas do governo canadense de priorizar os lucros de grandes corporações sobre a saúde das comunidades indígenas e negras”. Na última terça-feira, dia 01, postou uma carta em suas redes sociais, afirmando que é trans. Traduzo abaixo o que ele escreveu.

“Olá, amigues, quero compartilhar com vocês que eu sou trans, meus pronomes são ele/elx [‘he/they’] e meu nome é Elliot. Sinto-me sortudo por escrever isso. Por estar aqui. Por ter chegado a esse lugar na minha vida.

“Sinto uma enorme gratidão pelas pessoas incríveis que me apoiaram ao longo dessa jornada. É difícil expressar o sentimento memorável de finalmente amar quem eu sou o suficiente para buscar meu verdadeiro eu. Tenho sido infindavelmente inspirado por muitas pessoas na comunidade trans. Obrigado por sua coragem, sua generosidade e seu trabalho incessante para fazer deste mundo um lugar mais inclusivo e compassivo. Eu ofereço todo suporte que puder e continuo a me empenhar por uma sociedade mais amável e igualitária.

“Também peço paciência. Minha alegria é real, mas também é frágil. A verdade é que, apesar de me sentir profundamente alegre agora e entender meus privilégios, eu também sinto medo. Sinto medo da invasividade, do ódio, das ‘piadas’ e da violência. Para deixar nítido, não estou tentando diminuir um momento de alegria e que eu comemoro, mas quero mostrar a imagem completa. As estatísticas são assombrosas. A discriminação contra pessoas trans é frequente, insidiosa e cruel, com consequências terríveis. Apenas em 2020, foi reportado que pelo menos 40 pessoas trans foram assassinadas, a maioria das quais são mulheres trans negras e latinas. Aos líderes políticos que trabalham para criminalizar o cuidado da saúde das pessoas trans e que nos negam o direito de existir e a todos aqueles com uma plataforma massiva que continuam a disseminar hostilidade contra a comunidade trans: vocês têm sangue nas mãos. Vocês soltam uma fúria de maldade e uma raiva aviltante que cai sobre os ombros da comunidade trans, uma comunidade na qual 40% das pessoas trans adultas relatam terem tentado suicídio. Já chega. Vocês não estão sendo ‘cancelados’, vocês estão ferindo pessoas. Eu sou uma dessas pessoas e não serei silenciado frente a seus ataques.

“Eu amo que sou trans. Amo que sou queer. E quanto mais me acolho e aceito totalmente quem eu sou, mais eu sonho, mais meu coração cresce e mais eu floresço. Para todas as pessoas trans que lidam com assédio, disforia, abuso e a ameaça de violência todo dia: eu vejo vocês, eu amo vocês e farei tudo que puder para mudar esse mundo para melhor.

“Obrigado por ler isso.

“Todo meu amor,

“Elliot”

Muito fofo, né, mores? Essa carta merece uma tradução publicada no Portal Esquerda Online.

 

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