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Especiais

Qual o projeto de Paes para a educação?

Igor Dantas, Rio de Janeiro (RJ)
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No segundo texto da série que acompanha a candidatura de Eduardo Paes vamos analisar o que seu histórico e suas atuais propostas demonstram sobre seu projeto de educação para a cidade do Rio de Janeiro. Um bom projeto para esse setor é ainda mais urgente nos tempos que vivemos.

Os alunos da rede pública foram os estudantes que mais sofreram com a pandemia, a grande maioria teve e segue tendo problemas nesse ano letivo. Acesso à tecnologia, tempo e tranquilidade para estudar não tem sido coisa fácil de encontrar.

Adoecimento de profissionais e estudantes e defasagem em relação à rede privada são algumas das consequências bastante prováveis. É preciso encontrar uma solução que escute a comunidade acadêmica de maneira democrática e que assim possa reduzir os danos da melhor maneira possível.

Histórico

Olhando para seu passado, como foram os anos Paes para a educação carioca? Houve grandes investimentos na área ou avanços importantes nas condições de trabalho e estudo de estudantes e profissionais da educação? Vamos analisar.

A relação de Paes com os educadores e sindicatos foi bastante conturbada. Falta de aumentos, más condições de trabalho e abertura para parcerias público privadas com terceirizações, ONGs e fundações privadas.

É como nos diz Raphael Mota, professor e diretor do SEPE. Segundo ele é até um pouco difícil de enumerar os ataques de Paes a educação, dada à quantidade deles em seus dois governos, todavia ainda persistem na memória dos educadores problemas no plano de carreira, que mais separava que integrava os profissionais, forçando uma migração para 40 horas semanais, falta de autonomia pedagógica por meio de apostilas engessadas e rasas e falsas promessas como a escola supostamente integral que só funciona até 14 ou 15 horas. Sem contar as tentativas de reestruturação da rede, que na realidade consistiam em fechar diversas escolas.

Além disso, vejamos o partido de Paes, O Democratas (DEM). É o mesmo partido de Rodrigo Maia, e tantos outros deputados e senadores que foram parte importante na elaboração e avanço de projetos como a PEC do teto de gastos, que asfixia o investimento público por 20 anos, uma medida cuja magnitude não possui paralelo com quase nenhum país, e é ainda mais destrutiva para um país subdesenvolvido que carece de investimentos consistentes em ciência e educação. Esse limitador, apesar de federal, influencia a educação do país como um todo, até por que nessa lógica privatista e liberal há grande coesão no DEM e nos partidos da burguesia. Nada aponta que no Rio de Janeiro o projeto bateria de frente com essa lógica.

Em resumo, seu histórico nos leva a mais desconfiança de que ele vá implementar boas medidas na educação carioca.

Propostas atuais

E quanto às propostas atuais? Elencamos algumas delas da forma como estão descritas em seu site para um detalhamento maior:

“Implementar o Programa [email protected], com a distribuição de tablets e internet móvel para todos os alunos da rede municipal até o final de 2022”

Paes sabe como fazer boas promessas, seu problema geralmente é cumpri-las. Em sua última gestão da prefeitura prometeu que entregaria 100% da frota de ônibus com ar condicionado, mas quem vive no Rio sabe que isso não foi concretizado até os dias de hoje. Será que nesse momento de crise econômica e governando um projeto burguês liberal Paes vai tirar essa proposta do papel? Como será operacionalizada essa entrega? Os Equipamentos e a internet serão de qualidade suficiente para o estudo? Nada disso está claro, e seu histórico não nos dá nenhuma confiança.

“Expandir a oferta de Ensino em Tempo Integral na Rede Pública Municipal para 100 mil novos alunos até 2024 com um currículo inovador (incluindo aulas de cidadania – promoção do civismo, do respeito ao próximo e da proteção do patrimônio/espaço público)”.

Como já explicou Raphael Mota, o conceito de ensino integral de Paes é um tanto equivocado, mas ele parece insistir nisso agora trazendo novas disciplinas, supostamente inovadoras. Vejamos: Essas matérias servem a que propósito? Proteção do patrimônio é uma prioridade educacional? Com as limitadas horas que teremos, esse deve ser realmente o foco? Quem dará essas matérias? Qual a formação será exigida?

Aparentemente essa é uma nova tentativa de diálogo com grupos bolsonaristas que são saudosos da educação moral e cívica dos tempos da ditadura. Se há tempo a ser ocupado, Filosofia, sociologia e as ciências humanas, em geral tão atacadas, podem e devem ocupar um lugar de maior destaque, fomentando o pensamento crítico e uma educação libertadora. Para se recuperar dos problemas causados pela pandemia o conteúdo deverá ser planejado e discutido junto à comunidade acadêmica, não impondo novas disciplinas para agrado da extrema direita.

Conclusão

Como se pode ver, quando nos aprofundamos um pouco em seu projeto de educação, Paes novamente se mostra um candidato oportunista, que por meio de supostas soluções mágicas visa esconder os sérios problemas da educação Carioca.
Nesse momento de greve pela vida, é necessário o cuidado com os estudantes e profissionais da educação para minimizar riscos sanitários e perdas educacionais, além da discussão sobre a adaptação dos conteúdos quando se der a volta às aulas. Portanto, a conclusão mais coerente é de que não é possível defender um projeto tão frágil e contraditório para nossa educação municipal.

Referências:

http://www.seperj.org.br/admin/fotos/boletim/boletim157.pdf

http://www.seperj.org.br/ver_noticia.php?cod_noticia=22281

https://www.brasil247.com/blog/paes-pmdb-e-a-escola-em-tempo-integral-no-rio-politica-educacional-ou-eleitoral

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-01/prefeito-alega-que-reajuste-vai-custear-ar-condicionado-nos-onibus

https://www.eduardopaes.com.br/plano-de-governo/educacao/