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Glenn Greenwald e The Intercept merecem solidariedade

Canadian Press

Glenn Greenwald, do Intercept Brasil

Valerio Arcary

Professor titular aposentado do IFSP. Doutor em História pela USP. Militante trotskista desde a Revolução dos Cravos. Autor de diversos livros, entre eles O Martelo da História.

Está em curso uma avalanche de desqualificações de Glenn Greenwald nas redes sociais. Uma verdadeira esculhambação contra The Intercept. É uma baixaria espantosa. E a principal arma é uma homofobia primitiva. As teorias conspiratórias são avassaladoras.

As televisões estão no “modo” operação “abafa” para evitar que o escândalo MoroGate ganhe audiência de massas. O potencial de represálias contra a Intercept e Glenn Greenwald, em função das reportagens sobre a Lava-Jato, é grande.

A situação política no Brasil é, como sabemos, muito grave depois da eleição de Bolsonaro. O jornalismo investigativo sofre imensa pressão no mundo inteiro. E a situação ficou mais séria, nos últimos dois anos, depois da eleição de Trump. Assange está preso. Snowden exilado na Rússia. Solidariedade é necessária, mais do que nunca.

A imprensa independente precisa ser livre.

Devemos responder para além da bolha de esquerda. Mas não podemos cometer o erro de fazer contra Moro o que a extrema direita está fazendo contra Greenwald.

Uma das condições para que uma discussão seja produtiva é o respeito. Polêmicas só são destrutivas quando são ad hominem. Uma disputa de ideias passa a ser ad hominem quando pretende diminuir ou desmoralizar a pessoa que pensa diferente de nós.

Pessoas maravilhosas podem defender ideias erradas, absurdas, disparates e até aberrações. E pessoas de caráter confuso, duvidoso, ou dúbio podem ter razão. A regra número um na luta de ideias é o respeito, portanto, a honestidade intelectual. A disputa de ideias deve ser somente uma esgrima de argumentos.

Quando eu voltei para o Brasil em 1978 fui morar, militar e dar aulas em Osasco. Uma das primeiras “máximas” que ouvi no intervalo do Colégio era que “política não se discute”. Era um país ainda, politicamente, muito atrasado. Ser de oposição à ditadura já era o bastante para você ser considerado de esquerda. E ser de esquerda era o mesmo que ser comunista. Era difícil conversar.

Temos bons argumentos. Não precisamos baixar o nível. Na esquerda temos que dar o exemplo. Mesmo quando nossos inimigos são pessoas horríveis.

 

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